
As vezes, num daqueles encontros fortuitos, a vida nos remete para uma passado próximo que se mistura com o presente.
A frente de uma unida hoteleira, a descer o S. José do Cluny, perto de uma residência religiosa, sou cumprimentado por duas freiras de alguma idade. “Boa tarde, sobrinho da irmã Fátima Martins”? – Sim, aquiesço.
Entre sorrisos e reconhecimento da nossa tradição africana, ocorreram cumprimentos. Depois, e segue-se o resumo que apesar de ligeiramente mais novas, conheceram a História. “As manas, como estão”? Já enterrei todas, respondi. Com recolhimento, as freiras companheiras mais novas da minha falecida Tia Madre, entre espanto e contenção, recoemdaram: “Coragem”. E voltaram a cumprimentar.
Depois passaram mais duas freiras, que também cumprimentei enquanto esperava o carro.
A Tia Madre, aka irmã Fátima Martins, nossa tia consanguínea, nossa mãe, que hoje evocamos, como sempre. Que nos acompanhou em todas as circunstancias, mesmo nas mais adversas, quando fui preso político.
Faz parte daquela plêiade de familiares e pessoas próximas, que sempre nos apoiaram. Irmã da minha essoutra Tia e Mãe Francisca Custódio Viera Lopes, que levava alimentos para mim na cadeia de S. Paulo, enquanto jovem preso politico. Ambas, irmãs da minha mãe, Maria Custódio Paiva. E de outras tias como a Domingas de Sá, e a nossa família dos mares, que em momento próprio honrarei.
Ao ser reconhecido por aquelas freiras colegas da nossa saudosa Tia Madre do S. José Cluny, um filme rápido da minha vida, passou pela mente.
Há alguns anos, tive oportunidade de passar por uma escola que as autoridades decidiram dão o seu nome na província do Zaire. Consegui falar com o pároco da região. Infelizmente, os alunos não sabiam quem foi a irmã Fátima Martins.
Como sobrinho directo, como filho na tradição africana, sou suspeito. A nossa Mãe foi uma pessoa dedicada, além da igreja, muito além, as causas sociais, em defesa dos desfavorecidos, afrontando os poderosos. Mesmo debilitada, realizava este “evangelho social”.
A Tia Madre, na família sempre as tratamos assim com carinho, antes do nome familiar deu-nos um legado ético e moral, de eternidade. Inclusive, logo que o meu filho mais velho chegou do exterior, já a nossa Mãe estava acamada e doente, a primeira missão foi ir cumprimentar a Avô, ali na igreja de S. Paulo.
Até sempre, (em memória de há vários anos) Tia Madre, Fátima Martins. Nossa Mãe de Todas as Circunstâncias.










