
– JAcQUEs TOU AQUI!
À noite, todos os gatos são pardos
Da sabedoria popular
1 – O provérbio da epígrafe é antigo e significa que na escuridão das ideias ou na falta de clareza das palavras, tudo nos parece igual, é sempre o mais do mesmo. A obscuridade também nos leva facilmente ao engano. Por isso, é fundamental abrir os olhos para se saber distinguir o certo do errado, porque só com certezas controlamos decisões. Para conquistar, entre o mais, bem-estar mental e convivência saudável em sociedade. É o essencial para se ser digno, aceitar as diferenças e obrigar-se ao respeito pelos semelhantes. Em Democracia, estes gestos levam, geralmente, à escolha das melhores e mais competentes figuras da terra, para os altos cargos da governação do País!
Por falar em boa governação, quase ao acaso, vou descobrindo Portugal. Sinal de que estou de pé, ando um pouco por aí. E observo. Na semana passada, após ter percorrido toda a extensão da linha amarela do Metro, verifiquei o crescimento e a modernização de Odivelas. Conhecia mal a zona. Todavia, o que vi, mostrou-me que algo se transformou naquela região. O antigo território de periferia rural, dormitório dos que trabalham na capital, passou a ser uma das cidades mais jovens, dinâmicas, modernas, prósperas e populosas da área Metropolitana de Lisboa. Deve-se essa mudança radical à implantação de autarquias capazes, inteligentes, que trabalham em prol da sustentabilidade e qualidade de vida das populações. Fazem, infelizmente, uma diferença enorme das ideias que, ao longo dos anos, vão exibindo os nossos inexperientes administradores municipais.
Apesar das diferenças e dos défices naturais, existe a esperança. É possível, desde que se queira, implantar-se entre nós a ideia da formação de bons quadros nessa área, para se estudar mais o bem gerir, o organizar melhor os métodos da boa governança. Que não passem a vida a pensar fixamente nos comités do partido. Para isso, é necessária gente dinâmica, com ideias nobres e capaz de processar a mudança. Não é à toa que indivíduos como eu e muitos outros como eu, exigem o Poder Local, o mais rápido possível. Há urgência de se passar do sonho para a realidade. Só com os olhos abertos atingiremos as metas almejadas. Alcançaremos então mais saúde, educação, trabalho, justiça, enfim, qualidade de vida organizada. E não encararemos mais carências conhecidas, nem a realidade de obras sem préstimo para a sociedade mais geral. Deixarão de nos surpreender, certamente, informações do género do “Inquérito de Acompanhamento dos Edifícios em Construção”, a revelar que cerca de 5 000 obras em construção estão paralisadas em Angola. Estarão escolas entre elas? Talvez! Tudo isso seria escusado, se a Lei e a vontade política, indicassem outros caminhos.
Conhecemos as razões que fazem de Angola um país diferente dos que pugnam pela satisfação dos direitos dos seus filhos. Luta-se pelo fim dessa diferença. Abertamente, de várias maneiras, até se alcançar aquilo que uns quantos, acabam por ser muito poucos, teimam em não querer dar aos milhões que necessitam de atenção, igualdade, solidariedade social, melhores condições de vida. Terão um dia de se conformar com a mudança que é cada vez mais certa!
2 – José Mujica, antigo Presidente do Uruguai, foi dos cidadãos mais honestos que a política já pariu! Eis aqui um dos seus lemas: Triunfar na vida, não é ganhar. Triunfar na vida é levantar e recomeçar toda a vez que se cai. Em Angola, para além do povo em geral em queda permanente, há também os que vão caindo em lutas políticas. Felizmente, apesar de se verem impedidos de ganhar, não se deixam abater. Levantam-se sempre que caem, para recomeçar a sua luta que é, afinal, a luta de todos nós. É gratificante verificar que já se interiorizou em larga escala que é em resultado dessa luta inclusiva que homenageia a Democracia, que se alcançará a vitória. Todos anseiam por uma festa contínua, a festa da vida e da esperança, uma festa em que os que detêm o poder em Angola, não querem participar. De jeito nenhum. Infelizmente, estão mais vocacionados para outro tipo de festins.
3 – Ronaldinho Gaúcho volta a jogar aos 46 anos pelo Ravenna de Itália! De escalão terciário. Diz que vai jogar bem e eu acredito porque ele nunca soube jogar mal. Vi-o ao vivo, uma única vez. Foi no Maracanã, e por engano. No início do século, num mês que não recordo, fui ao mítico Estádio, para o mostrar à minha inesquecível Ana Paula, mas acabamos por assistir a um Fluminense-Grémio de Porto Alegre. Não tardou a ingressar no Paris Saint-Germain e, mais tarde, no Barcelona. Nesse jogo de que falo, vi um jogador normal, não fez nada que viesse a justificar o “Bruxo” em que se tornou depois.
Mas, esquecia-me do mais importante. O Glorioso Sport Lisboa e Benfica portou-se à altura no San Siro Stadium. Despachou o A C Milan, quebrando um tabu do tempo áureo de Mário Coluna e do Rei Eusébio. Mais logo, no Dragão, a festa vai continuar. Os tripeiros serão comidos, talvez até, em molho de cebolada. Para, com algum atraso, pensarmos no 39 e, finalmente, acabarmos com a maldição do feiticeiro Béla Guttmann. Títulos nacional e europeu à vista, camaradas. E não venham com a história de que ainda é muito cedo! Não é nada. Como na política, amanhã é que será muito tarde!
Pedindo desculpa por qualquer coisinha, vou cumprimentando os meus estimados leitores, família, amigos, camaradas e companheiros de luta. Despeço-me de todos, com o envio do meu abraço fraterno. Até domingo, à hora do matabicho.
Forte da Casa, Portugal, 20 de Setembro de 2026










