
RECADOS DA CESALTINA ABREU (88)
“Educação ruim gera bons telespectadores, péssimos eleitores e muitos candidatos”.
Pensamento contemporâneo
Esta frase é uma crítica directa à relação entre educação e democracia. Ela sugere que uma educação deficiente produz consumidores passivos de informação, pouco habituados ao questionamento e, por isso, facilmente manipuláveis por narrativas mediáticas. Produz também eleitores desinformados, mais vulneráveis à emoção, às promessas superficiais e à desinformação, enfraquecendo a própria democracia.
Nesse contexto, degrada-se igualmente a exigência pública sobre quem governa. A banalização da política, a fragilidade ética e a falta de preparação técnica passam a ser toleradas, permitindo a ascensão de candidaturas oportunistas, frequentemente sem propostas minimamente estruturadas e responsáveis.
Esta reflexão reforça o quanto a qualidade da educação de uma nação determina a qualidade da sua democracia. Porque educar não é apenas transmitir conteúdos linguísticos, matemáticos ou técnicos, mas desenvolver pensamento crítico, autonomia e responsabilidade cívica. Sem isso, a democracia transforma-se em simulacro, e não em participação consciente.
Uma educação assente em valores como honestidade, solidariedade e lealdade é fundamental para formar cidadãos conscientes do seu papel social e político. Sem educação crítica, o indivíduo deixa de ser protagonista e torna-se apenas mais uma peça manipulável do sistema.
Não precisamos perguntar se, hoje, a escola em Angola forma mais cidadãos críticos ou mais espectadores. A verdadeira questão é: para quando um ensino fundado no princípio de que “educar não é dar respostas, educar é ensinar a pensar” (Rubem Alves)? Um ensino capaz de formar cidadãos preparados para transformar a sociedade, o mundo e a si mesmos, como defendia Paulo Freire. Porque, como ensinou Nelson Mandela, “a educação é a arma mais poderosa que podemos usar para mudar o mundo”.
Um dos provérbios africanos mais conhecidos sobre educação diz: “É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança”. Talvez aí esteja uma das maiores falhas das nossas sociedades: termos deixado de compreender a educação como responsabilidade colectiva. Educar exige família, escola, comunidade, exemplos e participação activa — uma verdadeira rede de cuidado, valores e compromisso com o futuro.
Saúde, cuidados e coragem para lutar por uma educação que ensine a pensar e não a obedecer.
Kandando daqui!










