A PAZ DEPENDE DA VONTADE COLECTIVA E DA ACÇÃO INDIVIDUAL

RECADOS DA CESALTINA ABREU (33)

“A Guerra é um lugar onde jovens, que não se conhecem e não se odeiam, se matam por decisões de velhos que se conhecem e odeiam-se, mas não se matam”.

(Erich Hartmann)

Se aqueles que declaram guerra a outro país tivessem, por princípio, de ir para a linha da frente com os seus filhos, irmãos e netos, haveria guerra? As tantas guerras que marcam a nossa contemporaneidade existiriam?

Ernest Hemingway, que serviu como motorista de ambulância na Primeira Guerra Mundial, descreveu a guerra como um crime, independentemente da sua justificativa. Nas suas obras, retratou-a sem glamour, expondo o horror, a perda de valores, a coragem moral e a dor dos sobreviventes. Não via heróis românticos, mas homens tentando preservar sentido, lealdade e dignidade no meio do absurdo do combate.

Cerca de um século antes, Alphonse de Lamartine afirmava: “a guerra não passa de ‘assassinato em massa’ — e o assassinato não é progresso”.

Em Angola, durante a longa guerra civil (1975–2002), vigorou a palavra de ordem: “fazer a guerra para acabar com a guerra”. Foi um dos conflitos mais prolongados e devastadores de África, com centenas de milhares de mortos, milhões de deslocados e profunda destruição das infraestruturas e do tecido social. Sustentada na lógica de que a incompatibilidade entre MPLA e a UNITA tornava inevitável a vitória total de um dos lados, essa visão colocava-se na contramão de quem defendia o diálogo, a tolerância e uma cultura de paz construída pela educação.

Na minha adolescência, nos anos 60, encantava-me o lema dos movimentos hippies e pacifistas: “Make love, not war”(Faz amor, não guerra). Representava a contracultura, a recusa da violência e a defesa da paz como escolha ética. 

Entre 15 e 18 de Agosto de 1969, o festival de Woodstock tornou-se símbolo dessa geração. No mesmo ano, John Lennon e Yoko Ono lançaram a campanha “War Is Over! If You Want It” (A guerra acaba, se você quiser), afirmando que a paz depende da vontade colectiva e da acção individual.

Onde estão hoje as manifestações de massa contra a violência estrutural e as guerras de agressão, de invasão ou travestidas de santidade? Por que não se escutam as vozes capazes de gritar: Basta de guerras?

Até onde iremos na capacidade de conviver com conflitos e as suas consequências brutais, em tantas regiões do mundo?

Saúde, cuidados e coragem para não ficar indiferente e tomar uma posição! 

Kandando daqui!

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