“ABRE-ALAS” PARA A PERCEPÇÃO

“Às vezes, abrir os olhos pode ser a coisa mais dolorosa que você teve de fazer”.

RECADOS DA CESALTINA ABREU (119)

Esta frase não se refere ao desconforto físico, como a dor ao movimentar os olhos ou ardência, sinal de fadiga visual, olho seco ou inflamações, o que aconselha a consultar um especialista para uma avaliação.

Ela utiliza a metáfora da desilusão e do despertar da consciência.

“Abrir os olhos” representa sair de um estado de ignorância, ilusão ou negação. Em vez do sentido físico, a metáfora simboliza o momento em que tomamos consciência de uma verdade difícil, de um relacionamento tóxico, de uma injustiça ou de uma realidade dura que estávamos evitando enxergar.

“dor” mencionada refere-se ao choque e ao sofrimento que acompanham a quebra de ilusões, pois, muitas vezes, é mais confortável viver na ignorância do que enfrentar a realidade nua e crua.

A verdade costuma ser difícil de encarar. É preciso coragem para enxergar a realidade quando a ignorância parecia mais confortável, pois aceitar os factos muitas vezes dói mais do que a própria mentira.

Num sentido mais amplo, a expressão “abre o olho”, aqui entre nós Jikulumessu – em kimbundu literalmente Jikula o mesu – é um aviso para se ficar atento, ser cuidadoso ou manter-se alerta em relação a alguma situação. É um conselho popular para não ser enganado, ou para perceber riscos antes que algo saia errado.

Tanto se usa em situações de risco financeiro: ‘abre o olho com esse investimento’, pesquise bem antes de investir o seu dinheiro, quanto em relações sociais: “Abre o olho com essa pessoa/nova amizade, não parece ser de confiança”. Ela funciona como um “abre-alas” para a percepção, indicando que se deve analisar melhor o que está acontecendo ao seu redor.

Nesta sexta-feira, Jikulumessu (abre o olho), tenha cuidado, esteja atento/a aos sinais em redor; particularmente aqui, na banda, temos muitos motivos para estar alerta!

Saúde, cuidados e coragem para não ‘nos distrairmos’‘pois  Camarão que dorme, a onda leva’ (expressão bem nossa, também). 

Kandando daqui!

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