ABRE A PORTA!

RECADOS DA CESALTINA ABREU (54)

Este é um chamado à coragem: para romper o que já não cabe e viver em coerência com o que, no íntimo, já sabemos — mesmo que ainda custe dizer em voz alta.

Depois de ontem termos reflectido sobre a felicidade e o que realmente importa, surge a pergunta: que portas estou disposta/o a abrir para ser feliz?

Mesmo já a fechar o primeiro trimestre de 2026, continua a fazer sentido colocar questões de recomeço — seja num novo ano, mês, semana ou numa mudança de vida, de trabalho ou de lugar.

Há quase sempre um receio, por vezes próximo do medo, do que pode estar do outro lado de uma porta fechada. Mas, ao atravessar o umbral, o que se revela tende a ser melhor do que imaginávamos. Por quê? Porque o medo fecha portas. A coragem abre-as.

Seguir o chamado interior implica avançar — mesmo com medo. Porque a coragem não é a ausência de medo, mas a decisão de agir apesar dele.

Vencer o medo exige enfrentar a incerteza e dar o passo. Ao fazê-lo, a paralisia transforma-se em crescimento, e novas possibilidades tornam-se visíveis.

Como avançar agindo, ainda que com medo. Questionar o pior cenário ajuda a relativizar — e, muitas vezes, ele não é tão grave quanto se antecipa. Construir autoconfiança passa por enfrentar um medo de cada vez, de forma gradual. Falhar faz parte. Aprender também.

Quando o medo paralisa, reconhecer a necessidade de apoio é um acto de lucidez. Há, por vezes, marcas antigas que precisam de ser compreendidas para que o caminho se abra.

Crescer implica risco. Abrir portas é permitir descobertas, alinhar-se com a própria essência e aceder a uma vida mais autêntica. 

Muitas vezes, o que parece limite é apenas o medo a tentar proteger-nos daquilo que já estamos prontos para ser. Este é um chamado à coragem: para romper o que já não cabe e viver em coerência com o que, no íntimo, já sabemos — mesmo que ainda custe dizer em voz alta.

Porque, no fim, não é a ausência de medo que nos transforma, mas as portas que, apesar dele, ousamos abrir. E é nesse gesto — simples, íntimo, decisivo — que a vida, finalmente, nos encontra por inteiro.

Neste sábado: saúde, cuidado e coragem para abrir a porta. 

Kandando daqui!

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