
No pretérito sábado, 13 de Dezembro de 2025, o MPLA realizou, na cidade do Kilamba, uma actividade de massas presidido pelo seu líder, João Manuel Gonçalves Lourenço, que é, também, Presidente da República de Angola. Considero que fez um discurso-recado para o interior do seu próprio partido, clarificando muitas questões que estavam nas entrelinhas, mas, para os mais atentos, acabou por trazer mais preocupações de natureza política aos seus próprios camaradas.
Realmente, o recado de João Lourenço foi dirigido sobretudo para Higino Carneiro, e na presença de altas e históricas figuras do MPLA, como Roberto de Almeida. E foi notória a segurança na sua voz e, particularmente, quando disse que Higino Carneiro não tem resistência física e está com idade avançada para suportar o cargo de Presidente da República de Angola, pelo MPLA. Clarificando, deixou claro que diligências serão feitas, com o objectivo de encontrar um jovem inteligente, experiente, informado e de elevada bagagem política, a quem passará o testemunho.
Outro indicador constante nesse discurso de João Lourenço, é de que nada acontecerá no MPLA nesse domínio, sem o consentimento do seu presidente. Logo, a democracia nesse partido, não deve contrariar a vontade e o projecto dele mesmo. De recordar que, as deliberações do Congresso desse partido resultam do posicionamento maioritário dos delegados e membros, no decorrer das sessões de trabalho das comissões, segundo os estatutos do MPLA.
Do discurso do presidente do MPLA, subentende-se que Higino Carneiro poderá disputar sim a cadeira máxima dos camaradas com João Lourenço, mas nas condições de democracia eleitoral observadas no conclave da JMPLA, no qual se identificou um único candidato que estava qualificado pela cúpula desse partido. Sabe-se que os indivíduos que disputam os pleitos eleitorais nas estruturas do MPLA com suporte da sua direcção, são vencedores. Portanto, João Lourenço, neste caso, será o vencedor à própria sucessão quando for realizado o próximo Congresso do MPLA, porque Higino Carneiro, para manter a sua ambição de ser Presidente de Angola, terá que ser, em primeira instância, presidente do MPLA ou ser indicado por ele. Mas, para chegar a esse patamar, terá que saltar o muro bastante alto, denominado João Lourenço. O que não será fácil, reconheça-se, se vincar o seu projecto de bicefália.
Por outro lado, até ao momento Higino Carneiro não beneficiou de qualquer manifestação pública de apoio de qualquer fração dos membros do MPLA, muito embora ele tenha recursos financeiros que serão utilizados para as movimentações de bastidores. Contudo, seja qual for esse valor, será uma gota no oceano, se compararmos à dimensão do dinheiro e dos meios, incluindo do Estado, que estão ao dispor do MPLA.
O jogo está claro, a máquina que domina o MPLA travará Higino Carneiro a todo o custo. E os indícios já existem, com a intervenção da PGR ao tornar Higino Carneiro como arguido, num processo tido como fabricado, no sentido de se impedir a sua candidatura. E se condenado, sem oposição, João Lourenço terá toda a via de reeleição livre, podendo dar largas ao seu projecto de indicação de um candidato, pelo MPLA, mais jovem para a cabeça de lista do seu partido aPresidência da República. Pelo modelo teórico apresentado no Kilamba, a escolha pode estar inclinada para o actual Presidente da Assembleia da República.
O presidente do MPLA garantiu que o seu partido vencerá as próximas eleições que determinarão o sucessor de João Lourenço, na Presidente da República. Ora se já são ‘favas contadas’ e se os votos continuarem mal contados, como tem sido prática, a oposição pode tirar já o cavalinho da chuva, pois o MPLA vai contrariar a vontade do povo. E isso pode tornar-se perigoso para a estabilidade, já que, poderá levar-nos a uma convulsão social grave. Há já indícios no dia a dia, de agressões verbais e físicas nas ruas, sinais de forte descontentamento à gestão do governo do MPLA.
Se atendermos aos procedimentos habituais na contagem dos votos e na divulgação dos resultados eleitorais, será necessário que os partidos da oposição se apresentem consertados nas suas posições de, antecipadamente, se evitar a fraude.










