Finanças. BNA mantém taxa básica de juro nos 20%

O stock de Reservas Internacionais Brutas no mês de Outubro situou-se em 15,95 mil milhões de dólares norte-americanos, contra 16,26 mil milhões no mês de Setembro, assegurando a cobertura de 12,02 meses de importações de bens e serviços enquanto o Kwanza apreciou cerca de 0,61% em relação ao dólar norte-americano, elevando a apreciação acumulada no ano para 8,83%. 

Essa foi a constatação do Comité de Política Monetária (CPM) do Banco Nacional de Angola em reunião realizada no dia 30 de Novembro de 2021 (102ª sessão ordinária), durante a qual os seus membros analisaram o comportamento recente e as perspectivas dos principais indicadores relacionados com a economia nacional e internacional, bem como, as Reservas Internacionais Líquidas que, de acordo com um comunicado divulgado, fixaram-se em 10,15 mil milhões de dólares norte-americanos, face aos 9,45 mil milhões do mês de Setembro.

No mesmo período, os bancos comerciais adquiriram ao mercado um total de 863,05 milhões de dólares norte-americanos, um ligeiro aumento face aos 824,72 milhões de adquiridos em Setembro, tendo a oferta sido superior à procura, o que explica a apreciação da moeda nacional.  

Relativamente ao sector externo, o CPM refere que o saldo da conta de bens continua superavitário, reflexo do efeito combinado do aumento do valor das exportações de petróleo e da redução do valor das importações. De acordo com os dados preliminares do mês de Outubro de 2021, o saldo da conta de bens foi de 2,24 mil milhões de dólares norte-americanos, face aos 1,71 mil milhões de dólares norte-americanos no mês anterior.

Entretanto, a Base Monetária em moeda nacional, variável operacional da política monetária e os agregados monetários (M2) em moeda nacional, variável intermédia de política monetária, expandiram em 4,43% e 0,32%, respectivamente, no mês de Outubro. Em termos acumulados de 2021, registaram contração de 7,97% e 3,50%, respectivamente.

De acordo com o CPM, o crédito à economia em moeda nacional registou uma expansão de 0,15% no mês de Outubro, tendo atingido 3,79 biliões de kwanzas, o que eleva a expansão, em termos homólogos, para 20,72%.

Com base em dados publicados pelo INE, o CPM concluiu que a inflação, medida pelo Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN), registou uma ligeira desaceleração em relação ao mês de Setembro (2,18%), tendo-se fixado no mês de Outubro em 2,06%. A taxa de inflação homóloga situou-se em 26,87%, impulsionada pela contribuição da classe de Alimentação e Bebidas não-alcoólicas, cuja variação foi de 33,55%.

Não obstante a ligeira desaceleração verificada, o CPM considera que persistem pressões inflacionárias na economia, prevendo-se um cenário de inflexão na trajectória da inflação a partir de 2022, pelo que se manterá o curso restritivo da política monetária no curto-prazo.

Nestes termos, o CPM decidiu manter:

  • A taxa básica de Juro (Taxa BNA) em 20%;
  • A taxa de juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez em 25%;
  • A taxa de Juro da facilidade Permanente de Absorção de Liquidez de 7 dias em 15%;
  • Inalterados os coeficientes das reservas obrigatórias em 22%.

Ainda com base em dados publicados pelo INE, o CPM constatou que no terceiro trimestre do ano, o país registou uma taxa de desemprego da população economicamente activa de 34%, 1,3 pp acima da observada no trimestre anterior. 

Economia internacional

Em relação ao ambiente externo, apesar de assimétrico, o CPM concluiu que os efeitos da pandemia da Covid-19 continuam a marcar o ritmo de andamento das economias. No caso dos Estados Unidos de América e da Zona Euro, voltou-se a registar um abrandamento da actividade económica no terceiro trimestre de 2021, com as taxas de crescimento do Produto Interno Bruto a fixarem-se em 2,0% e 3,7%, em termos homólogos, abaixo dos 6,7% e 14,2%, respectivamente, observados no trimestre anterior. 

De qualquer modo, acrescenta o CPM no seu comunicado, os estímulos financeiros foram na generalidade preservados e o curso acomodatício de política monetária mantido, estimulando o crescimento do consumo, mas nem sempre atendido pela capacidade disponível de produção e de rápida circulação de mercadorias, resultando num aumento expressivo das taxas de inflação.

Nos Estados Unidos da América (EUA), a inflação homóloga atingiu o patamar de 6,2% no mês de Outubro, o nível mais alto dos últimos trinta anos, e na Zona Euro a taxa de inflação situou-se nos 4,1%, enviando sinais de incerteza para os mercados financeiros quanto à retirada dos estímulos e impacto sobre o crescimento económico.

Por seu lado, o CPM constatou que a economia chinesa também registou uma desaceleração, tendo observado uma taxa de crescimento do PIB de 4,9%, em termos homólogos, face à taxa de 7,9% apurada no segundo trimestre de 2021. Já na região SADC, segundo o CPM, as pressões inflacionárias permanecem com o aumento da taxa de inflação na maior parte dos países, com destaque para o Botswana, Malawi, Moçambique, Maurícias, Namíbia, Angola e Zimbabwe. 

O Comité de Política Monetária do Banco Nacional de Angola voltará a reunir-se no dia 28 de Janeiro de 2022, mas termina a sua análise indicando que o Índice de Preços Alimentares da FAO registou uma média de 133,2 pontos no mês de Outubro de 2021, nível mais alto desde Julho de 2011, um aumento de 3,9 pontos em relação ao mês de Setembro, impulsionado pelo crescimento do preço dos sub-índices dos óleos vegetais e dos cereais. 

Fonte: BNA

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