“Todos juntos, podemos mudar Benguela para melhor”

Por Ramiro Aleixo

Tem sido a divisa de marca da actuação de Luís Manuel Nunes, o governador provincial de Benguela, que em pouco mais de um ano de gestão, com simplicidade, pragmatismo, jogo de cintura, influência mas também bom gosto, tornou-se timoneiro da nova dinâmica inclusiva que galvaniza a sociedade benguelense, antes desavinda. Uma postura que tem devolvido à província o protagonismo que sempre foi sua identidade rivalizando com Luanda, que se foi perdendo ao longo da última década, na sequência de comportamentos desagregadores e de constante conflitualidade, alimentados não só por estilos egocentristas de governação, mas também, pela excessiva interferência negativa do poder político central.

No âmbito desses novos ventos desafiantes e animadores, a par da pobreza que campeia por todos os lados, o território da província está a transformar-se num enorme campo de execução de obras estruturantes que, como tem referido o governador, num período de cinco anos que pode ser reduzido para três, para além do impacto na melhoria da condição de vida das populações e da imagem das localidades, assegurarão a criação de cerca de 10 mil postos de emprego, quer no quadro do PIIM, quer de outras linhas de financiamento disponibilizadas pelo Governo, quer como resultado da intervenção de entidades externas. 

É nesse contexto que se assiste o revezamento constante de visitas à vários níveis e a realização de eventos e reuniões de concertação de departamentos ministeriais que, no início da semana que finda, mais uma delegação de entidades da governação central, dirigida pelo ministro das Obras Públicas e Ordenamento do Território, Manuel Tavares de Almeida,trabalhou em Benguela. O objectivo, como se declarou, foi o de aferir o nível de execução das obras de infraestruturas nos municípios do Lobito, Catumbela, Benguela e Baía Farta constantes no Projecto Integrado de Obras de Emergência, orçado em 415 milhões de euros, que contam com financiamento da ASGC e que contempla igualmente, a construção e recuperação de infra-estruturas básicas, edificações públicas, aproveitamentos hidroagrícolas, redes de distribuição de energia, de água e iluminação pública.

Entre as obras em execução, estão as que decorrem nas avenidas Sócrates Dáskalos e Salvador Correia, entre o largo do Africano, Obelisco, Bombeiros e Shoprite, no Lobito, que já apresentam pavimento rígido, em vez de asfalto, uma solução inovadora aplicada para dar mais resistência às vias, face o intenso tráfego de veículos pesados e ao elevado lençol freático.

No final da visita, o ministro das Obras Públicas e Ordenamento do Território assegurou que a avenida Sócrates Dáskalos já está pronta, tal como a Salvador Correia, entre a rotunda do Obelisco e os Bombeiros, intervenção que contemplará também, como próxima etapa, a via de sentido ascendente da Bela Vista, Zona Alta da cidade do Lobito.

De acordo com o ministro, a empreitada nas principais vias dos municípios do Lobito e de Benguela, principalmente na avenida Sousa Coutinho, segue em bom ritmo e inclui ainda um sistema de drenagem, para solucionar os problemas de inundação, sobretudo em época de chuva.

Em função do que viu, aprovou a aplicação de pavimento de betão rígido, com uma camada de rocha e respectivas valas de escoamento das águas, já que são as soluções definitivas encontradas para solução dos grandes e crónicos problemas da avenida Salvador Correia, que tem um nível freático elevado, quase à superfície.

Segundo o ministro, outra grande preocupação deste projecto é melhorar, basicamente, os sistemas de drenagem. As valas estão agora todas limpas, de forma que as grandes enxurradas serão captadas e direccionadas para uma bacia de retenção,e dali por via de canais para o mar.

Este pacote de obras prioritárias inclui ainda a recuperação do cine Flamingo (quase do zero), do Museu Nacional de Arqueologia e o reforço da capacidade do sistema de captação de água, no campo de furos do Tchiúle e na Estação de Tratamento do Luongo (Catumbela), para melhoria do abastecimento à Zona Alta do Lobito.

Visto que o Projecto Integrado de Obras de Emergência do litoral da província de Benguela tem um prazo de execução de cinco anos, o ministro adiantou que outras acções serão priorizadas ao longo desse tempo.

Apesar de as obras estarem a cargo da empresa ASGC Limited, do Reino Unido, o ministro garantiu que, por ser de longo prazo, o projecto tem espaço aberto para a participação de outras empresas como subempreiteiros, estando o Governo Provincial a trabalhar nesse sentido.

