FABULOSO MUNDU IÊTU

 CAPÍTULO 2

JACQUES ARLINDO DOS SANTOS

Aquele dia e os outros que lhe seguiram os passos marcaram uma época extraordinária. Foi nesse tempo kióua, um tempo burro, entre medos disfarçados e mahâha descaradas, daquelas de fazer estremecer kinzunzumbia, que as coisas que estamos a falar começaram a acontecer mais frequentemente. 

Na nzámba comandada por Katambi, sede política da tribo nzuakahima, assinalaram-se indícios e consequências dessas maka. Foi quando os cheiros activos passaram a empestar o ar com outra fragrância e frequência. Intoxicavam o ambiente, e não tinham a ver com a presença de abelhas ou marimbóndo. Eram bastante visíveis as patadas desconhecidas. Vincavam os chãos dos musékequentes e dos matos húmidos. 

Depois da ocorrência, o pessoal passou a preocupar-se seriamente com a possível aparição de uma espécie de kiáma terrestre, diferente da que se conhecia na zona. Surgia em modo metáfora de perigo superlativo e iminente. Era uma emergência alarmante de perspectivas destrutivas. 

Tratava-se, seguramente, de numerosa estirpe. Diferente das várias residentes e já identificadas. Não podiam pertencer às famílias de canídeos do tipo lobo e mabeco, há muito a dominar os muxitu da zona. Segundo os mestres da matéria era uma nova categoria que chamava a atenção por certo jeito de rosnar. Anunciava perigosidades, mostra do seu carácter raivoso. 

– Eles querem guerra connosco – afirmavam os caçadores.

Cogitava-se que havia da parte dos bichos o firme propósito de querer pela força. Embora não vistos ao vivo, o povo, com os seus legítimos exageros, pensava em coisas impossíveis que só o medo tornava reais.

– Não é cão nem é lobo – comentava-se entre dúvidas.

Acabavam por acreditar nas particularidades distintas das hienas. Tinham uns modos de estar e de se comportar nada semelhantes aos vulgares cães-selvagens sobejamente conhecidos. Eram animais com nova postura, surgidos sem aviso, mais vezes à noite, eventualmente em dias cerrados de nevoeiro, como se dizia.        

A insegurança gerava permanente alvoroço. O Ngana Ijico, uma espécie de Ministro do Interior, mostrava-se perturbado com a situação. A bicharada fazia penetrações no capim cerrado. Ganhava espaço em áreas de vegetação esparsa e fazia silenciosos progressos nos muxitu, numa aproximação felina aos redutos da sociedade nativa. Gerava natural apreensão. Medo era muito, notava-se, parecia pêlo do cão que nunca foi pouco. 

         – Vou lhes dar mel…– ameaçava o  Ngana Ijico com os olhos avermelhados, bem inflamados de maldade – apareçam e vão saber como fica doce brincar com quem manda.

Entretanto, fruto das suas frenéticas andanças, caçadores experientes detectaram, afastados dos grupos maiores, uns clãs que se diferenciavam da maioria suspeita. Com contornos inverosímeis, deu-se então o lance inesperado. Por obra de Ngana Nzâmbi ou certamente por influência de Nzûmbi, o Belzebu, o maldito diabo, nascia naquele pedaço africano do imenso mundu iêtu, por via das dúvidas possíveis e de forma muito estranha, o estereótipo fatal, a preconceituosa diferença das classes entre os animais. 

            – Os kiáma e as pessoas é tudo igual. Tem bicho que é bom e também que é mau, como as pessoas… – sentenciara o Vulola, o Ngana inteligente, o ideólogo da tribo em reunião extraordinária. 

