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“Sem o Povo, o Estado é apenas uma sombra vazia”
(máxima sociológica)
1 – Na maior parte dos países, nos democráticos, principalmente, a ausência do Presidente da República do território nacional, por motivos de saúde, sem o conhecimento público ou a autorização legal, configura uma grave violação constitucional. Existem regras que regulam a ausência do País do
PR, para gozo de férias. Sinceramente, desconheço o que a nossa Lei determina para estes casos específicos, nem sequer se a prática é corrente entre nós. Sei, no entanto, o que pode resultar quando o povo desconhece o que se passa com o seu Presidente. Vem isto a propósito da onda de falatórios a respeito da mais recente ausência do País, do Presidente João Lourenço. Prenhe de detalhes preocupantes, já obrigam a perguntar as razões que levam o Governo de Angola a não fugir à tentação que tem de transformar casos simples em complicadas situações de intriga. Um comunicado bem elaborado, uma simples foto na sua página da internet, seriam suficientes para mostrar que o Presidente João Lourenço tem, como todos os cidadãos, o direito de ficar doente ou o de usufruir dos seus momentos de descanso e de lazer ao lado da família. Deixar a Nação em suspense, é sujeitar o povo a incómodas dúvidas e especulações. E isso, meus senhores, não é bom nem está bem! Por isso, nota zero, mau trabalho dos serviços de imprensa da Presidência da República de Angola!
2 – Este Mundial de Futebol, se peca pela fraca qualidade do jogo, ganha pela muita emoção. O exemplo de Cabo Verde diante da campeã Argentina, foi das coisas mais lindas e dignas deste campeonato. Inesquecível. Honra e glória para África! Falar de dignidade, também é lembrar a falta de respeito no tratamento dado pelos americanos aos iranianos. Quase instigados a abandonar a prova. Inaceitável pouca-vergonha! Entretanto, o minuto 86 do jogo tornou-se num verdadeiro pesadelo para o Senegal, a RD Congo e a Costa do Marfim. À boa maneira africana, falou-se de feitiço! Tiveram tudopara nos darem a suprema alegria de vermos qualquer uma delas a transitarem para os oitavos de final. Desconseguiram, e agora só nos restam o Marrocos e o Egypto, ambos representantes da África branca. Espero que passem incólumes pela tormenta do minuto 86!
3 – Mais uma passagem do meu relato romanceado “Viva este povo maravilhoso” que breve estará à disposição do público:
“Vivia-se mais uma fase complicada da vida em Angola. A sociedade mostrava-se bastante preocupada, mas, contrariamente, as suas figuras mais representativas, alheavam-se dos assuntos, principalmente dos que eram vistos como problemáticos. Algumas entidades ainda tentavam, mas, no fim, não sabiam, nem queriam saber de nada dessas coisas. Nesse rol, incluíam- se individualidades integradas em várias associações, e as próprias agremiações por elas constituídas. O problema era comum a todas, dos escritores, dos jornalistas, dos artistas e compositores, dos engenheiros, dos arquitectos, dos advogados, dos contabilistas, dos professores, dos médicos e enfermeiros. Resumindo, era um problema geral de identidade, de quase todas elas. Para se concluir, finalmente, que o mal era dos intelectuais de um modo geral. Deviam marcar posições mais firmes nas questões de dignidade nacional! Lamentavelmente, distanciavam-se, de fininho, dos assuntos que despoletavam confronto de ideias com o poder estabelecido. Ficava claro que era pelo seu comprometimento com o regime. Preferiam estar, com estavam, muito longe dessas confusões de direito, de justiça, de cidadania, de democracia, de tudo. Falar em desobediência civil? Nem pensar nisso era bom! Por mais trágica que fosse a situação. Que tristeza e que desilusão!”
Fico por aqui. Com os habituais cumprimentos, despeço-me dos estimados leitores, dos meus parentes, familiares e amigos, dos camaradas e companheiros de luta. Até ao próximo domingo, à hora do matabicho.
Forte da Casa, Portugal, 5 de Julho de 2026










