Melhorar o que está bem e corrigir o que está mal

Quero cumprimentar os meus amigos e seguidores e todos aqueles que passem, a partir de hoje, a ser leitores da coluna JAcQUEs TOU AQUI!, no figurino que se apresenta em fase nova da sua existência. Uma mudança forçada por imponderáveis que, neste e noutros casos, transformam questões sérias e decisivas para o nosso futuro em factos corriqueiros, aos quais, geralmente, quem devia não dá a devida importância, acabando por contribuir negativamente para o estado miserável em que se encontra mergulhada a sociedade angolana. Preocupa-me a tamanha insensatez que se faz presente nos inúmeros actos praticados em todos os sectores da vida e em todo o território nacional, como a desmedida frequência com que eles acontecem, realçando a incompreensível impunidade que cerca como rede de protecção, os responsáveis pelas mais bizarras situações, criadoras da cristalização das mentes da população, ajudando a formar o carácter doentio do qual resulta o condenável espírito de deixa andar e do resignado pensamento de que assim é que estamos bem.

Apesar de me ter sido fechada, sem réstia de respeito, a porta que me conduzia ao encontro dos leitores, abre-se agora e por razões consabidas, uma outra mais ampla, uma outra oportunidade de afirmação para a minha coluna, nascida – é sempre bom lembrar – de uma irónica frase construída pelo inesquecível “mais velho” Antero de Freitas, e espicaçada pelo subtil e fino humor de Orlando Rodrigues, já lá vão muitos anos. Para o primeiro e à sua memória, deixo aqui bem expresso o meu profundo respeito e saudade e, para o segundo, fica a marca da amizade e consideração que lhe dedico.

Inicio este novo ciclo com uma notícia agradável. A adjudicação da obra que transformará a antiga Assembleia Nacional (edifício que no tempo colonial foi o Cinema Restauração, incorporando na sua estrutura o “especial” Cine-Estúdio), em Palácio da Música e do Teatro. O orçamento para essa obra, ronda os noventa milhões de dólares americanos. Muito dinheiro disponibilizado para a empreitada. Contudo, a causa cultural é merecedora desse esforço e assim sendo, vai certamente valer a pena. Por essa razão, aplaudo a decisão do Executivo angolano.

Entretanto, foi assinalado mais um 11 de Novembro, que me encontrou desta feita, longe do país. Passados 46 anos sobre o dia em que lançamos o brado forte do nosso contentamento, festejei não com a mesma alegria, mas com a mesma esperança pelo futuro. Muitas mensagens de esperança trocadas e a certeza de que, sempre valeu a pena o sacrifício e o querer. O mesmo querer e firmeza que coloco à disposição do objectivo que guia JAcQUEs TOU AQUI!, desde a primeira hora. Defender causas da vida social e económica de Angola e da sua população, principalmente das camadas mais desfavorecidas; pugnar pela verdade e denunciar a intriga, as injustiças, as mentiras, os desvios, os roubos, os erros e omissões dos cidadãos que lesem a sociedade e o nosso enfermo projecto democrático. Condenar actos e práticas erráticas de cidadãos, instituições ou de membros da sociedade civil torna-se pois, para mim, um dever, uma obrigação. Enfim, lutar pelo estabelecimento em Angola de um novo ciclo de governação que nos aproxime do sonhado e muito reclamado Estado Democrático e de Direito, será uma espécie de sacerdócio. Para isso, sirvo-me das únicas armas que sei utilizar, ou seja, o pensamento e a palavra dita ou escrita, nesta luta cada dia mais desigual, por isso mais difícil. Uma luta que nos surpreende em cada etapa do seu desenvolvimento, pelo carácter ou pela falta dele, de cidadãos oportunistas, pouco sérios, alguns em quem o povo confiou para assumirem altas responsabilidades, jurando honra e fidelidade à Pátria e aos seus compatriotas. É, pois, com intenção bem clara, que utilizo na epígrafe desta crónica a bandeira agitada pelo Presidente João Lourenço, no acto de tomada de posse do alto cargo que exerce. É movido por esse espírito que através da coluna JAcQUEs TOU AQUI!, continuarei a dar o meu contributo ao país, utilizando o direito de cidadania que a Lei Magna consagra e me concede, estando sempre aqui, para alertar os meus compatriotas para o que, do meu ângulo de visão, se torna, de facto, necessário melhorar e corrigir. 

E, desde logo, exigindo ética e dignidade na acção dos actores políticos, tanto aos afectos à situação como aos partidários da oposição. Afinal de contas, são eles os motores com a força que poderá empurrar esta máquina chamada Angola, tanto para o sucesso como para o precipício, donde, devemos admiti-lo, estamos a curta distância, apesar das notícias animadoras que nos chegam a propósito da superação da recessão económica. Decididamente, outro êxito do Executivo chefiado por João Lourenço, porém com os números do crescimento anunciados a não compatibilizar-se com as notadas necessidades primárias da população. Portanto, o momento é convidativo para que todos, líderes, responsáveis e cabos eleitorais, politólogos e analistas, influenciadores da opinião pública no geral, círculos onde habita gente saída definitivamente da obscuridade, todos vejam o país de modo diferente. E lembrar que se torna imperioso admitir que se registou uma mudança drástica dos comportamentos das pessoas em Angola. Os tempos e os desafios com que os partidos se deparam para a conquista do voto são outros e o eleitorado de hoje é mais jovem e dinâmico e, sobretudo, muito mais inteligente. Não se deixa enredar pela intriga política velha, bacoca e mal engendrada. Hoje mais do que nunca, a política tem que ser exercida por gente inteligente, com tarimba e crédito na sociedade, que não veja nos partidos réplicas de salões de festas para se mostrarem, divertirem e atingir fins inconfessos, ou ainda rampa de lançamento de familiares e amigos para a promíscua ribalta dos negócios e da política. Resumindo, um político inteligente tem que, necessariamente, diferenciar a árvore da floresta, como bem refere Gustavo Costa no artigo que assina esta semana no Novo Jornal. Vai ao encontro do que alguém famoso dissera em certa ocasião: Não deixemos que uma pequena e mesquinha árvore, esconda a imensa floresta que dignifica o nome de um país.

Despeço-me com as habituais saudações a todos os leitores e amigos. Saúde e bem-estar para todos, com a promessa de esperar por vós no próximo domingo, à hora do matabicho.

Lisboa, 14 de Novembro de 2021

4 Comments
  1. E cá estamos kota Jaques, sempre a seguir-lhe… muita saúde

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