Passaram-se entretanto vários anos sobre o primeiro episódio do tema “miscigenação”. A mestiçagem, desígnio maligno que pairou sobre o cruzamento de espécies, manifestação que influenciou negativamente a vida de muitas criaturas e os mais distintos povos em todos os continentes, terá sido descoberta como fenómeno naquele antigamente da vida. Foi acidentalmente naquele local que veio para se fixar na cabeça das pessoas e dos próprios bichos. Com ela, surgiram as leis que definiram princípios de exclusão, responsáveis pela vitimização de todos os animais. Sinais de separação baseada na raça, sendo então, naquele momento preciso, identificados entre os predadores irracionais, os portadores de sangue misturado. Os de pêlo bronzeado ou listado, e entre esses, os mais-claros e os mais-escuros. Em voga, ficou consequentemente, um conjunto de epítetos utilizados para os classificar. Muito mais tarde, foram transferidos maldosamente para certos humanos, que adquiriram, por simpatia ou por outra virtude, essas insultuosas alcunhas. Criaram raízes, normalizaram-se. Estava-se ainda no antigamente da vida.

– Estes kifumbe só querem mesmo as coisas dos outros… – logo os rotularam como aberrações, as sumidades na matéria.

– Maldosos, cínicos, invejosos, traidores… – os muári mais vivos, em narrativa cruel, começaram a identificá-los radicalmente.

Até então, os autóctones, mesmo sem alcance inteligente sobre os assuntos, já tinham provado o sabor amargo da perda do poder político da nzámba em favor do homem branco que fizera assentamento violento. Assumira vaidosamente o odioso papel de eterno patrão. A submissão diante do colonialismo opressor era imparável. Tal como era irrefreável a crendice crescente nas cabeças ignorantes dos nativos. Velhos e novos indígenas, conselheiros ou não, soba ou muhatangana ou qualquer mona a’riala, todos viviam fascinados pelo sobrenatural. Das estórias inventadas pelos donos das suas vontades, representados pelo muéne putu e por uma classe violenta, malandra e poderosa que incluía desde soldados rasos a cabos, desde sargentos a coronéis.

Kixikanu poderoso, uma crença sem limites, tomava brutalmente os sentidos e desejos das pobres gentes, condenando, à partida, o destino de todos os animais atravessados de raça, segundo eles, os mais vulneráveis seres, os mais estimulados para a prática de maldades indesculpáveis. Os mais perigosos traidores. Bichos capazes de tudo. 

Entre as várias teses defendidas sobre a existência da espécie estranha, ganhava corpo, aquela que garantia a certeza de os de pêlo listado, principalmente esses, serem capazes de imitar perfeitamente os humanos. Se já era estranho o facto de se movimentarem em bicos nos cascos das patas, surpreendia ainda mais que, desse modo esquisito, palmilhassem distâncias consideráveis. Imitando pessoas, punham-se em posições erectas sobre as duas patas traseiras em gestos, convenha-se, difíceis de serem executados por kiáma menor. 

As façanhas dos predadores eram apregoadas. Sentia-se o efeito da propaganda. Chegou-se ao cúmulo de investigar a sua vida sexual, tendo descoberto assim que as hienas fêmeas também tinham pénis. Mudavam de sexo de acordo com as necessidades do momento. Não espantava que no meio de muitos alvitres, outras características e habilidades fossem descobertas nos bichos intrometidos. Inclusive o atrevimento de pensarem poder ver a terra de todos como sua pertença exclusiva.

– Estão a mostrar vaidade até nos dentes. Parece mesmo pessoa… – bocas pasmadas em rostos impressionados davam força às palavras.

A população nzuakahima estava aterrorizada. Fugia das noites ditas de encantamento, nas quais aconteciam coisas estranhas. Sentia calafrios ante a perspectiva de ser surpreendida por assustadoras risadas soltas por animal de espécie mais evoluída que o homem. 

– Tu rila ngó. Tu banga kiébi?– Resignavam-se os mais afectados. Nada havia a fazer, restava apenas chorar.

Nesse dia de que se vem falando, na mbánza de Katambi realizava-se mais um convívio. Um encontro que, na linha dos anteriores, estava destinado a ser preenchido por murmúrios e insinuações. Era daqueles encontros especulativos em que as mulheres se mostravam sempre receosas. Apesar disso, resplandecia um certo fascínio nos seus olhares quando o tema levado ao palco das conversas cheirava a novidade. 

– Estão sempre a ameaçar… – inventavam-se cenas misteriosas.

