
Abril vai quase a meio, e apesar da orientação expressa pelo dono da obra na visita realizada a 28 de Janeiro, não há indicadores de que o Centro de Convenções da Chicala, será inaugurado mesmo até ao final deste mês. Lá dentro, o empreiteiro Sílvio Madaleno, continua irascível com o pessoal. E mais um ‘rato’ abandonou a Nau Catrineta. Trata-se de Paulo Vilaça, que cuidava da administração das suas empresas. Mas não é o único porque outro(a)s se foram…
A projecção de Angola no mundo, dificilmente ocorrerá, se a resolução dos problemas internos não constituir prioridade. Porque a primeira é consequência da segunda e não o inverso. Foi essa a receita que conduziu outras nações ao sucesso em menos de meio século e não há outra fórmula, até porque não é com vinagre (ou melhor com lixo, com mau funcionamento das instituições e com mau ambiente económico) que se capta investimento, ou as atenções desse mundo.
Mas o nosso poder político é teimoso, é pouco sensível a essa medicação que catapulta o desenvolvimento, e por isso mesmo é que vários indicadores apontam para grandes retrocessos nessa gestão. E a aposta no dispêndio de avultados recursos (per si escassos) nesse tal projecto de visibilidade internacional, como tem sido marca, pouco ou nada se traduz em benefícios que se ajustam ao que era expectável, depois de todo o “esforço” (como gostam de realçar) que custou já ao erário, mais de 2 mil milhões de USD.
Como é evidente, é muito dinheiro, e deveria ter produzido resultados mais expressivos, se a prioridade fosse invertida para a solução de problemas internos. Por exemplo, não teríamos um país com a miséria sempre a subir; ou os efeitos de catástrofes, como a que ocorreu na prometida “nova Califórnia” (Benguela), seriam tão negativos. Porque, embora a população ajude pouco, faltaram, em tempo, recursos para cobertura de acções de “reabilitação e reforço de infraestruturas hidráulicas, barragens e represas, bem como, para a regularização dos principais cursos de água”.
Como referiu uma fonte, “já em 2015 as bacias de retenção localizadas nos municípios do Cubal, Chongoroi, Bocoio, Balombo e Ganda foram consideradas prioritárias, tendo em conta o seu papel estratégico na retenção e controlo dos caudais pluviais”.
Mas, decorrida uma década, nada se fez, por falta de recursos. E os resultados estão aí: cerca de seis mortes (num primeiro balanço) provocadas por chuvas que caiem no interior, e das águas que correm para a foz pelo rio Cavaco; pontes destruídas e outras poderão colapsar, se continuarem com a mesma intensidade; mais de 4.500 pessoas perderam os seus haveres conseguidos com inúmeros sacrifícios; campos e culturas perdidas e com perspectiva de escassez de alimentos no cacimbo; prenúncio de fome; estragos imensuráveis causados em vários pontos onde ocorreram as enchentes.
E no meio de todo esse cenário (ou calvário) dantesco, o Chefe, todo orgulhoso, exibirá em breve, o seu Centro de Convenções, tido como “activo estratégico económico” construído para captar turismo, numa cidade onde basta uma ‘mijada’ lá de cima, tudo se transforma num caos. Uma obra milionária dispensável — pelo menos no actual contexto de tantas necessidades económicas e sociais — que o ministro das Obras Públicas, Urbanismo e Habitação disse que custará 280 milhões de USD, a ministra das Finanças não sabe ao certo quanto pagou(?), mas, informações de fontes afectas ao projecto, asseguraram-nos que já consumiu cerca de 650 milhões de USD.
Mas, isso é matéria para mais uma queta de Zé Túbia.












