
RECADOS DA CESALTINA ABREU (43)
A paz não é apenas a ausência de guerra, mas a presença de condições sociais, económicas e políticas que permitam o desenvolvimento harmonioso de todos, ou seja, justiça social.
Acreditar num mundo melhor, começa por tornarmo-nos pessoas melhores. Não é ser melhor do que outro, é procurar a sua melhor versão. Trata-se de um compromisso pessoal, de carácter, com a ética e a integridade. Mobilizando pilares fundamentais que moldam um comportamento ético, como coragem, honestidade, sinceridade, esperança, podemos fazer a diferença na nossa vida e na daqueles que estão por perto.
Este esforço diário, sem esperar recompensas externas, se multiplicado por muitos, fará, certamente, a diferença. Porque essas virtudes quando praticadas, levam-nos a construir relações de confiança, de verdade. Estas, por sua vez, exigem de nós dar voz e visibilidade a quem não a tem, denunciando situações de injustiça e propondo soluções. E existe uma vasta agenda na qual nos podemos engajar se, de facto, o nosso propósito de vida é contribuir para a construção de um mundo melhor, sem guerras, em paz e sem deixar ninguém para trás. Seria uma agenda de verdade, não de discurso.
Construir um mundo sem guerras começa no dia-a-dia, através da promoção de uma cultura de paz. Isso inclui respeitar a vida, rejeitar a violência, praticar a generosidade, ouvir para compreender, e preservar o planeta. Acções individuais de solidariedade, de diálogo e de empatia, tanto em nível pessoal quanto comunitário, contribuem para essa mudança estrutural.
A paz não é apenas a ausência de guerra, mas a presença de condições sociais, económicas e políticas que permitam o desenvolvimento harmonioso de todos, ou seja, justiça social. Para além das atitudes diárias de respeito à vida e rejeição à violência em todas as suas formas, a promoção de uma Cultura de Paz implica: a) a sua inclusão nos programas curriculares de todos os níveis de ensino; b) a realização de debates públicos e sessões de reflexão ao nível de comunidades; c) programas nos meios de comunicação social direccionados para o debate das condições necessárias para, em cada contexto particular, efectivar essa ‘cultura de Paz’, passando-a do discurso à prática, entre outras, muitas acções e compromissos.
Essa educação para a Paz inclui, também, uma educação para a empatia, ou seja, aprender a ouvir para compreender diferentes perspectivas, e redescobrir a solidariedade, diminuindo preconceitos e discriminações. Igualmente a integram, a eleição do Diálogo e da Diplomacia, visando utilizar a comunicação de forma pacífica, para resolver conflitos interpessoais, institucionais e entre estados, evitando escaladas da violência.
Como já referido, é fundamental promover a Solidariedade e a Justiça Social, para a criação de um ambiente de justiça, de equidade (promovendo uma igualdade de condições e de oportunidades de facto e não de jure, ou pior, de discurso) e de respeito aos direitos humanos, como fundamentos da Paz. Dentro desta Agenda Comum, a necessidade de se encontrar um consenso sobre a questão ambiental e da Sustentabilidade é fundamental para preservar a nossa Casa Comum, já que a maior parte dos conflitos — internos, regionais e internacionais —, senão todos, resultam de disputas por recursos e pelo seu controlo.
Falar disto, assim, parece ingenuidade ou loucura… Defendo que não é, e acredito que se nos despirmos dos nossos egos e conseguirmos sair das nossas zonas de conforto, e começarmos a agir em pequena escala, rapidamente nos mobilizaremos para ir além, pois as reacções às boas práticas costumam ter retorno garantido e ampliado em relação ao investimento.
Saúde, cuidados e coragem para pensar nisso a sério, ou seja, no que cada um de nós precisa de fazer para mudar o que está aí e que, em última instância, também depende de nós, da nossa aceitação, do nosso silêncio, da nossa omissão.
Kandando daqui!










