IRRITAÇÕES!

AIRES ALMEIDA
– ZOOM DA TUNDAVALA

Em qualquer parte ocorrem situações dignas de colocar “os cabelos em pé”, até ao mais pacífico ser humano. Muitas tocam o absurdo, o inusitado ou o inexplicável e incompreensível. São situações que, geram irritação a quem as vive ou testemunha, mas mostram bem como certas coisas acontecem. E irritam…

São irritações do quotidiano que tanto podem ocorrer cá como lá, como em qualquer parte. As poucas que se descrevem, são vividas todos os dias nesta cidade que carrega um monte de denominações, que deviam fazer com que os seus habitantes tivessem, ao menos, comportamentos mais condizentes com tais denominações como “A Cidade do Conhecimento”, ou a “Cidade do Saber”, só porque há bué de estabelecimentos de ensino superior. São atitudes, comportamentos e situações que irritam. Pronto!

Irritações…

Vai-se a uma dessas chamadas grandes superfícies e nada mais irrita do que estar na fila da Caixa à espera da vez para largar o graveto e, quando ela chega – a vez -,  o cliente que estava à frente simplesmente larga o carrinho ou o cesto das comprasaos pésdo cliente que lhe segue, e vai-se embora como se fosse obrigação do outro, que tem o cesto aos pés,arrumá-lo ou dar-lhe um pontapé como muitas vezes dá vontade. Nesses casos, se  for dito ao sujeito que teve aquele comportamento, para deixar o carrinho ou o cesto no lugar, refila, xinga, chama nomes e acha que está no direito de fazer o que quer. A tal ponto que os funcionários já não dizem nada, como se aquilo fosse absolutamente normal! Irrita! Coloquem então placas a avisar que cestos de compras não são para largarà frente ouaos pés dos outros… Irrita!

Irritações…

Ainda na mesma grande superfície, é comum verem-se cidadãos saírem para o parque de estacionamento com o carrinho de compras e, depois de as colocarem no veículo, largam o carrinho simplesmente onde calha: à frente ou atrás de outro veículo, ou ocupando uma vaga no estacionamento e algumas dessas “aberrações”, porque engravatados e/ou porque o carro definiu estatuto, ainda discutem com os seguranças do parque de estacionamento quando lhes é dito para deixaram o carrinho das compras no lugar apropriado. Porque acham quecarro de marca,que até pode não ser dele,  ou gravata no pescoço, é estatuto que lhes dá para fazerem o que “bestialmente” lhes dá na real gana. Bestialmente porque se comportam como bestas. Mostram simplesmente arrogância, estupidez,falta de educação e falta de respeito para com os outros. Irrita!

Irritações…

Irrita, ver dois, três e às vezes quatro agentes da Polícia Nacional, devidamentefardados, ‘fazer’ que fazem o controle e a regulação do trânsito na Rotunda do Arco Iris – no Lubango, obviamente – e, vistas as coisas, o que lá fazem não é mais do que causar mais confusão no trânsito, já caótico, principalmente às horas de ponta. Complicam mais a vida dos automobilistas. Às vezes até se fica com a impressão que discutem entre entes:  “Você não devias mandar avançar o trânsito desse lado por que mandei avançar deste”. Ficam baralhados, tontos, e baralham mais as contas dos automobilistas. Ou será que eles gostam de ver as filas de trânsito chegarem ou passarem a Universidade Mandume ou chegarem ao SIAC, no sentido inverso? Criar filas não é melhorar a circulação, senhores. Até podem lá estar– na rotunda -,mas fiquem quietos.Faxavor! E vejam como o trânsito flui melhor. Irrita…

Irritações…

Irrita ver motociclos(kupapatas)com luzes e luzinhas de todas as cores, intermitentes e flashes, ao estilo discoteca, circularem com o maior à vontade, na mais completa violação as regras, de dia ou de noite, e passarem em frente de unidades de Polícia e de Agentes que, diante desse show de luzes e cores, até parecem bater palmas de contentes porque: “olha só,pareceuma discoteca andante”. Irrita…

Irritações…

Irrita também, ver polícias, devidamentefardados, e com as botas a luzir, “pendurados” nos kupapatas, sem fazerem uso do capacete. Quando as altas chefias da corporação já deram ordens que polícia que montar no kupapata sem capacete é punido. A lei afinal é só para alguns? Se for polícia já pode andar sem capacete? E as ordens das chefias não se cumprem? Porquê? Afinal a autoridade está onde? Irrita… E não se sabe o que irrita mais: se ver polícias a descumprir as ordens das chefias, se ver as chefias serem abandalhadas dessa maneira. Mas irrita…

Irrita, ver o cidadão que parou o carro em fila dois, a dificultar a circulação de outros veículos porque a faixa de rodagem está impedida ou parcialmente reduzida, e quando deixa o carro, liga os intermitentes, vai-se embora, como se isso resolvesse a infracção. Irrita…

Irrita estacionar o carro em certos pontos da cidade, porque as vagas de estacionamento parece pertencerem a um bando de miúdosque se acham no direito de fazercobranças por terem supostamente orientado o estacionamento ou arranjado a vaga e, se o sujeito não dá nada, ainda se arrisca a que lhe façam alguma patifaria no carro, ou roubem algum componente (retrovisor, tampões das rodas, piscas e por aí adiante). Irrita…

Irrita, chegar a uma Repartição Pública para tratar de um assunto cujo tratamento deva ser por processo informático, os tais portais para isto e para aquilo, e ouvir, do funcionário sempre mal disposto: “não temos sistema”, ou então “o sistema caiu”. E há aquelas situações em que o tal funcionário ainda avisa,maldispostamente: “Às dez horas o sistema vai cair”. Xéééé, sabem a que horas o sistema vai cair? Até dá vontade de perguntar quando é que esse tal desistemacai deuma vez por todas. Irrita…

Irrita, o cidadão ter de tratar de determinado processopor via deumportal que, supostamente, foi inventado para agilizar, para facilitar a vida do cidadão,para desburocratizar, e até se pensa acabar com o esquema e com a gasosa, ser ele próprio, o tal portal, a inventar situações que retardam a solução do assunto como por exemplo: “O processo foi devolvido por que campo tal do formulário não foi preenchido”, mas quando o sujeito submeteu da primeira vez o processo foi validado, e o tal campo não existia. O cidadão submete pela via do tal portal, bué de documentos porque, o tal processo só avança se os ditos documentos – e tem de ser todos -, tiverem sido submetidos, o processo validado, o cidadão pago as taxas e emolumentos devidos pela via de um certo RUPE e depois, na data indicada pelo mesmo portal, quando o cidadão se dirige à Repartição (in)competente, para levantar o documento, o funcionário, com cara de vómito, presta a informação que menos se espera: “o seu processo não aparece”. Como não aparece se todos os documentos do processo foram submetidos no portal, o processo foi validado, o pagamento foi feito? O processo não aparece? Para onde foi? Irrita…

Irritações…

(Atenção: lidar com as irritações, como se fossem anedotas, ajuda a prevenir o AVC. É um conselho do Mistério da Saúde)

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