POVO MARAVILHOSO (6)

JAcQUEs TOU AQUI!

JACQUES ARLINDO DOS SANTOS

“Sem o Povo, o Estado é apenas uma sombra vazia”
(máxima sociológica)

1 – Na maior parte dos países democráticos, a ausência do Presidente da República do território nacional por motivos de saúde, sem o conhecimento público ou a autorização legal, configura uma grave violação constitucional.  Existem também regras que regulam a ausência do País do PR, para gozo de férias. Sinceramente, desconheço o que a nossa Lei determina para estes casos específicos, nem sequer se a prática é corrente entre nós. Sei, no entanto, o que pode resultar da onda de falatórios a respeito da mais recente ausência do Presidente João Lourenço. Prenhe de detalhes preocupantes, já obrigam a perguntar as razões que levam o Governo de Angola a não fugir à tentação que tem em transformar casos simples em complicadas situações de falatório. Um comunicado bem elaborado, uma simples foto na sua página da internet, seriam suficientes para mostrar que o Presidente João Lourenço tem, como todos os cidadãos, o direito de ficar doente ou o de usufruir dos seus momentos de descanso e de lazer ao lado da família. Deixar a Nação em suspense, é sujeitar o povo a todo o género de especulações. E isso, meus senhores, não está nada bem! Por isso, nota zero, mau trabalho dos serviços de imprensa da Presidência da República de Angola!

2 – O minuto 86 do jogo tornou-se num verdadeiro pesadelo para as selecções do Senegal, da RD Congo, da Costa do Marfim, mas também do Gana e da sensacional representação de Cabo Verde que se impôs num 3-2 após prolongamento, sem complexos, diante da toda poderosa Argentina, que ainda é detentora do título de Campeã Mundial de Futebol. À boa maneira africana, falou-se de feitiço! Contudo não operou mudanças. Mas, de forma geral, o nosso continente foi bem representado e continuará a sê-lo, de certeza, por via do Marrocos, que já passou os oitavos de final ao derrotar a selecção (co-organizadora) do Canadá, por 3-0. A primeira africana nos quartos de final e quem sabe se também o Egipto, que terá pela frente a difícil Argentina de Messi.

3 – Mais uma passagem do meu relato romanceado “Viva este povo maravilhoso” que breve estará à disposição do público:

“Vivia-se mais uma fase complicada da vida em Angola. A sociedade mostrava-se bastante preocupada, mas, contrariamente, as suas figuras mais representativas, alheavam-se dos assuntos, principalmente dos que eram vistos como problemáticos. Algumas entidades ainda tentavam, mas, no fim, não sabiam, nem queriam saber de nada dessas coisas. Nesse rol, incluíam-se individualidades integradas em várias associações, e as próprias agremiações por elas constituídas. O problema era comum a todas, dos escritores, dos jornalistas, dos artistas e compositores, dos engenheiros, dos arquitectos, dos advogados, dos contabilistas, dos professores, dos médicos e enfermeiros. Resumindo, era um problema geral de identidade, de quase todas elas. Para se concluir, finalmente, que o mal era dos intelectuais de um modo geral, que deviam marcar posições mais firmes nas questões de dignidade nacional. Mas que, lamentavelmente, se distanciavam dos assuntos que despoletavam confronto de ideias com o poder. Pelo seu claro comprometimento com o regime. Preferiam estar, com estavam, muito longe dessas confusões de direito, de justiça, de cidadania, de democracia, de tudo. Falar em desobediência civil? Nem pensar nisso era bom! Por mais trágica que fosse a situação. Que tristeza e que desilusão!”

Com os habituais cumprimentos, despeço-me dos estimados leitores, dos meus parentes, familiares e amigos, dos camaradas e companheiros de luta. Até ao próximo domingo, à hora do matabicho.

Forte da Casa, Portugal, 5 de Julho de 2026 

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