– Vivemos assustados e estamos com a vida atrapalhada… – notava-se que as notícias influenciavam e estimulavam o medo e o terror entre as pessoas.

– Ni majo ié ionene, esse dente forte para partir os ossos dos bichos grandes mete medo. Nem ngana hóji brinca – falavam sussurrando como se já tivessem visto as feras em acção.

– Comem bwé de carne fresca. Adoram xitu ia uisu seja de que kiáma for. Quando mastigam parece que não têm mais família… – ao falar, pareciam vê-los de dentes aguçados nas sôfregas investidas de busca de alimento. Imaginavam sangue a escorrer, em banquetes de desenfreada carniça.

Eram longas as conversas nocturnas. Com muita intriga e mentira de permeio, viajava-se pelas veredas da incerteza. Alimentava-se a cisma das risadas dos mamíferos carnívoros. Cada vez mais ganhava força a ideia de difundirem mensagens a exigir a sua presença na área. E já se advertia que o timbre do seu rosnar era surdo e ameaçador, afirmativo de poder e de força. Proclamava a legitimidade de uma casta forte a reclamar direitos sobre a terra e a sociedade indígenas.

No meio de danças que culminavam com muitas másemba a abafar o som dos múltiplos ruídos vindos das matas, era já madrugada quando aquele encontro terminou. Na retirada, alguns caçadores, uma classe bem cotada e muito bem quista na nzámba, atestavam as cuidadosas deslocações das feras. Eram bandos relativamente numerosos, mesmo em movimento de emboscadas a sugerir recato. E retratavam-nos com critério. Fisicamente tinham os membros anteriores mais longos que os inferiores, característica que lhes proporcionava permanente postura humana, porém muito exótica.

Já no dia seguinte, nas muitas esquinas e veredas da bwala, era diferente o contexto das conversas. Chegaram, inclusive, em tom alarmista, à mais Alta Autoridade. Como efeito imediato de conversas mais fortes, foi convocada uma reunião urgente, onde a presença de todos era indispensável.

– Almas errantes, kilulu kiá tuji – classificou o Grande Katambi no decorrer da reunião, pensando certamente em sonâmbulas almas do outro mundo.

Estava-se perante um homem enérgico e decidido, um verdadeiro chefe, um Ngana com todos os predicados. Pernas separadas, firmes no chão, cara de poucos amigos, sempre mal disposto. Como devia ser, com o dom da autoridade de mandar. Apesar das insuficiências denotadas das quais não se livrava e a despeito do peso da idade que ia vergando a acentuada corcunda, alertava com voz poderosa. A linguagem era rude e autoritária. Os representantes do povo ali reunidos naquele encontro extraordinário escutavam-no atentamente. O Ngana-mor convocara o núcleo forte dos seus ministros-conselheiros alertando-os de que o foco do encontro era exclusivo, com ponto único. Atenção redobrada para cuidados essenciais a ter com os arruaceiros, aquela estranha bicharada. 

 Kuxixima ietu. Temos que nos afastar de tanto infortúnio – desabafava em voz baixa e solene, após as primeiras recomendações. O Ngana supremo da tribo e seu incontestado líder, impunha respeito através do seu avantajado físico. 

Olhou bem de frente os seus colaboradores. Lá estavam o Kuku, o Sabi, o Vulola, o Ijico, o Tandela. Todos exibiam cabelos e barbas esbranquiçadas. Também um cansaço extraordinário nos olhos. Nestes, brilhava o desejo de vislumbrar na discussão, algum dado que fosse original. Talvez uma ideia peregrina ou o surgir de um rosto desconhecido, uma mente mais brilhante. Mensageiro de soluções, de algum sinal de ajuda. Na verdade notava-se bastante apreensão e um veemente apelo nos rostos trágicos dos responsáveis. 

– Tendungumba não veio? – A pergunta do chefe foi dirigida a todos. Silêncio absoluto. Comprometimento na generalidade, quer das bocas, quer dos olhares. 

