DESCONSTRUINDO ILUSÕES

FERNANDO REIS

No coça-coça da modernidade, entre eles, cobras e jacarés, na muda das escamas, parece, até ver, que só dá Higino Carneiro e João Lourenço. Mas a democracia não depende. Muito menos de ficções construídas. Somos nós seres pensantes que na nossa interacção condimentamos as regras. 

No Direito aprende-se que os partidos fazem parte do jogo de interesses que abundam na sociedade. E o poder que se exerce em Angola padece de uma erosão do tempo, e as novas gerações já não suportam essas costuras alinhavadas. Muito menos com traves grampadas.

Angola não é uma só, nem um só. Logo, o seu desenvolvimento harmonioso não deve continuar a ter Luanda como o centro. Na Nigéria, tal como no Brasil, houve coragem para se alternar o núcleo da gravitação. E a África do Sul, não sendo uma Federação assumida (porque preferiu o apartheid) reconheceu factos com realismo. O poder político, o poder económico e o equilíbrio dos poderes.

Por cá, o MPLA, como movimento abriu as portas à universalidade social.  Mas, os tempos são agora outros e exigem transformações e audácia. Essa Nação arco-íris, com as potencialidades naturais, com a avalanche das liberdades e os patins das redes sociais, levou o conflito estudado do angolano para dentro do partido. 

Patrão e empregado já não se sentam à mesma mesa. Porque nem todos no pão comem o miolo. Há quem se fique e baste pela côdea. Por isso também há quem torça pela “broa”.

Nessa outra (nova, há quem não conheceu o que foi comer dos cartões da EMPA ou os “dolatrados” complementares, sem esquecer as bichas das pedrinhas) fase de fome, o que ‘está mal’ é o saco de arroz. Não importa quanto pesa a caneca da fuba. Até porque, num país com água abundante no sub-solo, vale mesmo uma embalagem dela bem fresquinha, de preferência sabendo a … peixe! Fomos muito bem… condutados.

No próximo processo eleitoral não se irá correr para o voto. Teremos todos de fiscalizar na nossa Assembleia, se o Boletim afixado, para lá dos 500 metros, consagrou e validou a tinta com que borrei o meu dedo. Foi por tantas borradas minhas e até voluntárias, que na primária me coçaram com a “maria-das-dores”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

PROCURAR