“A cultura assusta muito. É uma coisa apavorante para os ditadores. Um povo que lê nunca será um povo de escravos”.
(Recordando Lobo Antunes, recentemente falecido)

RECADOS DA CESALTINA ABREU (114)
A leitura e o pensamento crítico são as maiores ameaças ao autoritarismo. Quando as pessoas têm acesso à informação, à história e à arte, desenvolvem capacidades de questionar narrativas oficiais, e de lutar por direitos. Ditadores dependem da desinformação e da submissão cega, e é por isso que costumam censurar livros, controlar a mídia e desvalorizar a educação. A cultura liberta a mente, e mentes livres são incontroláveis.
Desinvestir na educação é um dos caminhos mais rápidos para o colapso estrutural de uma nação, pois como sabemos por experiência própria, compromete a formação de capital humano e a inovação tecnológica, para além de restringir o acesso ao pensamento crítico e à participação política. Isso acelera a desigualdade social, perpetua a dependência económica e enfraquece a democracia. Cidadãos com menor escolaridade são mais vulneráveis a manipulações, e menos engajados na fiscalização do poder político. Sem investimento contínuo, o país perde competitividade, aprofunda a desigualdade social, e paralisa o seu desenvolvimento económico e democrático a longo prazo.
A educação funciona como a base de sustentação do progresso de um país por várias vias críticas, como o desenvolvimento da economia (que cria a base material da vida em sociedade), a mobilidade social, e o fortalecimento institucional. Uma população instruída participa activamente da vida cívica e democrática, fortalecendo as próprias instituições do Estado.
Dá para entender o que está a acontecer, aqui e em muitos outros lugares?
Saúde, cuidados e coragem para lutar por uma educação pública de qualidade, e o livre acesso à cultura.
Kandando daqui!










