
– JAcQUEs TOU AQUI!
Amigo verdadeiro vale mais do que o dinheiro.
Da sabedoria popular
1-Cansado de faltas de respeito, volto-me para sentimentos nobres. Pureza como a verdade e a consideração. A amizade quando sincera e verdadeira, mesmo sem a partilha de apelidos ou de sobrenomes, desafia a lógica do sangue. Torna-se digna e tão profunda quanto qualquer ligação familiar. Existem, felizmente, laços que superam o sangue e se tornam fundamentais na vida das pessoas. Há amizades que nascem do acaso, como bem diz o meu amigo Joaquim Sequeira em “Dois caminhos um destino”, o seu último livro. Contudo, esse apego voluntário que é a amizade verdadeira, é inesquecível. Normalmente, constrói-se na base da generosidade espontânea.
O respeito reúne outros conceitos. É marcado, por exemplo, pela relação entre governantes e os cidadãos comuns. Esse sentimento é considerado como o pilar fundamental das sociedades. Principalmente nas comunidades democráticas, sempre vistas como as mais justas. O respeito tem de ser mútuo, embora se manifeste de outras formas, devido à diferença de poder entre as partes. O apreço que um governante deve ao cidadão não pode ser uma mera cortesia, mas sim um dever institucional e ético. Quem governa deve lembrar-se de que o poder que exerce emana do povo e é gerido em nome dele. O cidadão não é um súbdito, mas o verdadeiro detentor do poder político. Respeitar o cidadão traduz o expoente máximo da boa governação, tal como é o prestar contas de forma clara e admitir erros quando estes ocorrem. Infeliz e desgraçadamente, esse comportamento está ausente nas atitudes de muitos governantes!
Relativamente à amizade, o sentimento é quase de pertença. Há pessoas que não se esquecem, porque existem as que não se devem esquecer. Eu não me esqueço de algumas. Jamais esquecerei pessoas que em momento difícil me ajudaram. Agradecido, recordo sempre algumas. Este introito serve para lembrar, hoje e aqui, três cidadãos portugueses a quem devo o favor da sua amizade. Por uma questão de ética, não revelarei os seus nomes. Não sei como reagiriam se o fizesse. Um deles, apesar da confiança consolidada há muito, da forte ligação, e, não obstante eu ser mais velho na idade, ainda hoje o trato por você. E ele a mim, naturalmente. Devo-lhe a minha ascensão profissional. Incentivou a minha inscrição nas Finanças como técnico de contas e, graças a ele, fui nomeado, ainda antes da Independência Nacional, sub-director de uma Companhia de Seguros, o que não era fácil, nem muito comum naquela época.
Na mesma lógica de pensamento, não esqueço também um casal que me possibilitou a compra de casa em Portugal, num tempo que era quase proibido fazê-lo. Ajudaram-me a adquirir um pequeno apartamento para a minha família. Com os meus filhos doentes, a enfrentar problemas sérios, sem qualquer apoio do Estado – a não ser a benesse da autorização da transferência de parte dos meus salários – ajudaram a conseguir uma casa que, curiosamente, me acolhe agora, nestes tempos difíceis dos “finalmente” da minha vida. Paguei-a a prestações, nem sempre no prazo certo, durante vários anos, porque o dinheiro não dava grande margem de satisfação. Como reagirão ao lerem esta revelação? Não sei. Precisamente agora, quando faço apelos à dignidade das pessoas, a minha consciência obriga-me a recordar, deste modo, episódios marcantes da minha vida. Não é por mero acaso que escondo os seus nomes. É o dever moral que me diz que o devo fazer, é minha obrigação dizer-lhes o quanto é eterna a amizade e perene o respeito que tenho por eles. Não os vejo há muito e raramente falamos. Essa distância mais me obriga a dizer daqui, desta coluna, muito obrigado meus bons amigos!
Na senda da pureza dos sentimentos, recebi beijos e abraços de quase toda a família no dia dos meus anos. Alguns chegaram tarde e outros que eu queria, não vieram. Não faz mal, porque recebi os mais importantes. A minha Elis Regina enviou uma gravação de “My Way”. Beleza! Escolheu a melhor versão, a que é interpretada por Frank Sinatra! Tal como “Copacabana”, cantada por Dick Farney. É única: “Existem praias tão lindas/cheias de luz/nenhuma tem o encanto/que tu possuis/…só a ti, Copacabana, eu hei de amar!”
