A paisagem precisa de mudar… O Sul, também precisa de grandes ideias e projectos. O Sul merece ter coisas boas. Os holofotes devem focar também para este lado, e que sejam mostrados, e fotografados, ou filmados, os benefícios que possam resultar para os utentes da estrada.

ZOOM DA TUNDAVALA
Como se dizia no linguajar popular, na Mutamba ficava a capital de um país centrado em Luanda e o resto… paisagem pura. Assim foi, assim será. Assim quiseram os ditames da sorte. Hoje em dia as coisas estão ainda mais confusas: sabe-se lá onde fica a capital? E Luanda já não é cidade, é província, que não tem Mutamba de capital. Há quem diga que a Cidade é Alta, porque alberga agora a capital real desta imensa e bela Angola. Por obra e graça. Não do Espírito, que é Santo, mas de uma tal Divisão Político-Administrativa levada a ferros.
Por isso, não é de estranhar que, sempre que se fale em grandes projectos, grandes ideias, grandes investimentos, e se façam até inaugurices de elefantes brancos, se fale de Luanda, ou pouco mais dos seus arredores. Não vá a situação fugir ao controle se muito longe for. O país é muito grande, afinal.
Apesar de muito reclamada, a atenção para a paisagem é sempre discutível, sendo admissíveis as opiniões que dão conta de algum desconforto por parecer mesmo que só lá para cima há preocupação em fazer acontecer. País!
Pelo Sul, e pelas terras altas da Chela, também se reclamam ideias e projectos grandes, com impacto não apenas na governação mas, sobretudo, na vida dos cidadãos. Sem ser necessário que sejam megalómanos. Mas que se veja que há ideias para fora da cintura tradicional. Nesta ordem de ideias fala-se, cada vez mais, da EN 280, a estrada que liga as cidades do Lubango e Moçâmedes. Já não interessa a totalidade da estrada, porque para isso é preciso que ela fique totalmente rebentada para haver “ideias” para ser reabilitada. Quer dizer, fazer de novo, porque aí o orçamento é maior. E os ganhos também o serão, naturalmente.
Fala-se apenas de um pequeno troço, de 22 km, entre o Lubango e a Humpata.
Este troço de estrada serve, hoje em dia, muita gente que vive na Humpata e trabalha no Lubango, ou que vive na Palanca, agora município e verdadeiro dormitório da cidade, e também trabalha no Lubango, como também serve quem reside no Lubango e trabalha naqueles dois municípios.
É um troço sobre o qual têm chovido reclamações e petições porque a intensidade do tráfego é tal, que nem será preciso fazer radiografias, elaborar estudos, realizar reuniões para se ver que, a estrada estreita construída nos anos 60, já não serve, está ultrapassada, e não bastam operações de tapa-buracos que se fazem só quando o rei faz anos, para se dizer que está reparada.
Há muito se reclamam duas faixas de rodagem, porque hoje não circula um carro de vez em quando. O tráfego é intenso. Muito intenso. Além de quem vai e vem trabalhar, são inúmeros os táxis que vão e vêm. Camiões com cargas pesadíssimas são às dezenas, senão centenas por dia, principalmente transportando blocos de granito, que muito têm contribuído para a degradação acelerada da estrada. E vão também outras tantas dezenas transportando combustível, além dos de carga convencional. É muito veículo nos dois sentidos para uma estrada tão estreita. E tão esburacada. Com as bermas a reclamar atenção. Uma estrada onde parar em qualquer sítio é comum. E causa transtornos. Para não falar nos insurrectos kupapatas e Kaleluias, que continuam a desafiar a autoridade de quem a devia ter, e circulam por ali, na maior parte das vezes pondo em perigo a própria vida e causando transtornos sérios na circulação. Nas calmas.
Este troço, na actualidade, está na mesma situação do que ligava Benguela e Lobito aqui há umas duas décadas e deu origem a uma via rápida. Aqui bastavam duas faixas de rodagem de sentidos, com faixas de acostamento. Sabe-se lá… Os especialistas que se entendam nessa matéria.
No entanto, dá que pensar por que razão se estão a instalar postes, de madeira, em quase todo o trajecto. Se está a iluminar o troço. Para esvaziar os cofres públicos, só pode. Porque a estrada precisa de atenção, de mais atenção, nos períodos do dia em que se regista maior intensidade de tráfego. De dia. A menos que essa iluminação continue a servir de alimento ao dono do alheio porque o roubo de cabos e de luminárias é constante. À noite circula um ou outro veículo, ou pelo menos há uma redução muito significativa no tráfego e, iluminação, hão-de precisar os coelhos, se ainda houver algum. É de dia que as coisas não estão bem. Ou pelo menos estão pior. Que o tráfego é mais intenso. E perigoso.
A prevenção rodoviária não se faz apenas iluminando o troço, nem com o destacamento quase diário de polícias sempre nos mesmos pontos da estrada. Para esvaziar carteiras. Porque as operações stop que se fazem aumentam mais o perigo, porque feitas mesmo junto das faixas de rodagem, em bermas estreitas e em mau estado. Apenas fazem reduzir a velocidade nesses pontos. Depois o pessoal põe prego ao fundo. E vai. Não basta olhar para a lotação dos táxis. Ou fiscalizar veículos de alguma carga. Importante, sim. Mas é preciso que os kupapatas e Kaleluias deixem de ser beneficiários de ordens superiores e não se lhes faça nada. E eles façam o que querem. E se estejam a ****r para a autoridade que se perdeu.
Há alguma coisa que não está certa!
A prevenção rodoviária passa, necessariamente, pela existência de uma estrada melhor, no mínimo mais larga que a actual. Na serra, com as muito reclamadas duas vias, uma ascendente e outra descendente, com bermas em condições, sinalização vertical e horizontal como e onde deve ser, saídas e escapatórias melhor definidas, pontos de paragem devidamente sinalizados e então, sim… a fiscalização, o polícia no local, a aplicação do Código da Estrada. Para todos. Sem excepções. E que a única ordem seja a da Lei. E se se quiser gastar mais algum do nosso graveto, iluminação. Venha ela.
O Sul, também precisa de grandes ideias e projectos. O Sul merece ter coisas boas. Os holofotes devem focar também para este lado, e que sejam mostrados, e fotografados, ou filmados, os benefícios que possam resultar para os utentes da estrada.
A paisagem precisa de mudar…











