
– JAcQUEs TOU AQUI!
Para quem não sabe jogar, a bola atrapalha.
Da gíria popular
Com muita tristeza no coração pela partida para a eternidade de amigos como o Roberto Pisoeiro, o Zito Pompílio e o Jojó, o engraxador do Rossio, promovo hoje um breve interregno da série “Entre Verão e Cacimbo”. Poderá voltar para a semana. Tentando não deixar o futebol de lado, começarei por afirmar que amo o meu País em regime de monogamia absoluta. Do modo como o dr. Bagão Félix, um benfiquista suis generis, antigo ministro das Finanças de Portugal, vive a paixão pelo seu clube do coração. Roubei duma afirmação sua, essa ideia da monogamia para, numa visão política e de consciência social, dizer que me dou a Angola, com fidelidade total, dedicação única, alimentando amor sem limites. É paixão que dá direito de exigir atitudes a quem governa e contrariar os que não duvidam e acreditam piamente no milagre mexicano. Mais de setenta anos sob o mesmo comando, batendo recordes maravilhosos de povos submetidos. Cada um com a sua cabeça, há que respeitar!
Tento mostrar que sou totalmente contra a banalização do “dever cumprido”. O gesto não pode continuar a ser mera formalidade, preceito banalizado pelo juramento da praxe. Sinto-me, por isso, no pleno direito de fazer a afirmação, mas também devo confessar que, desde que vi um porco a andar de bicicleta… já nada me admira.
Observado o contexto e medidas todas as distâncias, com o devido respeito atiro-me às semelhanças entre partidos políticos e clubes de futebol. Os acontecimentos diários, quer os que ocorrem aqui na Tuga como na Banda, abarcam reivindicações das comunidades. Clama-se por direito colectivo e extravasa-se sentimentos de pertença, em ambiente onde se identificam as cores, os hinos e bandeiras como símbolos de identidade. E escolhem-se pessoas, os líderes para se seguirem, os que fazem acreditar em ideias e projectos, movidos por fé ou tradição familiar, simples apego emocional, enfim, tudo o que empresta essa semelhança indisfarçável entre a política e o futebol.
E é nessa perspectiva que me vejo, por vezes, a cogitar sobre alguns líderes partidários. Julgo que bem poderiam ser substituídos como os treinadores de futebol. Bem vistas as coisas, na linguagem futebolística e evocando o nosso caso particular, a cúpula do partido maioritário de Angola, por factos consabidos pela sociedade, já teria deixado o comando a que se agarra. As enormidades de ilegalidades e dos erros cometidos há muito, sugerem chicotada psicológica que, a essas horas, já teria produzido efeitos benéficos perfeitamente comprovados nas lides do futebol. Porque a sua prestação, com a manutenção de um número grande de “lázaros” no time principal, o da nossa estima, é de tal modo sofrível que preocupa seriamente a enorme multidão dos seus adeptos. São muitos os pontos já perdidos incompreensivelmente nesta fase preparatória do campeonato que poderá levar à liderança do País. A situação está a preocupar. Porque estarão a agir tão superlativamente mal? Pode ser simples impressão, mas nem o facto de se estar numa fase que é espécie de pré-época, sempre sujeita a indefinições, não se pode manifestar tanta falta de capacidade quando se deseja, de facto, formar boas equipas. Neste grupo, nota-se enorme fragilidade, alarmantes deficiências da equipa técnica. Um “time” da grandeza de Angola, vista aqui no mero papel de equipa de futebol, não pode praticar o jogo rasteiro, sujo, nalguns aspectos, a que se tem proposto nos últimos tempos. Perde prestígio, credibilidade, adeptos. Já não sou associado. Não pago quotas. Mas adquiri direitos e, por isso, sinto-me com a obrigação de falar assim dessa maneira, sem “papas na língua”. Apesar de me faltar a força de outros tempos.
Aqui na Tuga imita-se o que se passa noutros sítios da Europa e contesta-se a falta de habitação. e montam-se barracas no Rossio em Lisboa e na Praça D. João I no Porto. A polícia avisa, não há mais campo para manifestações desse tipo. Mas sem a ameaça de chocolates e rebuçados a que nós em Angola nos habituamos. E aqui para nós, eles não fazem uma mínima ideia do que seja falta de habitação decente para uma população carente!
Hoje fico por aqui. Com a esperança de mais logo poder festejar a vitória de Lula! Despeço-me dos amados leitores, dos parentes, dos camaradas, companheiros de luta e amigos. Até ao próximo domingo, à hora do matabicho.
Forte da Casa, Portugal, 25 de Outubro de 2026










