OU SIM… OU SOPAS!

FERNANDO REIS

A nossa máfia é um polvo navegando no centro do poder político que não possuindo o poder económico, foi criando leis que institucionalizaram mecanismo para uma apropriação LÍCITA do património público, precisando de tentáculos que se desdobram do corpo principal, para as periferias. O ADN de ligação, é o partido que quando é beliscado, aí, sim, se desencadeia o crime… 

Para quem, desde muito cedo, acorreu aos sinos do bronze, desenhados como um comboio da revolução, correndo pelos campos cobertos de milhos e algodões, viajando numa carruagem em ouro, bordejada de diamantes, acordou, ao balanço deitado numa carroçaria, talhada em pau-cesse, pelas melhores mãos, da mente da mais inocente criança lá do… mato! 

E agora, pergunta-se, enquanto procura esfregar a ramela mais apegada ao olho que lhe permitiria ver a, verdadeiramente… realidade! Esboçando, com preguiça, o último bocejo do sono mal dormido para o final do sonho pessimamente interrompido, do mar de gente de punho ao ar, alguém mais sensato, baixinho sussurra-lhe ao ouvido:

 Ou sim, ou sopas!

Vêm aí as eleições, mas já se corre, muitos e quantas embalados, se não mesmo embalsamados, pendurados na carroçaria de pau-cesse. Outros abreviaram caminho e saltaram ao meio da viagem, quando não foram atirados ao lamaçal e não hão de chegar ao congresso do maioritário que ditará as posições, no puzzle, de nível sub ao IV, já que o V é magia, valendo, por ora os… mujimbus!

Se todos nós, incluam-se, sem vergonha, os ajeitadinhos, irmãos e maninhos, toda a oposição, estamos expectantes (e já se aposta nas e contra as BET.ao), no jogo de… wela… do mestre JLO, vai-se vasculhando no panfletário habitualmente difundido, as linhas com que nos pretendem cozer.

Tecida com o mais puro sisal do Bocoio, lá estará, certamente, uma corda de fio barbante atando o velho slogan do combate a corrupção. Aqui é onde se torcem as linhas e se perde o fio à meada.

Com um partido, como o que temos a dirigir e nos impuseram como Estado-partido há 50 anos, não se pode falar, francamente, de corrupção. Nas teorias que se propõem estudar o Estado e o Direito, o caso angolano é único.

Não existiu no pós-revolução soviética, não se assistiu em nenhuma das ditaduras nas Américas, em África esteve muito próxima de juntar ao grupo, a nossa kamba-gingongu de Moze (não se lhe fosse injectado o, “dívidas ocultas”, também esse um caso “sui generis”). A China, são outros 500. 

Na Europa e restantes continentes onde há democracias e Estados de Direito estabilizados, a corrupção não é um fenómeno. É um delito necessariamente produzido nas relações, entre as elites (políticas e económicas) de grupos que se apropriam de património público. Ilicitamente! Fique claro.

Há, esse sim, um fenómeno, surgido na Europa, principalmente em Itália, muito parecido ao nosso. Conhecido como Máfia, imperou durante décadas no USA, mas também ela integrava a ilicitude.A nossa corrupção endémica impôs-se no nível sub, o da arraia-miúda. Aí, o dano directo, não é ao património público, mas é lesado o cidadão que precisa dos serviços públicos. A nossa máfia é um polvo navegando no centro do poder político que não possuindo o poder económico, foi criando leis que institucionalizaram mecanismo para uma apropriação LÍCITA do património público, precisando de tentáculos que se desdobram do corpo principal, para as periferias. O ADN de ligação, é o partido que quando é beliscado, aí, sim, se desencadeia o crime… 

— Ou sim, ou sopas 

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