GUINÉ BISSAU. DOMINGOS SIMÕES PEREIRA VOLTA A SER PRESO

Escritor angolano José Luís Mendonça apela intelectuais africanos para  manifestação em defesa do político guineense

JOSÉ LUÍS MENDONÇA

O principal líder da oposição na Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira, líder do PAIGC e presidente do parlamento deposto daquele país, foi hoje (10 de Julho de 2026) colocado em prisão preventiva, tendo recolhido à Segunda Esquadra na capital do país. A informação foi veiculada pela imprensa guineense e dá conta que Simões Pereira vai cumprir uma ordem decretada por um Juiz de Instrução Criminal, no âmbito da investigação sobre a sua alegada participação num golpe de Estado que teria ocorrido em Outubro de 2025, encenada pelo ex-presidente Umaro Sissoco Embaló, derrotado nas eleições.

Face a este atentado cruel e desumano contra um intelectual africano defensor da paz, da concórdia e do progresso da Guiné-Bissau e de toda a África, o escritor angolano José Luís Mendonça lançou, em Luanda, um veemente apelo a todos os intelectuais angolanos e africanos no sentido de se manifestarem contra a prisão e a contínua perseguição gratuita à vida e a integridade de Domingos Simões Pereira.

De acordo com José Luís Mendonça“seria de todo útil que os intelectuais angolanos, de todos os quadrantes e qualquer que seja a sua filiação partidária, pudessem reunir-se e redigir uma carta de protesto dirigida ao Governo da Guiné-Bissau, com cópias para a CPLP, PALOP, União Europeia, Nações Unidas e a União Africana”.

José Luís Mendonça ressalta que “é preciso não esquecer que, em Fevereiro de 1955, o nacionalista Agostinho Neto, recebeu ordem de prisão em Portugal. A sua prisão desencadeou uma vaga de protestos em grande escala. Realizaram-se encontros; escreveram-se cartas e enviaram-se petições assinadas por intelectuais franceses de primeiro plano, como Jean-Paul Sart, André Mauriac, Aragon e Simone de Beauvoir, pelo poeta cubano Nicolás Gullén e pelo pintor mexicano Diogo Rivera”.

Hoje, dia 10 de Julho, exalta José Luís Mendonça“é preso um verdadeiro filho da África, um lutador incansável pela Liberdade e a Democracia. A memória da solidariedade internacional dos anos 50 do século passado a favor de Agostinho Neto inspira-nos a tomar uma posição e a desencadear uma acção pacífica em prol da libertação de Domingos Simões Pereira”.

O escritor angolano lança “um apelo a todos os meus confrades escritores, mais-velhos e mais-novos, aos membros das ordens profissionais (médicos, engenheiros, advogados, contabilistas, etc.), aos industriais, aos religiosos, artistas plásticos, desportistas e todos aqueles que conhecem a História da luta contra a opressão colonial e sabem que essa luta foi um combate para segurar a liberdade do Homem Africano com as duas mãos, pela libertação imediata e incondicional de Domingos Simões Pereira”.

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