2- A apresentação de “Viva este povo maravilhoso” correu bastante bem. Em ambiente de angolanidade saudável. Comido e bebido. Aconteceu um dia depois do discurso do PR sobre o Estado da Nação. A mensagem do Presidente João Lourenço foi comentada e deu azo a interrogações. Terá sido a última leitura do género da era João Lourenço? Nenhum indício do fim do seu consulado! O modelo da apresentação, no mesmo estilo. A leitura do extenso relatório – mais de três horas – sustentado nas informações dos seus auxiliares, primou, como sempre, pela não indicação da real situação do País. Relatando apenas o positivo da governação, omitiu o estado real da Nação que a sociedade quer ver apresentado. Os aplausos ouvidos na sessão solene do Parlamento, mostraram, contudo, que assim é que está bem. Que é assim mesmo que se governa!
Notei que a Livraria Sá da Costa, com a mão do Zé Sousa Machado e da Isabel Barckley está a ser palco de interessantes eventos, alguns de matiz angolana. Estou feliz! A Luzia e a Branca Clara (substituiu a Maria João que se ausentou às pressas para a banda), estiveram à altura do acontecimento. Nunca esperei outra coisa. Antes, alguém a partir de Luanda, satirizou, duvidoso. Viva este povo maravilhoso? Título sarcástico? Respondo, sim e não. O povo sofredor que o livro homenageia merece respeito e é maravilhoso! A presença do público foi boa, a esperada. Que efeitos produzirá na opinião dos leitores, é a questão que se coloca agora. A dúvida faz-me assumir o lema da “Notícia” criado pelo seu director, o jornalista João Charulla de Azevedo. “Projecto o melhor, espero o pior e aceito de ânimo igual, tudo o que Deus quiser”. A divisa foi popularizada no tempo colonial, na década de sessenta do século passado. Sou desse tempo antigo e, por isso a reproduzo, com a devida vénia.
3- No Brasil, o Presidente Lula, mostra enorme coragem e extraordinária bagagem política. Reforça a sua agenda com o sonho da virada na mente, enquanto se desmascaram planos bolsonaristas. Porém, mesmo que vença, Lula terá uma governação difícil. Apesar disso, ficará marcado na história o apelo que brada e se generaliza. “Não votem pelo PT, não votem por Lula, votem pelo Brasil!” Tremenda força, que nem o poder da Globo consegue ofuscar. As redes sociais estão a desmontar e demonstrar como é frágil a teoria do poder do dinheiro! Não há poder que vença a força da vontade de um povo consciente! No Brasil, em Angola, em todo o mundo!
Brotam sensações estranhas no movimento. Sentem-se quando se tratam adversários como seres menores. São as que mais deprimem. Partem dos que incitam a ideia de que nada vai dar certo, que vai chegar um dia em que as pessoas não vão ter dinheiro nem para comer. Política do medo determinada por indivíduos que para além de nos retirarem tudo a que temos direito, ainda nos obrigam a dizer que sim, que eles é que têm razão, e são os maiores pensantes que a terra já pariu. Porra para tal sorte! Choro, no escuro, lágrimas negras, da boa versão caribenha, mas num ritmo dolente de samba-canção.
4- Futebol, o ópio do povo! Sempre no seu habitual desempenho. Aí está ele na sua plenitude, extravasando emoções competitivas. Entre conluios da arbitragem, fica difícil derrotar os malandros que se intrometem no jogo. Futebol e política, sempre tão iguais! Já vibrei esta semana com a vitória dos Palancas Negras no futsal, e estou com todos os clubes portugueses envolvidos nas competições europeias. O Sporting saiu-se bem em França. Não menosprezem o Rui Borges, o homem não percebe só de alheiras! O Porto do Fernando Pereira e do Fôfo não passou em Sevilha. Normalíssimo, as más arbitragens, as agressões e os desacatos só funcionam mesmo no Dragão. O Braga está muito fraco e foi surrado! O Torreense – revelo que os primeiros equipamentos do Recreativo do Libolo, nos anos 50, eram o azul-grená dos de Torres Vedras do tempo do Forneri – bem tentou, até marcou um golaço, mas rendeu-se. Não é fácil enfrentar equipas da Premier League! Quanto ao meu Benfica, continua a recomendar-se. É um regalo ver aquela rapaziada a jogar à bola. Resultado, os escoceses levaram goleada para contar! Mas não gosto de ver o SLB, o mais popular de Portugal, a transformar-se num reduto de elites poderosas. Camarotes de luxo, buffets requintados, só para gente de bufunfa gorda, transformam a Luz. É o progresso, dizem os especialistas. Apesar desses pesares, ainda grito: Carrega Benfica! Rumo ao 39, a caminho do 40!
Estimados leitores, parentes, camaradas, companheiros de luta e amigos, despeço-me aqui. Por hoje é tudo. Até ao próximo domingo, à hora do matabicho.
Forte da Casa, Portugal, 18 de Outubro de 2026











