
SAMPAIO JÚNIOR (TEXTO)
MÁRIO RUI ‘KACONGO’ (FOTOS)
Hoje trago o grito de socorro da Associação de Caçadores de Angola.
O presidente da associação, Mário Ribeiro ‘Kacongo‘, denunciou e lamentou um grave caso de caça furtiva ocorrido no passado dia 14 de Junho, por volta das 19 horas, na Fazenda Calivigui, no município da Cahama, província do Cunene.
Segundo Mário Ribeiro “Kacongo”, um grupo de caçadores furtivos armados rendeu os guardas da fazenda para consumar o crime. Três fêmeas de rinoceronte-branco foram atingidas. A primeira recebeu dois disparos, foi submetida a uma cirurgia de emergência e encontra-se estável. A segunda sofreu um ferimento superficial e permanece sob observação. Já a terceira encontra-se em estado gravíssimo, após ter sido atingida por vários disparos, sofrendo graves lesões nas patas traseiras.
Perante a gravidade do caso, que envolve criminalidade violenta, utilização de armas de fogo e extrema crueldade contra um património natural de valor incalculável, o presidente da Associação apela à intervenção urgente do Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF) e do Instituto Nacional da Biodiversidade e Áreas de Conservação (INBAC).
“Solicitamos o envio de peritos e brigadas de fiscalização para a zona, bem como a monitorização do estado de saúde dos animais sobreviventes”, afirmou.
Mário Ribeiro ‘Kacongo‘, manifestou a disponibilidade total da associação para colaborar com as autoridades e fornecer todos os elementos necessários à investigação, para salvar a vida selvagem e preservar um dos maiores activos do país.
A fauna não é apenas parte da natureza, é também uma riqueza para as futuras gerações e um importante motor para o turismo. O crime praticado pelos caçadores furtivos é um atentado contra o património natural de Angola e exige uma resposta à altura.
O fenómeno acompanha a própria existência do homem, mas, infelizmente, em Angola continua a crescer sem se ver uma resposta firme do Estado. A raiz do problema é conhecida, faltam meios, equipamentos e homens para a fiscalização das reservas e demais áreas de conservação.
Recordo-me de uma visita à região da Kaloanga, uma das comunas do Dombe Grande. Encontrei um fiscal do Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF), já de idade avançada, desmobilizado das extintas FAPLA e sem as mínimas condições de trabalho. Assim, é impossível garantir uma fiscalização eficaz. Mas, se o actual estado de falta de intervenção se mantiver, a fauna selvagem acabará por desaparecer.











