A INFLAÇÃO ANGOLANA EM JUNHO DE 2026

UM MARCO NA ESTABILIZAÇÃO ECONÓMICA E NA DIVERSIFICAÇÃO DO PAÍS 

JOAQUIM JAIME

A estabilização do kwanza tem sido apontada como o principal factor moderador da inflação nos últimos meses, mas não podemos esquecer que esta estabilidade é fruto de uma política monetária prudente e de reformas estruturais que estão a transformar a face da economia angolana. 

Há razões de sobra para olharmos para os números do Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN) de Junho de 2026 com um legítimo optimismo. Com uma variação homóloga de 10,11%, registamos a melhor taxa para este mês desde 2015 – e uma queda impressionante de 9,62 pontos percentuais face ao mês anterior. O Banco Nacional de Angola(BNA), reflectindo a confiança na sustentabilidade desta trajectória, durante a 129.ª Reunião Ordinária do Comité de Política Monetária reviu a meta de inflação para 2026 de 13,5% para 11,5% e manteve a previsão de crescimento do PIB em 3,5%.

O que muitos interpretariam como um dado meramente técnico, eu vejo como a evidência mais clara de que as políticas de estabilização do Executivo do Presidente João Lourenço estão a dar frutos. Estamos a assistir a uma desaceleração de 23 meses consecutivos – a mais longa desde 2015 – que confirma que a economia angolana caminha, com passos firmes e seguros, para um patamar de maior previsibilidade e bem-estar para as famílias.

Classe alimentação e bebidas não alcoólicas

É verdade que a classe “alimentação e bebidas não alcoólicas” ainda pesa significativamente – com 10,73% de variação e uma contribuição de 6,53 pontos percentuais para o índice geral. Mas este número já foi muito maior. Em 2024, a inflação alimentar galopava acima dos 30%, e hoje assistimos a uma descompressão gradual que beneficia directamente a cesta básica do angolano.

Esta melhoria não é acidental. Ela reflecte o sucesso das políticas de diversificação económica implementadas pelo Governo de João Lourenço, que transformaram a agricultura e a produção interna de alimentos numa prioridade estratégica. O secretário de Estado das Finanças afirmou recentemente que a diversificação económica deixou de ser “uma intenção política para se tornar um resultado mensurável”, graças à “disciplina fiscal, da reforma tributária, do investimento em infra-estruturas” e à capacidade do tecido empresarial angolano de se adaptar às dinâmicas do mercado.

O que estamos a testemunhar é o início de uma nova fase, onde o consumidor recupera gradualmente o poder de compra, e onde a produção nacional começa a substituir as importações alimentares, gerando emprego e riqueza nas comunidades rurais.

Classes transportes e habitação

É inegável que os transportes (15,40%) e a habitação, água, electricidade e combustíveis (11,14%) ainda pressionam o orçamento familiar. Contudo, esses mesmos números devem ser lidos à luz do contexto: reflectem ajustes tarifários necessários para a sustentabilidade do sector, mas que agora tendem a estabilizar, à medida que os preços internacionais dos combustíveis se acomodam e as eficiências energéticas começam a ser implementadas.

Além disso, o facto de essas classes terem contribuído com apenas 1,16 pontos percentuais combinados para a inflação geral – enquanto a alimentação lidera – mostra que o foco do problema está a concentrar-se num único vector, mais fácil de atacar com políticas agrícolas e comerciais, do que se estivesse disperso em múltiplos sectores.

A aposta do Executivo nas energias renováveis e nos títulos verdes, como os emitidos pelo Ministério das Finanças (MINFIN) no valor de 64 milhões de dólares, concebidos para combater a seca no sul do país através da construção e reabilitação de 43 represas estruturantes na província do Namibe – os primeiros da África Subsaariana – demonstra que o país combina solidez financeira com responsabilidade ambiental e social, criando as bases para uma economia mais sustentável e com custos energéticos mais estáveis no médio prazo.

Oportunidade nas diferenças regionais

As disparidades regionais, não são um motivo de alarme, são um mapa de oportunidades. Sim, Cabinda tem 15,22% e o Huambo 7,53% – e isso é um presente para os gestores públicos. Significa que já sabemos onde actuar com maior intensidade.

As províncias com inflação mais baixa, como Huambo, Lunda-Norte e Cunene, podem servir de laboratório de boas práticas – redes de abastecimento eficientes, produção local fortalecida, menor dependência de importações. E as regiões com taxas mais elevadas, como Cabinda, Malanje e Moxico, recebem agora a atenção merecida, com a certeza de que intervenções focalizadas podem gerar ganhos rápidos e expressivos.

