A HISTÓRIA NÃO É FEITA APENAS POR TIRANOS

RECADOS DA CESALTINA ABREU(15)

“La ignorancia de las masas es la principal fuerza de los gobernantes”

A autoria dessa frase é atribuída a Charles Malato (1857–1938), anarquista francês de origem italiana, escritor e propagandista, e traduz a ideia de que a ignorância das massas é uma ferramenta chave para governantes e poderosos, fortalecendo regimes autoritários ao limitar a consciência crítica e a capacidade de contestação popular. 

A manipulação da desinformação, conhecida como Agnotologia, é usada para manter a população alienada, enquanto a educação é vista como a maior ameaça a esse controlo.

A ignorância fortalece dirigentes autocráticos e enfraquece as instituições democráticas. Ela leva à aceitação passiva de critérios impostos, desqualificando o conhecimento crítico e perpectuando o poder. Ou seja, a falta de conhecimento e a alienação do povo aumentam a força dos partidos no poder, facilitando o controlo autoritário.

Mas, há um outro lado desta equação que precisa de ser considerado, e vem sendo abordado por diversos autores desde a antiguidade. É que o problema não está apenas na elite que governa, mas no povo que abdica de pensar e decidir e entrega esse poder aos governantes. Assim, a dominação é facilitada pela busca popular por protecção, e não apenas pela imposição dos poderosos. 

Como nos adverte Maquiavel em “O Príncipe” (1532), as “massas” priorizam a segurança e a ausência de opressão em detrimento da liberdade, que implica participação activa. O discurso popular de que “o povo é oprimido pelos poderosos” é uma afirmação confortável, mas ignora essa realidade mais incómoda de a maioria das pessoas não apenas tolerar a dominação, como de alguma maneira a desejar. A história não é feita apenas por tiranos, mas por ‘massas’ acobardadas que, em vez de lutar por autonomia, preferem entregar a sua liberdade em troca de promessas fáceis.

Como acima referido, a Agnotologia é a ciência que estuda a fabricação e exploração deliberada da ignorância para fins políticos, e económicos também, criando um cenário em que ‘o saber’ é manipulado em função dos interesses dos políticos. Isto significa, que os regimes autoritários, como estratégia deliberada de manutenção de poder, produzem, e reproduzem, conhecimento sobre como manipular ‘as massas’, para garantir a manutenção da população sem acesso a informações verídicas ou educação crítica. E por isso, o povo tem de contrapor a educação como a arma mais poderosa para alterar esse cenário e mudar a sociedade, como nos ensinou Mandela. 

Mas, o povo tem de estar consciente que precisa de ir à luta e exigir uma educação pública, universal e de qualidade em todos os níveis. E, definitivamente, entender que, se não quer ser mandado, maltratado, desrespeitado, pelos que ‘gostam de politica’, tem de se envolver com política, sim! Aos vários níveis, fazendo o que estiver ao seu alcance, mas sem se alhear do que está sendo decidido e colocado em prática. 

Uma 6.ª feira com saúde, cuidados e coragem para fazer a sua parte no que à gestão do bem-comum diz respeito. 

Kandando daqui!

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