Requalificação da Praia Morena. É o postal de referência da cidade de Benguela, e está igualmente em fase de reabilitação. E pode ser considerado como o “tiro de largada” da grande empreitada da governação de Luís Manuel Nunes, depois de lançado o repto ao empresariado benguelense, numa altura em que se debatia com falta de recursos, quando recebeu o testemunho do seu antecessor. 

As barracas instaladas desapareceram e depois de intervenções profundas nas duas vias de rodagem para veículos, nos passeios, na iluminação, nos canais de escoamento de águas e na renovação da vegetação emblemática, foram instalados novos quiosques de madeira para actividade de restauração, com espaços também para os artesãos de matérias como o cabedal, pintores e produtores de roupas. E as velhas, cansadas e descontextualizadas casuarinas, com cerca de 100 anos, cumprido o seu papel sobretudo de retenção da areia da costa, estão a ser substituídas por palmeiras imperiais que emprestam àquele aspaço, uma imagem de melhor simbiose entre o mar, as pessoas e todo o ambiente envolvente de infraestruturas, muitas delas também seculares, que estão igualmente a ser recuperadas. 

Essa empreitada contempla o prolongamento da Praia Morena e da avenida (4 de Fevereiro) até à foz do rio Cavaco, o que obrigará a execução de um conjunto de intervenções para requalificação e dignificação do bairro Quioche, zona de extensão da cidade que, tal como as demais, apesar de situada em zona nobre, foi ocupada por ausência e incapacidade da governação, atribuída à vários factores e escudos, blindados pela ausência de autoridade. Para o efeito, estão previstos desalojamentos de um total de 668 fogos habitacionais do bairro Pequeno Brasil (Matadouro), cujas famílias serão reassentadas noutras áreas já identificadas e privilegiadas por disporem de sistemas de distribuição de energia e água. O objectivo será dotar essa área de habitações desordenadas e precárias de cerca de 217 hectares, com várias valências que serão implantadas numa área de 20 hectares, que incluirão a implantação de infraestruturas e equipamentos de suporte ao turismo, comércio, saúde e desporto, restauração e lazer.  

Para lá do belo e atractivo. A Educação constitui para o governador Luís Manuel Nunes, o sector social de mais elevada prioridade. E manifestou essa sua sensibilidade em entrevista concedida à Tv Zimbo, por ocasião dos 405.º aniversário da cidade de Benguela, assinalado em Maio, com um vasto programa de actividades culturais, desportivas e outras de envolvimento de massas.

De acordo com radiografia feita nas suas primeiras visitas, constatou que existem cerca de 130 mil crianças fora do sistema de ensino, mas que há mais de 300 mil que estudam em péssimas condições. Para começar a mudar esse quadro pouco dignificante para a província, assegurou que decorrem acções conducentes para que, até Julho, sejam inauguradas cerca de 400 novas salas de aulas que receberão 40 mil alunos. Mas, de igual modo, estão a ser recuperadas todas as salas que não oferecem dignidade.

Sobre o nível de execução das obras financiadas pelo PIIM (Programa Integrado de Intervenção nos Municípios), apesar de terem iniciado com quase dois anos de atraso, Luís Manuel Nunes deu conta que conheceram uma evolução de cerca de 40% no tocante à execução física e financeira, e que o seu impacto é transversal à várias áreas. Em simultâneo, está em execução um programa de retoma de todas as obras que estavam paralisadas, que contam igualmente com um nível de execução de cerca de 60%, de construção de escolas com 20 e 12 salas, o Hospital Municipal do Chongorói, locais de recreação porque se está a trabalhar no sentido de criar um centro para entretenimento da população em cada sede municipal. 

O governador de Benguela referiu ainda que o seu governo está envolvido na asfaltagem de cerca de 30 quilómetros de estradas novas nas sedes municipais da Ganda e do Cubal, obras que incluem também sistemas de iluminação pública e intervenções em infraestruturas de escoamento de água, de tratamento e de distribuição. “Duplicamos a oferta de água em Caimbambo, no Chongorói, inauguramos a ETA do Balombo, em breve será no Bocoio e estamos agora a fazer ligações domiciliares” – disse o governador.

O Programa de Requalificação do Litoral que abrange o Lobito, Catumbela, Benguela e Baía-Farta, está estimado em 415 milhões de euros. Nalguns casos, a execução está a levar mais tempo do que inicialmente previsto, porque estão a ser feitas com betão armado, já que se pretende que sejam obras duradoras, o que não aconteceu antes com a utilização do asfalto.

