
RECADOS DA CESALTINA ABREU (13)
“Com a crise muitos convivem. Mas nenhuma sociedade suporta indefinidamente a injustiça”.
Os factores sociais e culturais desempenham um papel crucial na origem da injustiça: num estado de pobreza reina a injustiça. A desigualdade social, por exemplo, pode resultar em diferentes tratamentos para as pessoas com base na sua origem, classe social, raça ou sexo.
A injustiça ocorre quando duas pessoas, em iguais condições, recebem tratamento desigual. Dito de outra maneira: a injustiça ocorre quando regras diferentes são aplicadas para uma mesma situação, dependendo de quem está nela!
As principais barreiras para superar a injustiça social, são as situações que causam a desigualdade social, como a má distribuição dos rendimentos, o desigual e deficitário acesso à Educação; a má administração dos recursos públicos; investimentos públicos insuficientes, não prioritários e mal conduzidos; e a não garantia de serviços básicos de qualidade numa base universal. Estabelece-se como um círculo vicioso, em que a injustiça gera desigualdade e a desigualdade reproduz a injustiça. Injustiça essa, que corrói a sociedade pelas entranhas, destruindo os vínculos entre os seus poderes e os vínculos sociais entre os seus constituintes, gerando insegurança, desconfiança e medo.
Acompanhando as notícias sobre os acontecimentos recentes, aqui e pelo mundo, facilmente compreendemos que a revolta que sobressai dos protestos, ataques, desacatos, “vandalizações”, é ‘filha’ da injustiça prevalecente.
Na Carta Encíclica FRATELLI TUTTI, Sobre Fraternidade e Amizade Social (3 Outubro 2020), o Papa Francisco lembrava: “Aqueles que pretendem pacificar uma sociedade, não devem esquecer que a desigualdade e a falta de desenvolvimento humano integral, impedem que se alcance a fraternidade social e a paz duradoura, pois, limitam o reconhecimento e o valor de todas as pessoas e perpetuam polarizações. Para construir um mundo melhor e mais justo, é necessário superar as divisões geradas pela falta de inclusão e de afecto”.
Ou seja, a desigualdade social cria barreiras, quase impossibilidades, para o desenvolvimento de uma sociedade pacífica. A ausência de desenvolvimento humano integral, na perspectiva do universal, impede que as pessoas se reconheçam e se valorizem mutuamente, o que é essencial para a paz.
A amizade social, proposta pelo Papa Francisco é o caminho para a construção de um mundo mais justo e pacífico. Ela manifesta-se na valorização de cada pessoa, independentemente das suas origens, status social ou local de nascimento. Só superando polarizações, através do combate à desigualdade e da promoção do desenvolvimento humano, será possível superar as assimetrias que separam as pessoas e comprometem o futuro da humanidade.
Uma 3.ª feira com saúde, com cuidados e com coragem para agir de forma solidária, uma das primeiras práticas para combater a desigualdade, pois contribui para proporcionar oportunidades igualitárias e construir uma sociedade justa. Gestos concretos e simples que estão ao nosso alcance, começando com o que temos e podemos oferecer, como: ouvir alguém, doar bens básicos, ou ajudar alguém nas suas tarefas.
A solidariedade genuína não exige grandes recursos, mas sim a intenção de ajudar o próximo e construir um mundo melhor, valorizando os laços comunitários e o bem-estar de todos. Só com um verdadeiro compromisso social, trabalho, disciplina, rigor e sentido de justiça, se edifica uma sociedade e um mundo melhores, para todos!
Kandando daqui!











