POSTAL DO KINAXIXI

Em Cabo Verde, a governança pensa Povo, trabalha para o Povo. Em Cabo Verde não se usa os recursos do Estado nem os órgãos de soberania, como os tribunais, ao serviço de um partido político. Em Cabo Verde não se faz sair tanques de guerra nem polícia de intervenção rápida, para atacar manifestações ou travar a pretensão legítima de um cidadão exercer os seus direitos constitucionais.
Assim que o caro leitor poisar os olhos sobre o título em epígrafe, será tentado a dizer que estamos a sonhar muito alto. Porém, o caro leitor estará ciente da sabedoria proverbial que estimula o ser humano a expandir a esperança: SONHAR NÃO É PECADO. Já dizia o poeta português António Gedeão, no poema Pedra Filosofal, que “o sonho comanda a vida”.
Então, porque não sonhar que Cabo-Verde, um arquipélago com apenas 4.033 km², distribuídos por 10 ilhas, das quais nove são habitadas e com uma população de 529.523 habitantes, depois do show de bola com que nos brindou ontem frente à poderosa Espanha de Lamine Yamal, pode chegar à final e até ganhar o Mundial?
Assim como os homens não se medem aos palmos, também os países não devem ser medidos, no seu potencial futebolístico, pela sua grandeza geo-populacional. No futebol, conta mais o talento do que o prestígio económico ou militar.
Mas conta também a forma como o poder comanda os destinos do país. Cabo Verde é, no seio dos PALOP, o único país onde se respira Liberdade Política, onde há alternância. Nos outros quatro (Angola, Moçambique, Guiné Bissau e São Tomé), com mais incidência nos três primeiros, existe, desde a Independência, um estado de Guerra Civil que impede a concretização do sonho mais alto da luta de libertação: a construção da Nação.
Cabo Verde sonhou e sonha alto. É uma pequena Nação, sem diamantes nem petróleo, mas com o melhor sistema de Educação do grupo dos PALOP. Este aspecto qualitativo da governação é crucial para determinar a felicidade do seu povo. O resto vem por arrasto. Mas, o factor mais importante para êxitos como o empate de ontem contra a poderosa Espanha, é a FRATERNIDADE que existe na alma do seu povo e que desce das forças dirigentes cabo-verdianas.
Em Cabo Verde não se faz sair tanques de guerra nem polícia de intervenção rápida, nem se mobiliza drones no céu para atacar manifestações populares ou travar a pretensão legítima de um cidadão exercer os seus direitos constitucionais.
Em Cabo Verde não se usa os recursos do Estado nem os órgãos de soberania, como os tribunais, ao serviço de um partido político.
Em Cabo Verde, a governança pensa Povo, trabalha para o Povo. Cabo Verde respira FRATERNIDADE e entre-ajuda. O hino do país tem esta letra:
“Canta, irmão
Canta, meu irmão
Que a liberdade é hino
E o homem a certeza”.
Depois do resultado obtido ontem, elevemos a nossa alma até à alma da nação cabo-verdiana e sonhemos todos com o troféu mais alto do Mundial de Futebol.
SONHAR NÃO É PECADO!










