A VERDADEIRA PAZ É UMA CONSTRUÇÃO ÉTICA

RECADOS DA CESALTINA ABREU (45)

“Para uma guerra bastam as armas, fazer a paz exige mais, reflexão, humildade, boa vontade, senso de humanidade”.

Esta é uma reflexão do Armandinho numa iniciativa de diálogo com o Discurso da Paz do Papa Francisco. Em destaque a ideia de que a destruição é fácil e rápida, exige apenas força bruta e/ou meios técnicos (armas). É o caminho da menor resistência, focado em impor a vontade de um pela força. 

Fazer a Paz exige mais, porque implica um processo complexo, activo e contínuo de construção, etapa a etapa, que requer esforço, persistência, inteligência e superação de egoísmos. Comparando, sublinha também que a guerra é fruto de impulsos destrutivos, enquanto a paz exige valores humanos profundos e diálogo, não apenas a ausência de conflito. 

Temos ainda a ‘reflexão’, ou seja, a necessidade de analisar as causas raízes dos conflitos antes, e em vez de, reagir impulsivamente. A ‘humildade’ para reconhecer as nossas próprias limitações e erros, e a humanidade no “inimigo”, deixando de lado a arrogância. Também é necessária ‘boa vontade’, ou seja, disposição activa para buscar soluções, ceder e perdoar, passos essenciais para alcançar uma reconciliação. 

O ‘senso de humanidade’, também referido, é fundamental para que se reconheça o outro, ‘o inimigo’, como um igual, um ser humano com dignidade, e não como um objecto a ser eliminado ou um inimigo a ser odiado. 

Em suma, a frase é um convite a substituir a cultura do confronto pela cultura do diálogo e do cuidado. Ela enfatiza que a verdadeira paz é uma construção ética, exigindo coragem para dialogar, mesmo — ou principalmente — com adversários. Neste mesmo sentido, num Post recente, o Papa Leão XIV afirmou: “A guerra nunca é inevitável, as armas podem e devem silenciar, porque não resolvem os problemas, mas os aumentam; pois entrará para a história quem semeia a paz, não quem provoca vítimas; porque os outros não são inimigos a serem odiados, mas seres humanos com os quais dialogar”.

Nesta 5.ª feira, lembremo-nos, ainda, que nem toda a guerra é feita de armas. Às vezes, ela acontece dentro de nós, quando das decisões que precisam de ser tomadas e noutras batalhas que ninguém vê. E aí, apenas com sabedoria, estratégia e propósito, seremos capazes de alcançar o verdadeiro objectivo, que nunca é/foi vencer ‘a/o outra/o’, mas alcançar a paz interior, uma vida melhor. 

Saúde, cuidados e coragem! 

Kandando daqui!

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