
RECADOS DA CESALTINA ABREU (17)
“A força da alienação vem dessa fragilidade dos indivíduos que apenas conseguem identificar o que os separa e não o que os une” – Milton Santos
Nesta reflexão, Milton Santos alerta que as pessoas mais facilmente identificam o que as separa, o que favorece uma distribuição espacial em pontos opostos – ou, pelo menos distanciados -, seja em relação à ideologia, à religião ou a quaisquer outros aspectos da vida social, dos mais básicos como as relações de vizinhança, à acção colectiva, de cidadania; consequentemente, são mais facilmente alienadas, manipuladas, já que não desejam conhecer o que está além de si, dos seus, do conhecido, dos seus saberes já consolidados.
A fragilidade identificada por Milton Santos não é física, mas antes uma ausência / fraqueza de consciência crítica, comum quando as pessoas focam apenas no individualismo, em ideologias extremas ou em diferenças superficiais. Nas sociedades actuais, caracterizadas por um individualismo exacerbado, a manipulação social (alienação) torna-se manifestamente mais forte, porque os indivíduos se concentram no que os separa (egoísmo, diferenças), em vez de olhar para o que têm em comum, que potencialmente os pudesse aproximar, unir. Essa fragilidade emocional e de consciência social permite que grupos dominantes dividam a população, dificultando acções colectivas contra problemas comuns.
A alienação advém das diferenças, segundo Milton Santos. É o estado em que a pessoa perde a noção de si na vida social e na realidade política e económica, tornando-se manipulável. E resulta em sentimentos de impotência e de desamparo, que as fragilizam ainda mais. E para o comprovar, basta observarmos como momentos de decisão para uma nação inteira, como as eleições, polarizam as populações de modo irracional e fanático, enquanto o bem-maior, que seria a democracia para unir as pessoas numa perspectiva de um melhor viver partilhado, não é priorizado devido às diferenças.
A falta de união e a incapacidade de perceber e inserir-se no colectivo tem como consequência uma maior vulnerabilidade das pessoas a discursos enganadores, que mascaram a realidade e que as impedem de perceber a exploração a que estão submetidas. A alienação prospera quando o sentido de colectivo é fraco e o individualismo prevalece, pois é mais fácil controlar pessoas isoladas e focadas em conflitos pessoais do que grupos organizados com consciência crítica.
Bom início de semana! Saúde, cuidados e coragem para fazer a diferença, agir em colectivo, e contribuir para a transformação social que tanto precisamos.
Kandando daqui!











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gostei desta reflexão.