
RECADOS DA CESALTINA ABREU (74)
Sejamos voz e presença a exigir o fim das guerras e a busca pelos caminhos que permitam alimentar a Esperança num futuro para todos nesta nossa Terra! A guerra não é apenas uma tragédia humana; é também um desastre ecológico que compromete e, muitas vezes, anula esforços de preservação.
O Dia Internacional do Planeta Terra celebra-se a 22 de Abril. Criado em 1970 pelo senador americano Gaylord Nelson e oficializado pela ONU como Dia Internacional da Mãe Terra, visa consciencializar para a protecção ambiental, a sustentabilidade e a preservação dos recursos naturais.
Celebrado globalmente, incentiva acções como a redução do uso de plástico, a plantação de árvores, a transição progressiva para energias limpas e a adopção de padrões de produção e consumo mais responsáveis.
Até aqui, tudo certo. Mas impõe-se a pergunta: como celebrar o Dia da Terra em tempo de guerra?
A actual conjuntura geopolítica é marcada por mais de 50 conflitos armados activos, com destaque para Ucrânia, Gaza, Sudão, Mianmar, Sahel e Irão, gerando crises humanitárias profundas e instabilidade global.
Pensar a relação entre guerra, sustentabilidade e futuro tornou-se urgente. A guerra não é apenas uma tragédia humana; é também um desastre ecológico que compromete e, muitas vezes, anula esforços de preservação.
Para além do sofrimento humano, há impactos directos na sustentabilidade:
• Destruição ambiental e contaminação de solos e águas;
• Desvio massivo de recursos financeiros e tecnológicos da Paz para a guerra;
• Ameaça à biodiversidade, com exploração ilegal de recursos naturais em zonas de conflito.
Como, celebrar então,a Terra neste contexto?
Celebrar torna-se um acto de consciência sob pressão:
• Um apelo à Paz — sobretudo quando a dependência de combustíveis fósseis continua a alimentar conflitos;
• O reconhecimento da eco-ansiedade, agravada pela destruição acelerada em zonas de guerra;
• A exigência de responsabilização pelos danos ambientais e de protecção dos ecossistemas, mesmo em contextos de conflito.
Em suma, celebrar o Dia da Terra em tempo de guerra é reconhecer uma evidência incontornável: não há sustentabilidade sem Paz, nem protecção ambiental sem protecção da vida humana.
Paz e sustentabilidade são interdependentes. Sem segurança, não há desenvolvimento sustentável; sem sustentabilidade, a escassez alimenta novos conflitos. Forma-se, assim, um ciclo vicioso que urge quebrar.
A “Paz positiva” — que inclui justiça social e instituições fortes — é condição essencial para um futuro viável. Sem ela, não há planeamento de longo prazo, nem garantia de recursos para as gerações futuras.
A urgência é incontornável: a degradação ambiental e as mudanças climáticas aproximam-nos de pontos de não retorno. É necessário um verdadeiro “Dividendo da Paz”: Não ao investimento na guerra, mais cooperação, mais justiça social e mais compromisso com o planeta.
Ingenuidade? Talvez.
Entre o realismo , que aceita a guerra como inevitável, e o idealismo utópico, que insiste em alternativas, escolho o segundo. Porque, sem essa escolha, o futuro deixa de ser uma possibilidade — e passa a ser apenas um risco. Deixa de ser esperança — e passa a ser ameaça.
Nesta quarta-feira, 22 de Abril de 2026, Dia da Mãe Terra, sejamos voz e presença a exigir o fim das guerras e a busca pelos caminhos que permitam alimentar a Esperança num futuro para todos nesta nossa Terra!
Kandando daqui!










