VEGETANDO POR AÍ…
Contrariamente ao que certo governante afirma, a questão que se põe não é o novo Aeroporto Internacional António Agostinho Neto nem a distância, e o cepticismo em torno dele, resulta das descredibilizadas acções de quem governa. E este caso é um exemplo, porque decorridos quase dois anos após a sua inauguração, o que se fez para facilitar a vida de quem parte, de quem chega ou de quem trabalha lá, não produziu impacto. A interrupção da circulação do comboio de ligação entre o Bungo e a Gare, a mistura de camiões carregados até de água com turismos e motorizadas transportando ‘passageiros’ nas vias de Viana (Deolinda Rodrigues), Cacuaco e na Fidel de Castro, ou os peões que atravessam em qualquer lado, são constrangimentos e factos que terão influência negativa.

Num domingo, 19, a TAAG deixou de operar no Aeroporto 4 de Fevereiro com 61 anos, e se mudou, em definitivo, para o Aeroporto Internacional António Agostinho Neto (AIAAN), que por justiça, deveria chamar-se José Eduardo dos Santos ou, se continuassem a achar desmerecedor, Icolo e Bengo. Mas, as demais companhias, de ligações internacionais, continuarão lá por mais algum tempo, quiçá meses, porque a mudança dessas não obedece só ao desejo ou imposição do Governo angolano, por via do Ministério dos Transportes. São outros quinhentos…
No mesmo dia, 19, no domingo passado, num comunicado, a empresa “Caminho de Ferro de Luanda E.P informa os passageiros, utentes e público que a circulação dos comboios regulares de passageiros no troço entre a estação do Bungo e o Terminal Ferroviário do Aeroporto Internacional António Agostinho Neto será retomada logo que estejam reunidas todas as condições de segurança necessárias”. Mas não diz quando foi interrompida essa circulação. Já as condições referidas são, “a construção de novas passagens pedonais e a reabilitação das existentes, medidas essenciais para prevenir acidentes e melhorar a fluidez do tráfego ferroviário”.
No dia seguinte, 20, segunda-feira, Énio Costa, presidente do Conselho de Administração da Agência Nacional dos Transportes Terrestres, por via da RNA, anunciou que entre as tais “intervenções em curso para a prossecução deste objectivo, destaca-se construir novas passagens pedonais e a reabilitação das existentes, medidas essenciais para prevenir acidentes e melhorar a fluidez do tráfego ferroviário” trabalho que “levará cerca de três meses”. Ou seja: só lá para Janeiro/Fevereiro ou Março de 2026, estarão concluídos e os passageiros e trabalhadores poderão socorrer-se do importante suporte do comboio, para chegar ou sair do aeroporto (e não só). E entre a data em que se decretou a interrupção do comboio de ligação e a previsão do retorno, é preciso recordar também, põe-se a quadra festiva, com milhares de passageiros que chegam a Luanda ou se deslocam quer para o interior, quer para o estrangeiro utilizando a aldrabona da TAAG, que não presta serviço correspondente ao que se paga.
Só para recordar ainda a quem nos considera cépticos, cinco dias antes da inauguração do Aeroporto Internacional, a 10 de Novembro de 2023, o Chefe do Estado da Nação, Presidente da República de Angola, general João Lourenço, percorreu, de comboio, os 45 (ou 51?) km que separam a estação ferroviária do Bungo (Baixa de Luanda) à Gare do Aeroporto Internacional Dr António Agostinho Neto, em Icolo-e-Bengo, que por mim, se deveria chamar José Eduardo dos Santos, por ser o pai do projecto, mas assim não entendeu quem ele indicou para o substituir. O objectivo da visita de campo do Chefe, foi, vejam só, “verificar a evolução das obras de segregação da linha férrea, que atravessa áreas densamente povoadas com implicações negativas para a circulação dos comboios”. Que agora, impedem a circulação do comboio.
Instalado na cabine da locomotiva da composição ferroviária, o Chefe do Estado da Nação avaliou então o já feito pelas empresas encarregues da empreitada, e o que ainda restava fazer, para instalar segurança e ordem ao longo do corredor ferroviário. Mas, recordo ainda, citando o jornal de Angola (JA) na sua edição de 6 de Novembro de 2024, reportando uma entrevista concedida pelo mesmo Énio Costa, àquela data, “muitos dos trabalhos estão, ainda, em curso, nomeadamente a efectivação da sinalização e o serviço de telecomunicações”. E esclareceu que, “relativamente às estações ou paragens do comboio, observa-se a fase de recepção provisória das infra-estruturas, prevendo-se a inauguração das mesmas a partir do segundo semestre deste ano”. Portanto, até Dezembro de 2024, fim do segundo semestre, no máximo.
Mas, quase dois anos depois da visita e da intervenção do Presidente da República, o balanço demonstra que o comboio onde ele andou não funciona, que os mesmos problemas continuam ao longo da linha e que, portanto, o passageiro, o cidadão beneficiário terá que se virar com os candongueiros, mixeiros, vigaristas, trambiqueiros, cavilheiros e também ladrões que operam nesse circuito de transportes… no país que pretende atrair turistas.
