
RECADOS DA CESALTINA ABREU (35)
“Arames farpados não intimidam passarinhos que sabem voar”
A metáfora “arames farpados não intimidam passarinhos que sabem voar” simboliza que obstáculos, limitações físicas ou medos (o arame) não detêm quem conhece o seu próprio potencial, a medida da sua liberdade, e a sua capacidade de superação (o voo). É uma metáfora sobre resiliência, autoconfiança e foco nas habilidades próprias em vez de se deixar intimidar pelas dificuldades.
O arame farpado foi feito para ferir, para marcar território, para ensinar medo a quem tenta atravessar. Ele simboliza a ‘linguagem muda’ das cercas, o aviso “não passe”, a memória de quem aprendeu a defender o que tem com espinhos e distância.
Quem desenvolve “asas” (habilidades, inteligência, coragem) não se deixa prender por barreiras externas. Os problemas da vida (arames farpados) podem existir, mas não prendem quem se sente livre mentalmente, e desenvolveu asas. O foco no objectivo permite ultrapassar limitações, sem medo da dor ou das cercas impostas. Em vez de focar na “cerca” (reclamar dos problemas) – até porque não pode controlá-la -, o passarinho foca na sua capacidade de “voar” (agir e encontrar alternativas).
Há dias em que a vida parece uma cerca inteira, com farpas apontadas para todos quantos se aproximam: palavras que cortam, olhares que diminuem, lembranças que preferíamos esquecer. Muitas vezes, nessa hora, nos perguntamos se vale a pena continuar. Do nosso íntimo vem a resposta: para/pousa, reorganiza, aprende e, então, segue.
Quando a liberdade mora dentro de nós, a ‘prisão’, qualquer prisão, perde autoridade. O medo pode gritar, a estrada pode estreitar, a noite pode pesar. Quem sabe voar encontra passagem, encontra altura, ‘encontra-se’ no andamento calmo de quem não desiste de seguir em frente.
Neste primeiro dia de Março , votos renovados de saúde, cuidados e coragem para não nos intimidarmos com os problemas do dia-a-dia, confiando na nossa capacidade de superá-los e seguir em frente. Importa não esquecer que a pergunta nunca é sobre o arame, farpado ou não! A pergunta deve ser: sabe voar? Que tipo de pessoa escolhemos ser: a que reclama da cerca, ou a que aprende a voar?
Kandando daqui!











