O Presidente da República, João Lourenço, visitou ontem (13) as obras de construção da Refinaria do Lobito, no âmbito do acompanhamento da implementação dos projectos estruturantes do sector energético nacional, e da preparação para a inauguração da primeira fase dessa importante infraestrutura, prevista para Dezembro de 2027.
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Com capacidade para processar cerca de 200 mil barris de petróleo bruto por dia, quando estiver em pleno funcionamento, o Presidente da República constatou que o nível de execução do projecto apresenta já um progresso físico de cerca de 23 por cento (-9% do previsto). Mas, recebeu também informações sobre o desempenho financeiro que ronda os 20 por cento (dos 24 planeados), na ordem dos 3,8 mil milhões de USD (CAPEX). Desse montante, 1,4 mil milhões constituem fundos próprios da Sonangol, incluindo cerca de mais 330 milhões de dólares destinados à aquisição de equipamentos de fabrico de longo prazo, para assegurar o cumprimento dos prazos estabelecidos.
De acordo com nota do Gabinete de Comunicação da Sonangol, os progressos registados pelo Presidente da República conformam o alinhamento ao cronograma com as metas definidas, para o reforço da capacidade nacional de refinação e a redução da dependência de importações de derivados de petróleo.
O Chefe de Estado foi recebido na zona de execução do projecto pelo ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo. Acompanharam-no o secretário de Estado para o Petróleo e Gás, José Barroso, o presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Gaspar Martins, e o governador anfitrião, Manuel Nunes Júnior, entre outros titulares de departamentos ministeriais e quadros do sector.
Durante o acto, que decorreu no anfiteatro, o ministro Diamantino Azevedo destacou a presença do Presidente da República como expressão do acompanhamento directo aos grandes investimentos estruturantes do país. Do mesmo modo, sublinhou que “a Refinaria do Lobito se insere numa visão estratégica de médio e longo prazo para o sector dos derivados do petróleo, orientada para reforçar a capacidade nacional de refinação, da redução da dependência externa e criação de valor acrescentado na economia”.
Na sua saudação, o governador Manuel Nunes Júnior salientou o significado institucional da visita, e considerou a Refinaria do Lobito um investimento estruturante com impacto no desenvolvimento económico e social da província. Destacou, ainda, o papel do projecto na valorização do Corredor do Lobito, enquanto eixo logístico e de integração regional.
Do mesmo modo, o director do projecto, Guiomaro Correia, apresentou uma exposição técnica sobre o desenvolvimento das obras, os principais marcos alcançados e as etapas subsequentes, até à entrada em operação da primeira fase.
De forma geral, a Refinaria do Lobito constitui um investimento estratégico no âmbito da política nacional de desenvolvimento do sector petrolífero, com impacto no reforço da segurança energética, da criação de valor acrescentado e do fortalecimento da base industrial do país.
Localizada na zona alta da cidade do Lobito e com ligação directa ao mar (por via de um terminal e de uma Mono Bóia-SPM Sealine), a refinaria deverá iniciar a produção faseada de derivados de petróleo em Dezembro de 2027, após a conclusão das unidades mecânicas e de um período de comissionamento e testes que terão início em Julho de 2027. Nessa fase, a refinaria, produzirá 23% da sua capacidade de Nafta, 1% de GPL, 3% de Jet A1, 27% de Gasóleo e 46% de Fuel-Oil.
Foi assegurada que essa produção inicial terá já impacto positivo na redução da importação de derivados, com destaque para o gasóleo. Numa fase posterior, já com a refinaria em operação, serão instaladas unidades permanentes de maior valor acrescentado, nomeadamente, o bloco de gasolina e outros, que permitirão aumentar também os níveis de produção de gasóleo. Assim, em Dezembro de 2029, a perspectiva é que a refinaria esteja a produzir 3% de GPL, 22 de gasolina, 2% de Jet A1, 51% de Gasóleo, 21% de Fuel-Oil e 1% de Enxofre.
A refinaria passará a dispor também de um sistema directo para atender as suas necessidades de água, sem dependência da rede pública, per si deficitária em termos de cobertura do município. Foi construída já uma central de captação e um dique de retenção no rio Catumbela, ligada à unidade de tratamento por uma conduta de 700/500 mm com cerca de 20 quilómetros (da zona de captação e da estação elevatória para as bacias de tratamento primário da água bruta).
A construção dessa importante infraestrutura na cidade portuária do Lobito já gerou cerca de 2.727 postos de trabalho (530 expatriados), dos quais 2.197 correspondem à mão-de-obra angolana, sendo que, mais de 1.200 trabalhadores são residentes na província de Benguela, que conta também com 23 prestadoras de serviço de um grupo de 74 empresas nacionais.