O Lobito, para além das infraestruturas integradas (vias, passeios e iluminação pública) no casco urbano que é o maior foco inicial, contemplará também intervenções na periferia, para criar melhores condições, ainda que, com recurso a terraplenagem como deve ser, a requalificação do mercado do Chapanguela e a construção de outro no Compão. “Estamos a fazer também a recuperação total do Cine Flamingo e de toda a via junto à praia” – acrescentou o governador de Benguela.

Construção de valas de drenagem na denominada rua da Maxi de ligação da rotunda do Cavaco ao Coringe

Quer o Lobito quer Benguela têm também necessidade de recuperação das valas de drenagem, e muitas delas serão revestidas com betão. Depois da intervenção profunda que se está a fazer na via de entrada e saída de Benguela, pelo lado da Maxi, que liga a rotunda da ponte sobre o rio Cavaco à vala do Coringe, na rua Damas Moura, está programada a intervenção na via principal, da Lupral, a única por onde enquanto decorrem obras na outra, se faz a entrada e saída de Benguela.

Outra intervenção de grande vulto e visibilidade, é a recuperação do Cine Monumental, mesmo no centro da cidade, a que se seguirão alguns edifícios emblemáticos, incluindo de construção com madeira.

Luís Manuel Nunes clarificou que o objectivo da sua governação não são apenas as obras de grande vulto, que são fundamentais sim, mas está atento também à situação de pobreza. “Queremos tirar as pessoas da rua e criar outras condições para fazer negócio”. 

Para o governador, Benguela é detentora de mais potencial económico que Luanda, que tem mais habitantes e é um importante centro de consumo que se deve ter sempre em conta. Benguela, lembrou, “é das maiores na captura do peixe, na produção de sal e na agricultura. Somos fortes, há uma classe empresarial muito forte, virada para frente, com investimentos muito altos, como é o caso da Carrinho e tudo faremos para continuar a captar mais investimento privado tanto externo como interno”.

O arranque do comboio para a Califórnia? Depois de Sócrates Mendonça de Oliveira Daskalos, Estevão Gunga Arão, Vaz Contreiras, Julião Mateus Paulo “Dino Matoss”, Kundi Paihama, João Manuel Gonçalves Lourenço, Paulo Teixeira Jorge, Dumilde das Chagas Moreira Rangel, Armando da Cruz Neto, Isaack Maria dos Anjos e Rui Falcão Pinto de Andrade, cada um num contexto diferente (de guerra ou já de paz), Luís Manuel da Fonseca Nunes, o 12.º governador, filho da vizinha província da Huíla onde se destacou como empresário e deu os primeiros passos como servidor público, já está a escrever a sua história marcando o início de uma nova era. Agora, os períodos de governação serão analisados com a marca do “antes” e o “depois” do governador Luís Manuel da Fonseca Nunes.  Afinal, em 46 anos de independência nunca se viu tanta disponibilização de recursos e tanto empenho para travar o elevado nível de degradação que se atingiu em quase tudo. A densidade populacional cresceu, mas o investimento público nalguns casos nunca ouve e noutros minguou. E nem para o que se herdou de bom do período colonial, houve sensibilidade, capacidade e competência para preservar ou melhorar. O Cine Flamingo, no Lobito, foi um exemplo vivo da nossa capacidade destrutiva. Quase desapareceu! E as naves históricas do Museu Nacional de Arqueologia, em Benguela, só não foram derrubadas por ordem de um governador enfermeiro que passou por Benguela, graças à pronta intervenção do arqueológo Pais Pinto junto do então presidente da República. Entretanto, nessa viagem pelo tempo de desmandos, o edifício de madeira de dois andares conhecido como o Cabo Submarino, que dividia muros com o edifício onde funciona o Governo Provincial, ficou pelo caminho totalmente consumido pelo fogo.

Como se diz, “na vida nada acontece por acaso” (expressão atribuída à várias figuras) e, provavelmente, não foi por acaso que alguém terá iludido o então candidato a presidente da República, que disse em comício de campanha faz quase cinco anos, num período como o que se vive agora, que era possível construir uma nova Califórnia em Benguela. Demorou, mas, o comboio provavelmente arrancou numa marcha que tem ganho celeridade e qualidade. Se chegará até a estação da Califórnia ou se descarrilará antes ou depois das eleições, o tempo dirá. São “outros quinhentos”!

O que é certo mesmo, é que o ainda presidente da República que tem já visita agendada para também ver tudo isso, nasceu no Lobito num mês de Março, e foi também noutro Março, seis dias depois do seu aniversário que decidiu nomear Luís Manuel Nunes, o personagem que embeleza e está com grande fulgor a fazer a viragem da história da província de Benguela, que volta a estar na agenda do dia.

Trabalhos de recuperação das naves situadas na parte traseira do Museu Nacional de Antropologia

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