JAcQUEs TOU AQUI!

Como tinha previsto, desembarquei em Lisboa com a temperatura a baixar. À chegada, não tomei as devidas precauções, descuidei-me. Sou, por natureza, pouco cuidadoso. Ontem esqueci-me de vestir camisola interior e o resultado viu-se logo, aí está. Constipação, espirros, essas coisas que estou farto de conhecer. Vejo que não necessito de ter febre, é chegada a ocasião de utilizar o meu novo cartão de identificação de ex-deputado fornecido pelos Serviços de Pessoal da Assembleia Nacional. Sou antigo deputado, tenho todo o direito de o utilizar. Vou ver se funciona na Tuga, prometeram que sim. Garantiram-me que dá direito às consultas e medicamentos e até contempla despesas de funeral, de cremação do meu corpo e ainda do transporte dos meus restos mortais. Em Luanda já serviu para algumas consultas, análises e medicamentos. Estou feliz por isso.
A nova entidade que garante a apólice atende pelo nome de “VIVA Seguros”. Peço desculpa pela utilização da gíria, mas neste momento só me apetece dizer que “cassumbulou” a apólice da Ensa, a seguradora líder da área e que ajudei a criar, há 48 anos. Como foi que a minha seguradora perdeu um negócio desta envergadura? Incapacidade ou outros valores a levantarem-se? A resposta virá certamente. A concorrência foi mais “viva”. Só pode ser. Melhores argumentos, melhores cotações, provavelmente outros interesses. Especula-se com a circunstância de o PCA da “VIVA Seguros”, ser marido da ministra das Finanças, de quem os seguros dependem. O facto do PCA da seguradora e o marido da ministra das Finanças, serem uma e a mesma pessoa, suscita sempre, em Angola como em qualquer parte do mundo, muitas dúvidas. Só resta saber se as pessoas em causa tiveram interferência neste e quiçá, noutros negócios de envergadura semelhante. Desconfiar não é pecado. Resta apenas do outro lado, saber mostrar, que não existem motivos para desconfiar. Porque se assim não for, enveredamos por caminhos ínvios, muito perigosos. Para além disso, começam a ter lógica desconfianças que se levantam em torno da esperada privatização da Ensa, a líder incontestável do mercado angolano até bem pouco tempo. Trata-se de um negócio apetecível para os homens do dinheiro em Angola, sendo uma pequena mostra de onde podem ir os desígnios da sociedade capitalista que foi criada e se consolida fortemente, ganhando apetites desmesurados na República de Angola.
Aconteceram coisas nestes dias que nos obrigam a pensar que algo está a mudar. Ainda bem. Foi criada a Mulemba Re, a nova resseguradora angolana. Já Carlos São Vicente tivera o mesmo gesto visionário para as AAA Seguros. Continua preso porquê? Por acaso pensei no 25 de Abril que se assinalou ontem, quando verifiquei que os homens e mulheres de coragem começam a mostrar-se. É necessário e urgente que os cidadãos mudem. Que falem. Que se assumam! Têm de arranjar coragem e capacidade para dizerem o que pensam.
Falaremos mais para a semana. Despeço-me dos meus leitores, dos familiares, dos amigos e dos companheiros de luta, com votos de boa saúde. Até ao próximo domingo, à hora do matabicho.
Forte da Casa, Portugal, 26 de Abril de 2026