Acolheram todos, as palavras do Ngana, com um mutismo ensurdecedor. Confirmava-se assim a ausência do número um dos ministros-conselheiros.

– A bwala dele está longe – desculparam-se alguns indivíduos afectos a Tendungumba.

– Mesmo assim, houve tempo de estar aqui. Devia ter mais cuidado a cumprir tarefas. Quero vos avisar, kámba riámi, meus companheiros, que não devemos brincar com a situação – o velho chefe falava com os lábios trementes e a frustração a tomar conta de si. A seguir convidou os circunstantes.

– Bebam e digam-me o que devemos fazer – falou para o grupo, apontando com o queixo para duas enormes cabaças cheias de uma mistela que se adivinhava uâlua turva, eventualmente uma água branca-suja. Exalava forte odor etílico. Todos, sem excepção, manifestaram nos mais pequenos gestos e no constante engolir em seco, uma rinhota incrível, insaciável vontade de bebida estimulante. Os olhares ficaram sempre voltados para as ditas cabaças.

– Primeiro é saber o que o povo está a pensar – aparentemente já havia entrado em vigor naquela sociedade primitiva, o princípio arcaico da implantação da democracia.

Dava-se corpo, à moda da terra e do tempo, ao direito de participação dos cidadãos na vida da sociedade. Os homens emitiam opiniões, refutavam decisões, embora fosse proibido discordar da vontade do Ngana Chefe. Isso nunca. Por muita razão que houvesse do lado contrário. Obedecendo a rígidas regras, distantes das teorias modernas de hoje em dia, a vontade das mulheres não era sequer ouvida, muito menos considerada.

Os recipientes, bem visíveis de todos os ângulos da casa, encontravam-se arrumados a um canto do chão de terra batida da ampla sala de reuniões. O chefe manifestava a intenção de, através da bebida, puxar pelas ideias mais avançadas dos velhos e cansados conselheiros, os quais, lançando olhares desconfiados para tudo quanto era canto, não desmentiam o vício enraizado na boca e a atracção pelo conteúdo das descomunais cabaças.

Não havia passado muito tempo sobre a reunião atrás relatada, e já Katambi se encontrava a reunir, mais uma vez de emergência, o seu núcleo forte. Desta feita com Tendungumba presente, sem se retratar pela ausência anterior. Forçavam-no dois assuntos urgentes. Acontecimentos de última hora, nunca antes vistos, sabidos ou comentados, dominavam a actualidade. O primeiro retratava o nascimento da vigésima filha de Kimbembe, homem respeitado por ser marido de muitas mulheres, um tipo sem mácula nesse domínio. A terceira das suas onze mulheres, Nguáxi de seu nome, presenteara-o com mais um filho, uma rapariga nascida forte mas que era, tudo indicava, portadora de uma anormalidade. Nascera com o coração a bater assustadoramente do lado direito do peito e recebera nesse mesmo dia o original nome de Bebeka. 

– Essa miúda é filha do demónio – imediatamente, Nguáxi foi condenada em uníssono pela assembleia. Na ideia de todos, Nzûmbi tinha-lhe dormido. Nguáxi pecara, tinha feito malandro com o diabo, com toda a certeza. Foi longe, a ponto de lhe fazer uma filha.

 – Éie Kimbembe, não queres falar? – O infeliz marido representava o quadro do miserável kapolobóxi, envergonhado, com os olhos permanentemente voltados para o chão.

Pairava um clima de desconfiança e um certo desconforto na sala. O ambiente acabou por ser transferido para toda a comunidade, por onde a nova se espalhara rapidamente. Bebeka, a menina de coração ao contrário não podia trazer coisas boas para a sociedade. Ela e os seus descendentes estavam já amaldiçoados à nascença e seriam sempre vistos como agentes do mal. Pressagiavam os Ngana, e quando os Ngana tomavam posições rancorosas, devia esperar-se o pior.

