NÃO É CEDO DEMAIS PARA PARAR AGORA

RECADOS DA CESALTINA ABREU (86)

“Se entrares no comboio/trem errado, sai na estação mais próxima. Quanto mais demorares, mais cara será a viagem de regresso”.

A frase é simples. O problema é que quase ninguém a leva a sério.

Insistimos. Justificamos. Empurramos com a barriga. Dizemos que “já investimos demasiado para voltar atrás”. E assim seguimos: não porque faz sentido, mas porque custa admitir o erro.

Mas a verdade é que permanecer no caminho errado não é persistência. É teimosia, e paga-se caro.

Cada estação ignorada aumenta o preço: em tempo, dinheiro, energia e lucidez. E o mais irónico? Quanto mais avançamos na direcção errada, mais difícil parece sair. Não por falta de saída, mas por excesso de ego.

Num mundo que muda depressa, o apego a decisões falhadas não é lealdade, é atraso.

Sim, nem sempre é fácil perceber que se entrou no comboio errado. A linha entre persistir e insistir no erro é ténue. Mas há um sinal que se impõe: quando já não há progresso, apenas desgaste, não é resiliência, é resistência ao óbvio.

E não, não é tarde demais. Quase nunca é. Mas também não é cedo demais para parar agora.

Corrigir a rota não é desistir. É recusar continuar a perder. 

A vida não premia quem aguenta tudo. Premia quem ajusta a tempo.

Nesta terça-feira: menos desculpas, mais lucidez.

Se não faz sentido, não dá para continuar!

Kandando daqui!

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