A comunidade macongina espalhada por Angola e pelos quatro cantos do mundo dispõe agora de um veículo de comunicação e de informação. Trata-se de um Boletim de carácter informativo interno bimestral e de distribuição gratuita, o “Arauto” que reportará as actividades da Associação dos Antigos Estudantes da Huíla (AAEH) – Lubango (fundada aos 12 de Fevereiro de 2001) e matérias de interesse ligadas ao Reino de Maconge.
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O lançamento do “Arauto de Maconge” decorreu no quadro das Festas da Nossa Senhora do Monte, que acontecem durante o mês de Agosto na cidade do Lubango, e constituem uma tradição com origem numa manifestação religiosa, celebrada pela sociedade huílana de forma efusiva. A iniciativa, que constitui um legado e um desafio para a convivência na diversidade dos habitantes da região, tem origem em 1902 (124 anos) com a edificação da Capelinha da Nossa Senhora do Monte, por colonos madeirenses que se estabeleceram naquela localidade e na romaria religiosa que se realiza no dia 15 de Agosto.
O acto de lançamento público decorreu nos Reais Paços de Maconge, no Ducado do Lubango, sitos na “curva da garrafa”, no parque da Srª do Monte, foi anunciado e presidido por D. António Manuel Pereira de Lemos, duque da Mapunda e duque Mor de Angola, na qualidade de presidente do Conselho de Direcção. Coube ao secretário-geral, Aires Manuel Fernandes de Almeida, fazer a apresentação do “Arauto”.
Entre os vários temas insertos, dá conta, nessa sua primeira edição, da consolidação do patrocínio concedido pelo macongino Jaime Freitas, que assegurará o início da construção da obra da nova Biblioteca “Jorge Arrimar”, nos Reais Paços de Maconge. Permitirá, ao mesmo tempo a criação de um novo e mais amplo espaço de leitura. Trata-se, segundo o “Arauto”, de um importante passo para a consolidação de uma das matrizes da AAEH, e atenderá toda a sociedade, em especial a camada estudantil.
O “Arauto” reporta igualmente, a pretensão do Núcleo da Juventude Académica da Huíla em transformar-se num clube desportivo afecto ao Reino de Maconge-AAEH, com vocação para a formação juvenil. Do mesmo modo, informa à comunidade macongina que, para proporcionar melhores condições de acomodação, estão concluídas as obras de construção dos novos balneários, que servirão, essencialmente, o pequeno parque de campismo existente nos Reais Paços de Maconge.
Referências históricas e ideais
De acordo com informação dispersa, o Reino de Maconge é uma instituição de lenda, de sonho, de fantasia e de fraternidade, sem limites territoriais. Estende-se a todas as regiões e locais onde se encontre um macongino, e nestes ilimites geográficos, romântico e sentimentais tem como principal e inalienável substrato, o coração e a saudade de todos os seus súbditos.
Excertos de um texto publicado no Jornal de Macau, da autoria do Sobado do mesmo nome, datado de 20 de Janeiro de 1989 dão conta que o “Reino de Maconge surgiu na cidade do Lubango (Sá da Bandeira), capital da província da Huíla, Angola, e foi fruto de uma revolta estudantil (…), quando um grupo de estudantes se insurgiu contra a eleição para Presidente da Academia, de um colega que, no entender dos revoltosos, não reunia as condições para assegurar a chefia e a continuidade das tradições académicas tão arreigadas na massa estudantil daquela cidade do sul de Angola”.
De acodo com o texto, os “revoltosos” proclamaram solenemente a sua ruptura com as chefias académicas de então, e fundaram o Reino de Maconge, aprovando uma constituição que procurava preservar as praxes académicas do Liceu Diogo Cão (que hoje acolhe vários departamentos da Universidade Mandume ya Ndemufayo).
O Reino promove a união, a camaradagem, a lealdade, a solidariedade e o convívio entre todos os maconginos. O seu corpo directivo é presidido por D. António Manuel Pereira de Lemos, Duque da Mapunda e Duque Mor de Angola e integra Aires Manuel Fernandes de Almeida, secretário-geral. A produção do “Arauto” conta entretanto com a colaboração de D. Joaquim Seabra Marques Pires, Duque de Luanda, D. Fernando Silveira (Funka), Duque da Huíla, D. Rogério Adelino Pinto, Barão de Cambonéu, D. Fernando Fernandes Peres, Visconde dos Barracões e de Rui Telles.
De acordo com a sua Constituição, o Reino estrutura-se em Sobados e, em Angola, em Ducados, que se constituem consoante o número de maconginos residentes no local ou a importância dos meios académicos.
São maconginos todos os que aceitem e observem os princípios fundamentais desta Constituição e que tenham sido estudantes do Liceu Nacional ex-Diogo Cão, da Escola Industrial e Comercial ex-Artur de Paiva, da Escola Secundária ex-Marquês de Sá da Bandeira, do Instituto Comercial, do Colégio ex-Nun’Alvares, do Colégio Paula Frassinetti, da Escola do Magistério Primário da Huíla, da Universidade e da Escola de Regentes Agrícolas do Tchivinguiro; que tenham sido já considerados como maconginos; que pretendendo tomar a condição de macongino, forem submetidos a julgamento em Ceia presidida pelo Vice-Rei, ou por quem tenha poderes delegados expressos para o efeito.
Ao abrigo da Constituição são ainda maconginos, os cônjuges e descendentes e ainda os que se distingam por altos e relevantes serviços prestados ao Reino, prossigam os princípios fundamentais dessa Constituição e sejam como tal considerados pelo Vice-Rei, ouvido o Conselho de Estado.
Os maconginos integram-se em três estados: a Nobreza, composta por todos os que tenham um título nobiliárquico, o Clero, que abrange os respectivos dignitários, e a Plebe.
Foto de abertura: Óscar Gil, a direita, Ginha Lopes, o Presidente D. António Manuel Pereira de Lemos ao fundo e Edgar Macedo, o primeiro a esquerda.














