ENTRE VERÃO E CACIMBO (2)

JAcQUEs TOU AQUI!

JACQUES ARLINDO DOS SANTOS

São obrigados (em Comissões Parlamentares) a falar sobre o que fazem e não deviam ter feito, sobre o que não fazem e deviam ter feito! É, em face disso, que são obrigados a prestar contas sobre coisas que a nós, angolanos, surpreendem, por nos parecerem ridículas e irrisórias. Coitados de nós!

1-Portugal é um país pequenino, mas organizado, sabemo-lo bem.  Por essa razão, e por outras que se prendem à sua condição de membro da União Europeia, Portugal, exige rigor na vida parlamentar. Aqui existe controlo das empresas e instituições. Agem todos, naturalmente, como lhes compete. As suas organizações funcionam em pleno, até mesmo no Verão, quando meio mundo, vai gozar férias. Para se amorenar a pele, conseguir o bronzeado que a moda exige, principalmente. Esse é o alcance maior das férias, para os europeus! É o que me vão mostrando os autocarros e comboios repletos de gente, para o Algarve e outras paragens, para as praias mais próximas, a Norte ou a Sul. Os calções, shorts e bermudas, as pernas ao léu, as costas desnudas de homens, mulheres e de crianças, confirma, para além do físico, a prática costumeira que envolve cerca de 70º% da população europeia, a movimentar-se anualmente em férias pelo continente, neste período, segundo dizem as estatísticas europeias.

2- Mas, já dei a entender no princípio, a par disso, não se esquecem – era o que mais faltava! – e impõem-se à sociedade, sem restrições, tanto as regras democráticas que regem o Estado de Direito, como a transparência nos seus procedimentos. Faz-se de tudo para que se cumpra a Lei e se respeite a Democracia.  Não admira, por isso, que volta e meia, eu sonhe com a Angola Democrática pela qual luto. É quando vejo ministros e responsáveis de várias áreas e serviços, a serem chamados à pedra, para se explicarem em Comissões Parlamentares de Inquérito. Onde são obrigados a falar sobre o que fazem e não deviam ter feito, sobre o que não fazem e deviam ter feito! É, em face disso, que são obrigados a prestar contas sobre coisas que a nós, angolanos, surpreendem, por nos parecerem ridículas e irrisórias. Coitados de nós!

Tudo isso porque, na verdade, na mentalidade de alguns patrícios nossos, nos quais me incluo, não passam de um punhado de míseros euros, por vezes poucas dezenas de milhares mal explicados de dólares, quase não fazendo sentido serem discutidos. Porquê? Porque nós, em Angola, habituados que estamos a lidar, a ouvir e a pensar do jeito e no ambiente em que nos habituamos a ouvir e a pensar, resumindo, em cenários onde se estragam e se desviam muitos milhares de milhões de dólares, não deixa de surpreender, de causar, para além do espanto, uma certa inveja até, este rigor implacável com que se gere a economia de Portugal, a partir da sua Assembleia da República. 

3- Sem pretender ir para comparações sem sentido, mas voltando à vaca fria e enquanto ponho verdadeiros valores de grandeza à parte, se o que aconteceu por estes dias à Unitel, em Luanda, tivesse tido palco em Portugal e envolvido uma entidade nacional, o Carmo e a Trindade teriam caído aqui, no seu gesto mais funesto e original, com bastante fragor, sem dúvida nenhuma!

Pelo impacto causado e pelo que tenho lido e ouvido, em Angola, o choque da maka atingiu seriamente a população, tendo afectado todo o território nacional. A Unitel comprometeu-se a agir rapidamente e com eficácia, mas os resultados, à hora que escrevo, acontecida com poucas horas de diferença, ainda são remotos e causadores de alguma apreensão. Ao contrário do êxito que resultou da operação liderada pela BODIVA, que, com toda a pompa e circunstância, anunciou a venda em bolsa de um conjunto significativo de acções da maior operadora angolana. Rios de dinheiro passaram debaixo das pontes, um resultado espectacular! Coincidência, ou algo mais do que isso? Alguém consegue explicar melhor as causas e as prováveis consequências?  

4– Num ambiente político onde se levantam constantes dúvidas, conflitos políticos e burocráticos, e onde ainda pairam incertezas sobre o futuro da Nação, destaca-se a notificação, pelo Tribunal Constitucional, da Comissão Nacional Preparatória do IX Congresso Ordinário do MPLA, na sequência de uma providência cautelar interposta pelos advogados do General Higino Carneiro, militante-candidato à Presidência do MPLA, tendo em vista a anulação da decisão anunciada solenemente há dias, e após ter cumprido todo o protocolo, a nota subscrita pelo coordenador da subcomissão de Candidaturas, Job Castelo Capapinha, que punha, de modo singular, um ponto final e definitivo à legal corrida de HC. Segundo os entendidos, uma medida sem pernas para caminhar! Aguardam-se, ansiosamente, os resultados. 

5- Um pedaço de futebol, para terminar e animar as hostes. Para desgosto de uns quantos analistas de alpendre, o Glorioso Sport Lisboa e Benfica jogou bem e despachou os suiços! Esperavam o quê?  Aguarda pelos escoceses e, na certa, espera-se o mesmo sucesso. Marco Silva recomenda-se e vai levar o Benfica a boas alegrias. Tem gente jovem e capaz!

Enquanto isso, a FIFA aperta com a Federação Angolana de Futebol. Por dívidas à antiga equipa de treinadores dos Palancas Negras!

Fico por aqui, apresentando os melhores cumprimentos aos meus estimados leitores, amigos, camaradas e companheiros de luta. Despeço-me, até ao próximo domingo, à hora do matabicho.

Forte da Casa, Portugal, 2 de Agosto de 2026

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