
– JAcQUEs TOU AQUI!
“O mais importante é resolver os problemas do povo!”
Dr. António Agostinho Neto
1 – Isto é “ressentimento político”! O camarada chateado, com olhar furioso, e chamando a atenção para a semana do Herói Nacional, referia-se à crítica que faço regularmente nesta coluna, ao estado geral da nação e à difícil vida dos angolanos. Não me assustei. Meus senhores, vamos ser justos. O estado da nação angolana, visto por quem sofre, não deixa quaisquer dúvidas. É mau, para não dizer deplorável. E as suas causas, essas, são conhecidas de todos.
Devolvi o recado ao camarada chateado. O País está mal, meu amigo. A intriga política faz meditar, a incapacidade governativa, a maldade, o oportunismo e a mentira, inquietam. As nomeações incompreensíveis conduzem a maus pensamentos. Expliquei como e porquê do triste panorama que me tem levado, há muito, a integrar a enorme legião de contestatários e críticos que, em desabafos de impotência diante da situação, manifestam através da sua voz, a desilusão pelo rumo que, lamentavelmente, Angola está a tomar.
Ressentimento político? Pode aplicar-se a alguns, não a mim. Desde logo, porque não sou político, por isso não serve nem faz sentido, caro camarada.
Quase me atrevo a um ensaio sobre comportamentos, ao recordar elogios públicos, feitos ontem como hoje, no tempo de Zedú e na vigência deste Governo, méritos de governança e utilidade de obras realizadas. Realçados, tanto o critério, como a competência. Sempre fui cidadão defensor da terra, dos bons filhos e dos meus direitos. Nunca me propus a andar na busca de pares que partilhem o meu sentimento de revolta. Não preciso disso para me sentir confortável e compreendido. Vou falando e fazendo apenas o que a minha consciência dita. Nunca fui de me recolher em mágoas silenciosas. Não finjo, sou de desabafos! Perante a maldade, sigo firme, acreditando no futuro e nos valores da cidadania.
De resto, estou-me lixando para os que pensam que nós, eu e os outros, os que, segundo eles, andamos aqui a criticar “por tudo e por nada”, os coitados dos pobres governantes, somos tipos sem moral, só levamos a vida a desancá-los injustamente pela situação lamentável que estamos com ela! A essa gente que pensa pouco, aconselho a fazer mais consultas às suas pobres consciências!
Podia argumentar outros factos. Há muito para se criticar, apontar o dedo. São atingidos quase todos os sectores da governação. Haja coragem para se aceitar a realidade. Hoje, resolvo recordar o padre Américo – alguém se lembra dessa figura? – Era um religioso português que, nos idos anos 40 do século passado, dizia que na sua terra não havia rapazes maus! Eu também acho que não há. Neste mundo, não existem só maus rapazes. Aqui, em Portugal, como em Angola, há muita gente boa, como existe – para mal dos nossos pecados – a que é maldosa, inescrupulosa, incapaz, aproveitadora, mentirosa, indecisa e a que não tem, ou não quer ter, noção de cidadania e patriotismo. Mas há algumas diferenças entre Portugal e Angola. Aqui, na Tuga, a rapaziada má é descoberta e maltratada publicamente, com frequência, enquanto, na nossa terra, essa gente bera oculta-se e é protegida. Contra isso, pouco há a fazer, ou melhor, contra isso e contra eles, é preciso lutar seriamente!
Voltando ao padre Américo, recordo que criou a “Casa do Gaiato” em Coimbra, nos referidos anos 40. A instituição apoiou e tirou de dificuldades, muitas crianças e suas famílias. Recordando-o, pergunto se não haverá, em Angola, gente como o padre Américo?! É natural que haja, mas a verdade é que, apesar do muito dinheiro que circula no nosso País e na forma como ele é por vezes utilizado, não se vislumbram gestos piedosos. Por isso, lanço o repto. É necessário lembrar os necessitados do País. Lembrar que precisamos de gente de espírito solidário, capaz de olhar para os outros e realizar obras como a do benfeitor português. Precisamos de pessoas que consigam distinguir e assumir a realidade do País, pensando com algum critério, sobre a utilidade do que se faz. As opções devem ser mais razoáveis. Entre gastar dinheiro público em enormidades de cimento armado, e obras que sirvam, de facto, a população carente de tudo, há que escolher a melhor!
2 – O candidato à presidência do MPLA, o general Higino Carneiro, revelou em conferência de imprensa, alguns segredos sobre o “Eme”. Desnudou, sobretudo, o comportamento dos dirigentes que compõem a cúpula do seu partido. Em boa hora o fez porque, para além de mostrar publicamente as fraquezas da organização – a ausência em peso da comunicação estatal na conferência foi a mais flagrante mostra de um indisfarçável clima de insegurança – mostrou confrangedoramente a “bajulice” que o rodeia e o quanto vai de desordem no partido que nos governa.
O candidato Higino Carneiro revelou ser um cidadão corajoso. No actual contexto, tem sabido enfrentar com coragem as críticas que lhe são feitas. Mostra, também, que é um candidato em quem se confia para liderar o seu partido e, quem sabe, noutra etapa, servir o País. Mostrou coragem, estratégia e clareza de argumentos. Revelou potencial e confiança no eleitorado que acredita nele. Os seus opositores só lhe vêm defeitos, neste momento de crise. Fazem-no de um modo desonesto. Buscam o seu passado e elevam os seus pontos fracos. Mas, também, obrigam a certos questionamentos. Quem é o político angolano que não é vulnerável, com passado imaculado? Olhem que há poucos, quase nenhuns! Por isso, é necessário que entre os que enfrentam a luta política se escolham os que, nas actuais condições, mostram as suas virtudes e nas suas mensagens se encontrem soluções que superam largamente os seus eventuais defeitos. Tenho notado, uma curiosidade: as críticas ao cidadão HC vêm normalmente de sectores que temem a mudança ou defendem interesses instalados.
A verdade é que nesta vida haverá sempre figuras mais indiscutíveis que outras. Não deixam de existir também os que vivem para diminuir os adversários, os que fabricam notícias falsas, difamam e desestabilizam. Usam as tácticas mais torpes do fenómeno moderno da desinformação. São umas estratégias de comunicação altamente sofisticadas, destinadas à destruição de reputação e assassinato de carácter. Infelizmente, uma das maiores vergonhas da política, está a ser posta em prática em Angola!
3 – Em matéria de futebol, este final de semana, só me deu satisfação o empate dos Palancas Negras no Egypto! De resto, e como acontece muitas vezes em política, enganei-me redondamente com o meu Benfica, no domingo passado. Apesar de avisado, não dei importância às recomendações recebidas sobre os herdeiros de Pinto da Costa. Ali, só com o feitiço do velho Bezerra da Silva! O molho de cebolada que havia preparado com cuidado, entornou-se e complicou os meus planos. Apesar de tudo, caminho sempre com a minha fé, e continuo a pensar no 39, rumo ao 40. Carrega, Benfica!
Termino aqui, cumprimentando os meus leitores, a família, os camaradas, companheiros de luta e amigos. Até ao próximo domingo, à hora do matabicho.
Forte da Casa, Portugal, 27 de Setembro de 2026










