Uma sociedade que limita as suas meninas e mulheres enfraquece o seu próprio potencial colectivo. Pelo contrário, uma sociedade que as incentiva a pensar, liderar, criar e transformar torna-se mais inteligente, mais humana e mais desenvolvida.

(RECADOS – 130)
Mais do que uma celebração, a instituição desta data representou o reconhecimento do papel – tantas vezes invisibilizado – das mulheres africanas nas lutas pela emancipação contra algumas das formas de dominação mais humilhantes da história da humanidade: a escravatura, o colonialismo e o apartheid. Foi uma homenagem às inúmeras mulheres que, em diferentes regiões do continente, ajudaram a reescrever a História de África na primeira pessoa. As suas lutas por direitos humanos, igualdade de género e melhores condições de vida continuam inspiradas nos valores que orientaram os movimentos de libertação: liberdade, humanização e universalidade.
O Dia Internacional da Mulher Africana não é apenas para bater palmas; é para “bater o ponto” na continuidade da luta pela emancipação do continente e dos seus povos. Para isso, importa atender ao apelo de Chimamanda Ngozi Adichie: “Precisamos encorajar mais mulheres a se atreverem a mudar o mundo” (2015). A autora sublinha a urgência de investir na educação das raparigas e das mulheres, criando condições para que desempenhem um papel activo na transformação das sociedades e desafiem estruturas tradicionais de poder.
Desde cedo, muitas meninas são desencorajadas ou silenciadas por crescerem em contextos que limitam a sua voz, autonomia e confiança. Essas experiências moldam padrões de autocensura, crenças limitantes e a percepção da própria competência para fazer o que “os meninos fazem” – ou ir além. Por isso, encorajar mulheres não é apenas uma questão social; é também uma necessidade psicológica, cultural e civilizacional.
No mesmo discurso, a escritora nigeriana defende que o futuro melhora quando as mulheres ocupam espaços de decisão sem precisarem de pedir permissão. Isso implica promover a independência económica, através do acesso a recursos, crédito e formação; assegurar a igualdade de direitos, combatendo todas as formas de discriminação e violência; e investir na educação para a liderança, garantindo o acesso universal ao ensino e uma maior presença feminina nos espaços de decisão.
No silêncio de muitas mulheres permanecem sonhos interrompidos pelo medo, pela desigualdade e por uma cultura que, durante demasiado tempo, lhes ensinou a diminuir a própria luz. Quando uma mulher é encorajada, apoiada e valorizada, não nasce apenas mais confiança: amplia-se o horizonte de toda a sociedade e uma nova possibilidade de futuro.
Esta é uma homenagem, sim, mas, sobretudo, um convite à continuidade das lutas. Porque há lutas que mudam de nome, mas nunca terminam.
Saúde, cuidados e coragem para continuar, as e nas lutas!
Kandando daqui!