Mas, a encimar o rol das preocupações levadas a Conselho naquele dia, surgiu também, igualmente com carácter de urgência, o mais intrincado e tenebroso de todos os assuntos. Desumano, a todos os títulos. Tratava-se de um estranho rapto perpetrado, mais estranhamente ainda, por um animal feroz. Confirmava-se ter sido consumado, e tudo indicava que teria sido realmente, por uma hiena listada. Logo por uma hiena atravessada de raça, o animal mais temido e amaldiçoado em toda a nação. Perguntava-se aos ventos: qual o destino daquela criança? O que teria acontecido com ela? A dúvida eternizou-se, como se verá.

Se a abominável questão de Bebeka, a menina com o coração a bater do lado direito da sua estrutura física, era um caso difícil, incrível e inédito, a do desaparecimento misterioso de Úmba, a criança de menos de um ano, que nem falar sabia, não lhe ficava atrás em termos de assombração. Desaparecida no decorrer de uma kizomba recheada de eufóricas másemba, virou protagonista impensável de um caso que se transformou em lenda. Foi responsável por um considerável rol de historietas que foram contadas sobre ela. Acerca do caso foram tecidas inúmeras considerações na bwala e fora dela. Descrito numa linguagem moderna, numa fala dos nossos dias, teria sido este, o cenário aterrador que cercou a tragédia:

         – Mana, esta música está a me kuiar. Gostava ainda de dar uma passada – Kassembe manifestava-se perante uma amiga, tentando a todo o custo libertar-se da criança que trazia pendurada à ilharga – pega só aqui um bocado a miúda.

         – Desculpa minha irmã, eu também estou a procurar homem pra dançar…  – a dita amiga fugia claramente à responsabilidade de vigiar a menina Úmba.

O diálogo desenrolava-se à volta do embondeiro sagrado e ao som dos ngoma da alegria, num cenário idêntico a muitos outros acontecidos naquele local. 

Após várias tentativas, Kassembe que já tinha ingerido alguns goles de forte kandingolo, optou por entregar, quase que compulsivamente, a criança a uma mulher desconhecida, há muito encostada a uma árvore. Coberta pelas sombras da penumbra, parecia ter as mãos próximas do rosto, como que a escondê-lo de eventuais vergonhas. E depois de depositar ingenuamente a bebé nos braços da estranha mulher, lá entrou Kassembe, eufórica e saltitante, na dança de roda frenética. Fartou-se de dançar, transpirou, sentiu-se satisfeita. Quando suspirou de cansada, exausta de tanta volta dançante, procurou a suposta mulher a quem confiara a bebé.

         – Minha filha, aiuê, onde está a minha filha…Úmba, aiuê Úmba… – começou a entrar em desespero ao não divisar o vulto da mulher de pêlo listado. Estalava tremenda kanvuanza na bwala de Katambi. De contornos trágicos, jamais vistos, difíceis de descrever.

Relativamente à menina nascida com o coração ao contrário, explica-se que em determinada noite, tendo a sua magia como cenário principal, se realizava mais um encontro na comunidade. Um culto comum em toda a região, a juntar, sob o olhar atento e silencioso dos muzangala, a maioria das mulheres do grande aglomerado de Katambi. Foi nessa ocasião que se soube da notícia do acontecido e se abordou com cuidado o caso da actualidade daquele momento. A mulher do chefe Kambuári, dignitário a exercer o cargo de Ngana, um dos muitos ministros-conselheiros do ilustre Katambi, tinha dado à luz uma criança, menina que, para sua pouca sorte, e como se referiu antes, nascera com o coração a bater acelerado do lado direito do seu peito. Ao contrário de todas as pessoas. Caso muito estranho, o da menina Bebeka! Maka de todo o tamanho. Uánga a pedir investigação.

      – Será caso de Nzûmbi, ou interferência de Ngana Nvunji, o mestre feiticeiro? – Já se questionava. Perante as dúvidas, Kassembe foi imediatamente abandonada pelo marido, e passou a ser vista como um ser maldito. E havia razão para isso. O futuro encarregar-se-ia de o demonstrar. A praga e seus efeitos maléficos, transportada de forma maldosa para uma pessoa às avessas, ameaçava grandes perigos para a bwala e prejuízos directos para o povo.

Continua…

One Comment

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

PROCURAR