A FOME E A VONTADE DE COMER

JAcQUEs TOU AQUI!  

JACQUES ARLINDO DOS SANTOS 

O presidente do Sport Lisboa e Benfica, Rui Costa, foi punido com 25 dias de suspensão e uma multa de quatro mil e duzentos euros, por ter chamado ladrão a um árbitro. “Isto é uma roubalheira”, terá dito o dirigente, no rescaldo do jogo Famalicão-Benfica, da semana passada, onde a não marcação de um penalty claro, observada pelo público presente no Estádio e por milhões de pessoas que o confirmaram pela televisão, mostrou que Rui Costa estava com toda a razão ao dizer o que disse. 

Para quê trazer o caso para aqui? Ora essa! Mais do que um desporto, hoje-em-dia o futebol funciona como microcosmo social e influencia identidades, promove cultura, agita a política, une diferentes nacionalidades, sendo também e ainda, instrumento de integração e socialização.  

Não me pertencem essas sábias considerações, são de estudiosos que nos mostram regularmente, e isso vem ocorrendo ao longo de muitos anos, que a nossa vida não se resume à boa vida com que sonhamos, ao dinheiro que ganhamos e nos proporciona bem-estar e a outras coisas fúteis, ou nem por isso, a que se dão importância.  É “a coisa mais importante das coisas menos importantes” da nossa vida, dizem os entendidos. 

Tal como os árbitros de futebol, os políticos, em todo o mundo, não podem ser classificados como gatunos. Porque pode cair o Carmo e a Trindade a quem se atrever fazê-lo. Que falta de respeito! Haja cuidado, senhores e camaradas. Isto não pode ser dito. Mesmo quando se cometem graves delitos — os tais crimes de responsabilidade — mesmo que as malandrices sejam testemunhadas pelo povo inteiro de um País!  

Sinceramente! São essas contradições da vida que me chateiam solenemente! São essas coisas impostas pela ética dos livros, pela vida e pela porca moral a que nos habituamos, tudo isso que nos vai retirando a coragem de chamar alguns bois pelos seus próprios nomes. 

Desapareceu o piano da Associação Chá de Caxinde! Deve ter sido desviado, não foi roubado, tomem boa nota. Também sumiu o enorme gerador que alimentava o Nacional Cine-Teatro, quando lá se faziam obras. Há provas, a polícia tem há muito imagens da viatura e é capaz de ter identificado o gatuno. Também se desconfia onde pode estar o piano. Por que não os devolvem aos seus legítimos donos? 

Perdeu-se a dignidade? Em que país estamos nós? 

Para terminar e evitar não me chatear mais, vão umas dicas acerca da epígrafe desta crónica: a fome surge aos poucos e qualquer comida serve; a vontade de comer é impulsiva, ligada a emoções como a gula. Para qualquer dos casos, beber água, aguardar algum tempo e tentar dormir sossegado, é o melhor remédio. 

Com os habituais cumprimentos aos meus leitores, amigos, familiares, camaradas e companheiros de luta, vai o meu abraço e a promessa de que nos voltaremos a encontrar, no próximo domingo, à hora do matabicho. 

Forte da Casa, Portugal, 10 de Maio de 2026  

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