Na ocasião, o mesmo Énio Costa assegurou ao JA, que “das onze estações existentes ao longo do trajecto entre o Bungo e o terminal do novo Aeroporto Internacional, no Distrito Urbano de Bom Jesus, somente cinco beneficiaram de obras de grande dimensão”.
A decisão de não submeter todas as estações a obras de requalificação, segundo o mesmo PCA, devia-se ao facto de as intervencionadas (Bungo, Musseques, Viana, Baía e Novo Aeroporto) estarem projectadas para fazer a conexão com outras províncias. Por isso, disse, têm a dimensão que têm. “Nem todas as paragens do comboio carecem de intervenção. O que precisamos, para as demais estações, são somente pequenos equipamentos para a protecção dos cidadãos”, explicou. Mas, afinal, só agora, com a transferência da TAAG, quase dois anos depois da inauguração do AIAAN, se decidiu pegar nesses tais “pequenos equipamentos”.

RODOVIA CIRCUNDANTE ZANGO-EN 230
Num segundo momento da sua missão de campo nesse dia, o Presidente João Lourenço, viu “de perto as obras da estrada que bordeia o novo aeroporto, ligando o Zango 8000 à Estrada de Catete, por altura do km 44. A rodovia começou a ser executada em Julho último (2024) e deverá ser concluída no próximo ano (2025)”.
Disseram também que, “a via em construção visa contribuir para um trânsito mais fluído para as populações residentes no Pólo Sul da capital (Benfica, Talatona e Zangos) nas suas futuras deslocações ao novo aeroporto e vice-versa, sem precisarem de o fazer pela Via Expressa Fidel Castro”. Previram, certamente, o engarrafamento causado pelos camiões cisternas que se abastecem de água nas mangas do canal do Kikuxi, que tinham que ser construídas logo ali, escassos metros de uma via rápida (Expressa Fidel Castro). Decisão inteligente, sem dúvida, porque não tarda, surgirá ali um buracão, longas filas de engarrafamento, até que a via seja encerrada. E quem não quiser perder o voo no novo aeroporto, o melhor será optar por dar uma volta maior, seguindo pela circundante Zango-EM 230, entretanto, inaugurada ontem (20). Quem sai da centralidade do Zango 8000 em direcção ao Novo Aeroporto Internacional já pode contar com uma rota mais rápida e directa.
Como que para melhorar todo esse “nosso ambiente de negócio” agentes da Polícia Nacional, nos últimos dias, saíram à rua para realizar operações stop (em Luanda particularmente, mas também em Benguela e no Sumbe), e a executar multas a quem não fez a reinspecção do seu veículo. Mas quem tem recorrido aos serviços de viação e trânsito da zona do Palanca, diz que por lá, não há “sistema” há duas semanas.
No meio de todas essas constatações, o que é novo afinal? Absolutamente, nada. Já sabemos que este é o melhor país para investimento. Porque quem nos governa não complica. Simplifica! Nós é que só vemos complicação em tudo. Como na falta de ligações de e para o novo aeroporto.
Mas, outro aspecto a considerar é que até que se complete o ciclo de mudança do 4 de Fevereiro para o AIAAN, quem ganhará serão as companhias estrangeiras que por mais algum tempo permanecerão no das ‘catanas’, porque serão opção de quem não quer aborrecimentos, embora do Benfica ou do Kilamba, em horas de ponta, também se leve quase duas horas de combate contra o trânsito rodoviário nem sempre ordenado. A diferença está somente, na distância, porque para se chegar ao que está próximo ou no que está longe, as dificuldades são as mesmas. E o cenário para lá até ajuda a perceber a mistura da degradação social e do desenvolvimento comercial chinês. Só não sabe disso quem anda em veículos protocolares com vidros fumados equipados com sirenes ou acompanhado de batedores. E ainda bem que não é a maioria, senão a bagunça seria outra e pior.
Analisando todas essas questões, não sabemos mesmo se o que se pretende é salvar a TAAG que já anda falida, ou se não acabaram por colocar mais um prego no tampo do seu caixão, com mais sacrifícios para nós que no fim, pagamos sempre a conta. Incluindo, se, por razões inimputáveis, não conseguirmos chegar no horário para o embarque. Aí põe-se outra despesa na negociação do novo embarque, porque a TAAG, ‘filha alheia’, não tem culpa de que alguém tenha metido a carroça à frente dos bois, no tempo do Presidente José Eduardo dos Santos ou no de João Lourenço.
Ora, se isso não mata o cidadão, no mínimo desgasta até porque sabemos e há exemplos, de que quando o poder quer mesmo resolver problemas, resolve-os. Basta ver que, 15 anos depois da sua inauguração e graças à vinda da selecção de futebol da Argentina para os festejos dos 50 anos de independência, se consegue dar um banho ao Estádio 11 de Novembro. Ora aí está: este Governo e o seu Chefe, são especialistas em trabalhar para ‘inglês ver’ e nesses casos, não se importam de baixar… baixar… baixar, até mostrar as cuecas. Comportamento típico dos complexados e descomprometidos com a sua própria causa, porque o objectivo primeiro de uma governação patriota, é trabalhar para a satisfação das necessidades e do desenvolvimento do seu povo. As festas e os foguetes não devem constituir prioridade. Ficam para o fim e se o resultado justificar.











