O Processo do 27 de Maio de 1977 vai a enterrar com o general Onambwé?

Com o falecimento do general Henrique de Carvalho Santos Onambwé (ocorrido hoje) e do general Ludy Kissassunda, os processos dos presos e dos fuzilados desaparecidos de 27 de Maio vão a enterrar também? 

Depois do Chefe do Executivo ter atribuído medalhas de heróis nacionais a torturadores, que ordenaram que se atirassem os fuzilados ao mar e ao rio, ainda restam dúvidas? Pessoalmente não me resta qualquer dúvida. 

– Foi recusada a certidão de óbito com a causa da morte do Dr. Tilu Mendonça, alegando ter sido alterada (recentemente) a lei;

– Foi-me recusada a consulta ao meu processo;

– A Dra. Luzia Sebastião (Gi) e a sra. Alcina Dias da Silva, que me acusaram na minha cara, ao lado do general Onambwé, dizem que não estavam lá (eram fantasmas);

– O ‘Relator’, (assim o denomino, porque era quem estava a escrever à mão o que eu respondia) diz que já não se lembra se estava lá.

– Daqui há pouco eu nunca existi . 

Enfim! Ficaram com muita pena de não me terem liquidado no dia 29 de Maio de 1977 e para me calar, querem agora assassinar a minha credibilidade. Mas será em vão. 

Quem irá acreditar em sentenças encomendadas, de uma justiça que está tão manchada? 

Todavia, como pessoa de bem que sou, tenho que reconhecer, que se eu não fosse interrogada pelo general Onambwé que era um intectual, hoje não estaria aqui para contar a história. Todos os que foram interrogados por básicos, desapareceram sem deixar rasto. 

Descanse em paz general Onambwé. Só Deus lhe pode perdoar!

MARIA LUISA ABRANTES

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