ENTRE PEDRAS… PLANANDO!

POEIRA DO VIMBALAMBI

FERNANDO REIS

Tudo começa com a lenha, três pedras, grandes o suficiente para serem carregadas pela garotada. Com as cascas das… maçarocas! Um tição de espantar as corujas. Fogueira acesa. Todos sentados. Caladinhos! E começa.

O meteoro despenhou. Com embate, mas suavizado pelo tempo da… drena… e cansaço. Não pretendeu danificar aquela que, na criação anterior, foi configurada como a sua obra finda. Aprazível! Denominaram Ngola. Outros, nós… já, mbora, mwangolê!

Da Tunda-Vala, se espalhou pelos Tchilengue. Assentou no Kuvale e kaymbambu. Kambukwou.

E pelo belo da montanha se atirou. Seduzido, pelo pôr-do-sol da Kaotinha ao Egipto-Praia, para Restinga nascida na Praia-Bebé. Dizem até que engravidou três mulheres que, de serem tão lindas, tão puras as tornou tão duras. Como lendas eternas, as petrificou.  Um dos meteoritos, encantado e temeroso em rolar, enevoado pelo cacimbo, se ficou esbugalhou no Pundu, na Gabela.

E aí, a criação, aprendeu a jogar wela. E saltou pra Kibala. Definitivamente morreu no Pungu-wa-Ndongu. Quem relatou essa, se era estória, foi a Pedra-do-Feitiço. Numa dessas noites, em que nos aprofundados no sono, se sonha.

Com danças de Tchinganjés, fluí, sem limites, com extravagâncias, esse correr de regresso a um tempo … kem sabe lá? Se ninguém duvida que já percorri, em criança, com as minhas próprias, asas nos pés, entre caminhos-gentios, e dei… 10/hora.

Não duvidem que os meus pés levantaram, voaram e, no além, desenharam rios com cursos de águas perdidas, sem rumar ao Atlântico, nem no mar Índico, se confundiram no Okawangu…

Não, não, não. Não digam que fui eu que inventei essas pinturas espalhadas entre capins e areias, anharas e queimadas.    

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