VILA CLOTILDE ESTÁ IMPEDIDO DE UTILIZAR RECINTO DESPORTIVO DA LIGA NACIONAL AFRICANA

Na sequência da decisão caucionada pelo Presidente da República, de ‘expulsão’ da Liga Nacional Africana das suas instalações sede, o Clube Vila Clotilde, fundado em 1953, recebeu por esses dias, um aviso que proíbe a utilização do recinto desportivo situado na parte adjacente a esse edifício, que a agremiação faz uso há 70 anos, ao abrigo de um acordo entre as partes. 

Como é evidente, a revolta instalou-se entre sócios e atletas porque o Clube ficará assim desprovido de uma área fundamental para o desenvolvimento das acções de formação desportiva dos seus atletas, particularmente das modalidades de basquetebol e de karaté, num total de 195, dos mais de 300 que estão filiados.

Recordamos que, o recinto desportivo pertencente à Liga Nacional Africana aloucado ao Clube do Vila Clotilde, beneficiou, até Agosto de 2024, de importantes obras de requalificação e modernização. Essa intervenção profunda contou com a comparticipação da Federação Angolana de Basquetebol (FAB) e parceria da Fundação Ngana Zenza para o Desenvolvimento Comunitário (FDC), ao abrigo do projecto ReviengAngola apadrinhado pela primeira-dama Ana Dias Lourenço. Aliás, a cerimónia de inauguração, cheia de simbolismo, realizada no mês referido, para além do titular da pasta da Juventude e Desportos, Rui Falcão, e de Ana Paula do Sacramento Neto, ministra da Família e Promoção da Mulher, teve como figuras convidadas de destaque, a fundadora da Ngana Zenza. E fez-se acompanhar das primeiras-damas de Cabo Verde, de Moçambique, da Nigéria e de São Tomé e Príncipe.

O facto intrigante para a massa associativa do Clube, é a falta de sensibilidade dessa “malta”, que se sente protegida e confortada pela decisão do Presidente da República de expropriação da Liga Nacional Africana. Não consideraram a história e o desempenho dessas duas instituições, nem o papel delas na sociedade. O Vila, por exemplo, conta com um total de 305 atletas nas modalidades de basquetebol (com 155 atletas), karaté (com 80 atletas), golfe (com 40 atletas) e esgrima (com 30 atletas). E a intervenção da primeira-dama Ana Dias Lourenço, foi tida como o apadrinhamento, como conforto e a protecção próxima do ‘institucional’ que o Clube necessitava, face a ligação directa que essa entidade mantém com o Presidente da República.

Mas, como está a ser interpretado entre sócios da agremiação, o recurso a esse apadrinhamento pode ter servido para alimentar apetites “dessa gente despudorada que passa por cima de tudo e de todos, inclusive de uma história de entrega e de contribuição comunitária para o bem-estar comum, que já leva 70 anos”. Nem está minimamente preocupada com as implicações dessa decisão, quando, mesmo ao lado e num raio de um quilómetro, existem outros edifícios históricos afectos ao sector da Educação vedados há anos para obras que nem sequer iniciaram, por falta de disponibilidade financeira. 

Para essa gente (maldita como classifica um amigo) que nos governa, se pouco importa o estado de pobreza da população e até há quem defenda que os que andam nos contentores fazem-no à procura de embalagens para venda e não de alimentos, o futuro desses 305 atletas ou se o Vila Clotilde sucumbirá, tá claro, importará menos ainda.

Mas, como dizem os sócios, “oxalá a última beneficiária dessa intervenção do Presidente da República que lesa a Liga Nacional Africana e agora o Vila Clotilde e demais ocupantes de espaços ‘arrendados’ naquele recinto, não seja a própria Fundação Ngana Zenza”. Seria uma vergonha. Ou melhor, mais uma. Mas, por enquanto, não passa de suspeita alimentada por vários sócios do Vila, e competirá agora a ‘madrinha’, os competentes esclarecimentos.

Tá claro, não a vemos capaz de ir tão longe assim, até porque, a direcção da Liga Nacional Africana já recorreu aos órgãos de Justiça, porque esse edifício não é pertença de quem Governa. E a sua história, não tem as incongruências da história dos movimentos de libertação nacional. 

RAMIRO ALEIXO

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