NGALULA MUKUBA
Retalhos da história da crise. Causas e consequências que promoveram a queda de Nicolás Maduro.
A pobreza imposta por conta de sucessivos regimes de sanções gerou a crise económica na Venezuela, e foi promovida pelos EUA e aliados europeus.
A Venezuela sofreu um regime de sanções, incluindo as suas reservas internacionais tomadas por americanos e europeus. Não havia dúvidas de que, mais cedo ou tarde, o regime exauriria até a completa obliteração.
Externamente, o regime dava a ilusão de que estava preparado para confrontação, mas não passava de mera ilusão: por dentro era tudo “oco”.
A Venezuela não se poderia aguentar por muito mais tempo sobre um regime de sanções imposto pelo Ocidente; logo, tal imposição, provocou muita instabilidade para o país. Não nos esqueçamos que o regime de esquerda de Nicolás Maduro, opositor ferrenho do Ocidente liderado pelos EUA, potência imperial, considerado por ele viu-se a braços com uma série de instabilidade de âmbito social, político e económico, o que levou todo um povo a confrontar o regime.
Os EUA ganhavam tempo e testavam a paciência, sem precisar de deslocar o exército para derrubar o regime. Por seu lado, as forças aparentemente leais a Maduro estavam exauridas com ele (Maduro), e já revelavam certo desgaste no que tange a lealdade ao regime os EUA. Tinham noção de tudo que ocorria nas forças Armadas Bolivarianas (exército venezuelano), sobretudo na cúpula do alto comando militar e nos serviços secretos. Aliás, não foi em vão: quando um vaso de guerra da marinha dos EUA se aproximou na costa maritima da Venezuela, já se tinha certeza que estava em preperação a captura de Nicolás Maduro. O país estava mapeado e esquadrinhado detalhadamente. Maduro praticamente foi entregue de bandeja ao seu principal inimigo.
Tudo foi meticulosamente preparado e Maduro foi traido e entregue como um tofeu aos americanos, apesar de algum derramamento de sangue, sobretudo de efectivos cubanos que faziam a sua protecção.
A instabilidade social imposta por conta do regime de sanções, visou o estragulamento e o descrédito do regime que, em consequência, passou a enfrentar as piores ondas de agitação social contra o seu governo.
Em qualquer análise sobre a crise venezuelana, devemos ter em conta o regime de sanções imposto pelo Ocidente, com os EUA no comando. Maduro foi resistindo a tudo e todos, e não só, incluindo uma série de países latinos americanos, sem ligitimidade, interferiram nos assuntos internos da Venezuela, ao ponto de terem proposto a captura de Nicolás Maduro e levá-lo a julgamento, ou a “corte Internacional”, como se de um vulgar criminoso se tratasse.
A crise instaurada na Venezuela foi pelo facto do país latino americano possuir as maiores reservas de petróleo do mundo, o que sempre provocou a cobiça do Ocidente, sobretudo dos EUA e dos latinos americanos (vizinhos) que mantinham relações hostis com o regime de Maduro. Tudo fizeram para que o regime caísse, interferindo e influenciando inclusive, nos processos eleitorais, que, na sequência da instabilidade gerado, contribuiram para o desgate da imagem de Maduro, sobretudo no exterior e que foram peça funcional na queda do regime.
A Venezuela como país soberano, é livre de estabelecer relações diplomáticas à luz dos seus interesses. Mas, a decisão de estatizar o sector petrolífero acabou por irritar os EUA, que achou a medida venezuelana como uma provocação e ameaçã aos seus interesses.
Para os EUA, todos os países que não estão alinhados com os seus interesses, como no caso venezuelano, são considerados inimigos da América. Nesta senda, o país da América do Sul que mais mostrou lealdade canina foi a Argentina, de Javier Milei, que lidera a direita conservadora daquele país sul americano, que até chegou ao ponto de apelar a captura e a consequente prisão de Nicolás Maduro e o seu julgamento por uma corte internacional, como se fosse um vilão, quando na verdade, a causa da crise na Venezuela, é resultado da intervenção do Estado (regime) no controlo das suas enormes reservas petrolíferas.
Maduro estava rodeado de muitos inimigos internos e externos, e esteve vulnerável durante todo o período de gestão de Nicolás Maduro. Até a sua captura, só não foi morto porque a decisão de o matar poderia transformá-lo num mártir, num verdadeiro defensor dos interesses da Venezuela que morreria com arma na mão, que desafiou uma potência como os EUA. Para América, não interessava a sua morte mas sim algo mais interessante, como foi a humilhação por via da sua captura vivo no palácio onde pensava que estava seguro, e a sua exibição ao mundo acorrentado, diante dos holofotes internacionais. Um espectáculo que feriu o direito internacional, mas acabou por promover o prestígio das forças Armadas dos EUA, servimndo ao mesmo tempo como um recado para as lideranças de todos os países que ousam ‘desafiar’ a autoridade e a influência do sistema americano.
O caso dos ataques ao Irão, são a extensão desse posicionamento que colide com a Carta das Nações Unidas sobre a soberania e o direito de autodeterminação das nações e dos povos.










