POVO MARAVILHOSO (5)

JAcQUEs TOU AQUI!

JACQUES ARLINDO DOS SANTOS

“A finalidade da Lei não é abolir ou conter, mas preservar e ampliar a liberdade”
John Locke (filósofo inglês)

1 – As televisões do mundo inteiro reportam intensamente os sismos ocorridos ontem na Venezuela. Mostram-nos, a vivo e a cores, a monstruosidade do tempo que vivem os cidadãos desse país azarado! Este período trágico, está a mostrar-nos que entre o nascer e morrer se intromete uma luz, quase igual à rapidez de um piscar de olhos, e na diferença existente entre o apagar de uma vida e o acender da luz para uma outra nova, gesto que não leva mais que o segundo de um simples sopro. É a Lei da vida humana a mostrar em todo o seu esplendor a fragilidade da vida dos mortais. Coisas espantosas estão a ocorrer, cenas irreais fazem-nos pensar, cada vez mais, se vale a pena alimentar-se o ódio e a maldade com que algumas pessoas o fazem, impondo nessa prática doentia, a sua estranha forma de vida!

2 – Se o Mundial de Futebol vai mostrando a fraca qualidade do fabuloso jogo das multidões, mormente o que, sob o aplauso de enormes assistências, vem sendo apresentado nos Estádios do México, do Canadá e dos Estados Unidos da América, tem, por outro lado, uma nota bastante positiva que não pode passar em branco, e já assinalada na minha crónica da semana passada. O crescimento das selecções africanas na competição é notável! É já facto indesmentível que 70% das equipas africanas passaram para a fase seguinte do torneio. É obra, sem dúvida nenhuma!

3 – O MPLA, a maior força política angolana, mostra claramente, no seu modus vivendi, fragilidades na sua estrutura. Pequenos pormenores, outros maiores, mostram falhas, evidenciadas em gestos, palavras, documentos. Deixei de ser militante do Éme há muitos anos, por isso, não me deveria incomodar com o assunto. Mas, incomodo-me. Simplesmente porque o que se passa nos seus meandros influencia o futuro do País, e isso, sim, incomoda-me. E muito! Se dúvidas houvesse, bastaria recordar todo o conjunto de irregularidades que envolveu o acto que assinalou a candidatura do General Higino Carneiro ao cargo de Presidente do MPLA! 

Quanto a isso, o meu procedimento podia perfeitamente funcionar como um manifesto ou discurso crítico focado em expor um sistema político corrompido que opera contra os interesses da população. Fica, todavia, o apontamento. É verdade que para mim, fica cada vez mais evidente, a facilidade com que esse sistema político se expõe inutilmente e corre riscos, inclusive o de deixar de ser considerado legítimo, quando abdica do dever de proteger o seu povo para passar a proteger-se a si mesmo. Melhor dito, uma elite, ou seja, os seus membros de proa. É nestas circunstâncias que a paciência se vai perdendo, podendo até, já afirmar-se, que não estamos perante falhas isoladas ou erros individuais, mas sim diante duma estrutura desenhada para perpetuar privilégios à custa do sacrifício da maioria. Quando as leis de um País servem de escudo para os poderosos e de fardo para os cidadãos comuns, a política deixa de ser um serviço público e passa a ser um mecanismo de opressão silenciosa.

Denunciar este comportamento não é apenas um acto de protesto; é uma exigência de sobrevivência e um resgate urgente da dignidade que nos foi subtraída. É isso que faço aqui e tento fazer nas páginas do livro que estou a escrever. Seu título: Viva este povo maravilhoso (A fraqueza dos fortes). 

Por hoje, é tudo. Despeço-me de todos. Leitores, familiares, amigos, camaradas e companheiros de luta. Até ao próximo domingo, à hora do matabicho. 

Forte da Casa, Portugal, 28 de Junho de 2026

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