
VEGETANDO POR AÍ…
No quadro da satisfação do seu ego e de uma estratégia de todo em contra mão com o atendimento de prioridades que podem alavancar o desenvolvimento e, concomitantemente, reduzir os níveis de pobreza deste povo, sua Excia. o dono-disto-tudo vai inaugurar na segunda-feira, finalmente, após vários adiamentos, a sua menina de olhos bonitos no tocante a investimento público: o mamarracho, a que se atribuiu a designação de Centro de Convenções da Chicala.
Com tantas prioridades que este país tem, com tantas crianças fora do sistema de ensino, com tanta miséria, com tanto lixo pelos bairros e acesos péssimos, com falta de água e de luz, com falta de medicamentos, com tanta gente comendo nos contentores de lixo e morrendo de malária e paludismo; com tantos espaços que Luanda dispõe, um dos quais inaugurado recentemente e também afecto à Presidência da República, sua Excia. dono do país e seus auxiliares, propagam aos quatro cantos do mundo, que a obra integra-se na estratégia de captação do turismo de eventos. Mas que turismo, se até ao momento, todos os grandes eventos realizados pelo Governo de sua Excia. dono do país, foram quase que, integralmente, pagos por Angola? O que Angola, hotéis, restaurantes, agências de viagens, a TAAG e outros prestadores de serviços arrecadaram com a vinda dessas delegações, com dinheiro pago por eles e não com ordens de saque do Governo? Angola vai mesmo conseguir competir com a Etiópia, com a África do Sul, com o Egipto, com o Ruanda, Marrocos ou as Ilhas Maurícias, que para além das salas que dispõem, têm capacidade de oferecer melhor qualidade de serviços, e só para começar, de transportes básicos, como táxis?
É claro que o turismo é importante e pode constituir, como noutras nações, num importante sector impulsionador da economia, da captação de recursos e também num contribuinte de relevo e criador de postos de trabalho. Mas não nos enganemos só porque sua Excia. dono país viu o Centro de Conferências de Addis Abeba e quis um igual, ou melhor, em Luanda, para si ou para a Presidência da República. Não teria sido melhor iniciar essa captação de turismo de eventos com o que já se tem e com o ataque, primeiro a prioridades identificadas, fundamentais no equilíbrio do funcionamento da sociedade, da economia e das captações do turismo sem distinção ou discriminação?
Como está o desempenho de Angola, o mau ambiente de negócios, a falta de confiança no sistema de justiça, inexistência de factores impulsionadores da captação de investimento privado, o Centro de Convenções da Chicala não aquece nem arrefece a economia angolana. Trata-se apenas e só, de mais uma megalomania de quem manda.
Recordamos que esta obra milionária, iniciou como sendo um projecto de 250 milhões de dólares propriedade do empresário Sílvio Madaleno, e fruto das nossas denúncias de falta de transparência em todo esse processo, passou a edifício apenso à Presidência da República que ultrapassa os 300 milhões de dólares. E ainda assim, o valor sobre várias derrapagens e todo o processo esteve rodeado da tomada de decisões arbitrárias, como a expropriação ou abocanhamento de terrenos cuja valoração não foi contemplada, questões que farão rolar ainda muita tinta no pós-lorencismo. Lamentavelmente, não houve nenhuma comissão de sindicância da Assembleia Nacional. Também pudera… com maioria do MPLA, de nada adiantaria.
A manutenção, é outra das grandes preocupações que se levanta, mesmo com subordinação à Presidência da República, que pelo menos não se queixa da falta de recursos. Construído à beira-mar, sofrerá permanentemente desgaste provocado pela salitre. E se hospitais, mesmo os mais bonitos e bem apetrechados de tecnologia moderna, têm gestão sofrível, imagine-se o caso desse mamarracho que, ao que tudo indica, será mais um elefante branco sorvedouro do dinheiro dos contribuintes. Não tarda, provavelmente, alguém inventará mais um imposto para cobertura dessa despesa porque, tenho dúvidas que algum dia esse mamarracho, com o tal turismo de eventos de luxo pagos por Angola, arrecadará recursos suficientes para sua própria auto-sustentação.
Mas, enfim… quer nós, quer sua Excia. dono país, estaremos por cá para vermos o final deste filme de terror. Mas só os recursos gastos para a construção da ponte e das duas vias de ligação ao mamarracho, davam na certa, para resolver muitos problemas com que se debate a Educação, que inicia mais um ano lectivo com grande défice de salas de aulas.
Fazer o quê com gente que tem mentalidade de uma elite despudorada, sem escrúpulos com tripla identidade, cujas marcas de referências são os carros, os fatos, os relógios, os sapatos e o erário. Estamos mal, e cada vez piores.
Alguém acredita que sua Excia. dono do país, nasceu num bairro pobre que decorridos 50 anos de independência, no centro do Lobito, continua a não ter água, não tem luz; que a cada chuva vê as suas vias ficarem intransitáveis; onde crianças e adultos não têm escolas, vivem em casebres e morrem de malária e paludismo? Se eu não soubesse, diria que é mentira. Diria que ele não é angolano, porque deixou de sentir os anseios deste povo. Viaja muito, mas não vê nem sabe copiar o bom e melhor que verdadeiros líderes fazem para assegurar o desenvolvimento e o bem estar dos seus povos. Como desabafou, um amigo, “o Chefe percebeu que é bom viver no luxo e que é bom ser rico”.











