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“A mentira ganha amigos; a verdade, inimigos”
Públio Terêncio Afro
(dramaturgo e poeta romano)
1 – Uma meia dúzia de ministros pode, sem dúvida nenhuma, ditar o sucesso ou o fracasso de um Governo. Se esses ministros controlarem áreas vitais como a Economia, Finanças, Saúde, Educação, Trabalho e Segurança Social. Se esses sectores estiverem bem no seu desempenho, estaremos em condições de aplaudir! Se, ao contrário, as pastas que dirigem forem críticas e a sua prestação se distanciar das necessidades da população e, de algum modo, directa ou indirectamente prejudicar o dia-a-dia dos cidadãos, podem até gerar sentimentos gerais de insatisfação.
Não consegui identificar todos os ministros enaltecidos pelo grupo de “Bons Filhos do Cuanza Sul”, na internet e onde me incluo e ocasionalmente participo. Um poster com o título “Líderes – Angola” destaca 6 Ministros que estão a mudar Angola. Subentende-se que os tais governantes são os que fazem a Angola dos nossos dias mudar para melhor. Não posso estar de acordo! Primeiro, porque não vejo o nosso País a mudar, nos níveis que eu considero indispensáveis para que se possa afirmar tão categoricamente a mudança ansiada. E num País onde a fome, a saúde e a falta de trabalho são tão evidentes ainda, mais difícil se torna entender esse tipo de afirmação! Em segundo lugar e, logicamente, porque os governantes referenciados não abraçam nenhuma das pastas a que faço referência acima, vitais para as ditas mudanças, de todo, essenciais.
Não posso, pois, concordar com a ideia de que os ilustres ministros sejam, como se diz no Grupo Cuanza-sulino, os que estão a mudar a face de Angola. A menos que me seja mostrado, concretamente, o que de tão transcendente tem resultado do seu trabalho e consequente benefício do povo angolano. Mas, caros conterrâneos, que fique claro, o seguinte. Não duvido dos méritos e da capacidade de nenhum desses governantes, muito longe disso, mas não me atrevo nem vou ao ponto de gabar e render-me à excelência e qualidade do trabalho e dos projectos concebidos pelas personalidades em causa, num País com as dificuldades do nosso. A menos que me seja dada oportunidade de ver como conseguem o milagre. Assim, só me resta reiterar. Não o faço enquanto não observar, de forma palpável, benefício para a maioria da população. Não para um núcleo reduzido e privilegiado dessa população.
Aproveito a oportunidade para alertar ainda para alguns factos que colocam de sobreaviso os cidadãos mais prevenidos em relação à governança do nosso País. A incompetência, a má gestão e os escândalos políticos, passíveis de se concentrarem nalguns ministérios, e poderem criar uma ideia pública de desgoverno. Espero que me tenha feito entender.
2 – O falecido Presidente José Eduardo Dos Santos fazia anos no dia 28 de Agosto. Durante 38 anos habituamo-nos a festejar a efeméride. Nos primeiros anos, sem a euforia e a bajulação dos anos que se seguiram. Fazia-se de tudo para agradar o camarada Presidente. Triste ilusão, a dos bajuladores!
Sempre fui um crítico da sua governação. Nunca o escondi, manifestei-me publicamente várias vezes, sem esperar que estivesse na mó de baixo para o fazer. Contudo, isso não influenciou que me recordasse dele nesta sexta-feira que passou. E manifestasse, silenciosamente, o respeito que sempre me mereceu enquanto foi Presidente da República de Angola. Ao recordá-lo, não posso esquecer o seu fim trágico e a falta de respeito de que foi alvo na hora da sua morte. Por parte dos que o idolatravam. Não merecia tal sorte. É este o sentimento que me leva a sinalizá-lo hoje, aqui e deste modo. Que descanse em Paz, camarada Presidente!
3- Enquanto isso, vamo-nos consumindo no desgaste das situações que conformam o nosso ambiente político. Apagando fogos com a reabertura de várias salas de espectáculo encerradas, supostamente por justa causa, e a inauguração de grandes Centros de Convenções, para acolher as grandes reuniões nacionais e internacionais que aqui terão lugar. Os que existiam já não servem? O que farão deles? Que estrutura servirão daqui para a frente? Enquanto isso, persiste uma falta gritante de escolas para as crianças angolanas. Veremos como as coisas vão correr. Vai ser pelo melhor, se Deus quiser!
4- O Benfica está bem e recomenda-se. Vai ganhar o campeonato português e a Liga Europa. Escrevam o que aqui afirmo. Não se chateiem. É só para ver o efeito.
Agora, despeço-me dos meus estimados leitores, dos meus parentes, amigos e companheiros de luta. Até ao próximo domingo, à hora do matabicho.
Forte da Casa, Portugal, 30 de Agosto de 2026