Estamos perante uma oportunidade histórica de desenhar políticas públicas diferenciadas, que respeitem as realidades locais e acelerem a convergência nacional – um compromisso claro do Presidente João Lourenço, que tem afirmado que o turismo, a agricultura, a indústria transformadora, as pescas e as novas tecnologias são áreas estratégicas para o crescimento económico e para a criação de riqueza sustentável em todo o território nacional.

A diversificação económica: da intenção aos resultados mensuráveis

O grande motor desta desaceleração inflacionária é a estabilidade macroeconómica conquistada pelo Executivo do Presidente João Lourenço. Os números são inequívocos: a dívida pública, que em 2020 atingira 116% do PIB, foi reduzida para cerca de 52% em 2025, graças a excedentes fiscais primários consecutivos desde 2018. O país registou em 2025 um excedente da conta corrente de 1,3% do PIB, com reservas internacionais a cobrirem mais de oito meses de importações.

O Presidente da República tem sido claro quanto à visão estratégica: o turismo constitui uma “aposta estratégica e consolidada do Executivo, sustentada por reformas estruturais, pela abertura ao investimento privado e pelo compromisso com a diversificação da economia nacional”. O Angola Investment Summit 2026, realizado em Luanda, é um reconhecimento internacional dos progressos alcançados nos domínios da estabilidade política, consolidação institucional e modernização económica.

A estabilização do kwanza tem sido apontada como o principal factor moderador da inflação nos últimos meses, mas não podemos esquecer que esta estabilidade é fruto de uma política monetária prudente e de reformas estruturais que estão a transformar a face da economia angolana. O Governo tem criado condições favoráveis para a atracção de investimento nacional e estrangeiro, com vista à construção de uma economia mais moderna, competitiva e menos dependente do sector petrolífero.

Um novo ciclo de prosperidade

Como analista, vejo este momento como uma janela de oportunidade única. Com a inflação sob controlo crescente, o país pode agora olhar para o médio prazo com ambição. As minhas sugestões, alimentadas pelo optimismo dos números e pelas reformas em curso, são:

  1. Reforçar a produção alimentar nacional: com o mercado interno mais estável, os investimentos no agronegócio tornam-se mais atractivos e seguros. A diversificação económica é uma realidade mensurável, e a agricultura é o seu maior expoente.
  1. Consolidar o turismo como motor de desenvolvimento: o Presidente João Lourenço tem razão ao afirmar que o turismo é o “petróleo verde de Angola”. O país possui riquezas naturais, diversidade cultural e uma posição estratégica no continente africano que podem transformar este sector num dos pilares da economia nacional.
  1. Celebrar os sucessos regionais: replicar as boas práticas do Huambo e Cunene para outras províncias, criando uma rede de excelência na gestão de abastecimento.
  1. Manter o diálogo com o sector privado: a confiança dos empresários está a crescer, e isso reflecte-se em mais oferta, mais concorrência e, naturalmente, preços mais baixos. O ambiente de negócios em Angola é “estável, previsível e baseado na confiança”.

Conclusão

A inflação de 10,11% em Junho de 2026 não é um ponto de chegada – é um trampolim. Ela confirma que o pior já ficou para trás, que os sacrifícios feitos nos últimos anos estão a compensar, e que a economia angolana tem resiliência e capacidade de recuperação.

Mais do que números, estes dados são um sinal de esperança para as famílias que voltam a planear o mês com menos sobressaltos, para os jovens que veem o custo de vida arrefecer e para os empresários que encontram um ambiente de negócios mais previsível.

O Executivo do Presidente João Lourenço tem conduzido o país com mão firme, implementando reformas que estão a transformar Angola numa economia mais moderna, competitiva e menos dependente do petróleo. O reconhecimento internacional deste esforço é evidente – e os resultados estão à vista de todos.

Sim, há desafios – mas, pela primeira vez em muito tempo, as soluções parecem estar ao nosso alcance. O rumo é positivo, a tendência é de melhoria e, com políticas inteligentes, podemos transformar esta desaceleração inflacionária num ciclo duradouro de prosperidade.

Angola está no caminho certo. O país está em construção, mas a direcção é a certa. O que fizemos até aqui é louvável; o que falta fazer é ainda mais decisivo. E o melhor ainda está por vir.

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