ASSESSORES DO PR CONCORDAM COM PARCERIA RECREDIT/FUNDO SOBERANO

PARA CONTINUIDADE DO PROJECTO IMOBILIÁRIO NA CHICALA

MARIA LUÍSA ABRANTES*

Segundo o Novo Jornal, de  2 de Maio de 2026, o Presidente da República autorizou a criação de uma sociedade entre a RECREDIT – Gestão de Activos, S.A e o Fundo Soberano, para assegurar a viabilização econômica, jurídica e gestão do projecto imobiliário “Flat Veleiro”, na Chicala. Mas que confusão é esta Sr. Presidente? 

Em torno dessa decisão, muitas questões intrigantes se colocam:

⁠Será que é para a RECREDIT recuperar o que eventualmente o Fundo Soberano iria investir?

Ou será para que a RECREDIT possa também injectar o pouco que recuperou das dívidas ao BPC, do  “Tulumba”, defuntos, etc…, etc… e companhia? 

O que é que a RECREDIT tem a ver com com a gestão de investimentos imobiliários, ou com investimentos imobiliários? 

Recordamos que RECREDIT foi criada a coberto do Despacho Presidencial n.º 192/16 de 24 de Junho, para aquisição, recuperação e gestão de activos financeiros MAL PARADOS de crédito bancário devido ao BPC, que por sua vez foi recapitalizada  várias vezes, com dinheiro do Estado,  (Segurança Social dos trabalhadores em geral e das Forças Armadas). 

O Despacho Presidencial n.º 133/18, de 22 de Julho, apenas refere a transformação da RECREDIT em sociedade “pluripessoal”, enquanto o Decreto Presidencial n.º 173/23 de 15 de Agosto, redefiniu o seu prazo de vigência, que passou a ser por tempo indeterminado. 

Em função dessas inconformidades legais porque é que os assessores do Presidente da República não se demitem? 

Das duas uma: ou aceitam que são mesmo incompetentes, ou tem receio de perder os cargos, porque sem eles não têm como exercer o tráfico de influências, nem como apoiar negócios ligados a sua  entourage, nem como promover a nomeação de amigos para outros cargos satélites. 

Mas, ⁠até quando os angolanos de bem vão baixar a cabeça envergonhados? 

O Presidente da República e o seu Executivo são apenas nossos servidores, logo, deveriam obrigar-se à boa gestão e prestação de contas da utilização dos dinheiros públicos com transparência, o que não tem acontecido. Estão a fazer dos contribuintes angolanos (patrões dos membros do Executivo) de palhaços.

*PHD em Direito Financeiro e Direito Económico e MD em Ciências Jurico-Econômicas e Finança Internacional 

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