“Aqui não existe extrema direita ou extrema esquerda. Aqui existe extrema pobreza, extrema ignorância e extrema corrupção”.

RECADOS DA CESALTINA ABREU (123)
A frase acima, adaptada da personagem Mafalda, de Quino, sintetiza a frustração social em Angola, descrevendo uma realidade onde as divisões políticas tradicionais são ultrapassadas pela escassez de recursos básicos, falta de acesso à educação de qualidade e o desvio de fundos públicos.
Desafios Estruturais de Angola – A adaptação desta reflexão para a realidade angolana, reflecte os graves problemas socioeconómicos que o país enfrenta.
· Extrema Pobreza: Apesar das vastas reservas de petróleo e recursos naturais, Angola apresenta índices alarmantes de pobreza multidimensional. Uma grande parte da população, especialmente nas zonas rurais e periferias urbanas, vive sem acesso adequado à água potável, saneamento básico e energia elétrica;
· Extrema Ignorância (Acesso à Educação): As limitações no sistema de ensino público geram altas taxas de analfabetismo e falta de formação profissional. A privação do conhecimento afecta o desenvolvimento cívico, económico e a capacidade de participação social da população;
· Extrema Corrupção: A corrupção sistémica e o nepotismo são desafios amplamente reconhecidos, apontados como os principais obstáculos para a redistribuição da riqueza nacional. O desvio de capitais afecta directamente os investimentos em infraestruturas e serviços públicos.
A desigualdade social é marcada por uma severa disparidade na distribuição dos rendimentos e no acesso a serviços básicos. Com um coeficiente de Gini de aproximadamente 0,53, o país apresenta um dos maiores fossos entre ricos e pobres do mundo, onde mais da metade da população enfrenta a pobreza multidimensional.
O Índice de Capital Humano situa-se em 0,36, ou seja, uma criança nascida hoje no país atingirá, em média, apenas 36% do seu potencial produtivo máximo, devido às condições de saúde, nutrição e educação actuais, que impedem um crescimento saudável. Angola está na posição 150 entre 193 países.
Em 31 de Agosto de 2017, João Lourenço escrevia :
“Nós reconhecemos que em Angola existe corrupção e nepotismo. Vamos encetar um combate acérrimo, em todos os aspectos, contra esses males que enfermam a nossa sociedade. É uma das formas de organizar a nossa economia e de convencer os investidores a virem para o nosso País. Boa noite, Angola!”
Dá para perguntar: porque razão, em lugar de melhorarem, todos os nossos indicadores sociais e políticos pioraram?
Kandando daqui!










